O José Henrique, ou simplesmente, Zé dos Prazeres, é um dos personagens mais Conhecidos do Crato
Crato. O Diário do Nordeste lança, a partir de hoje, mais este espaço de valorização das populações residentes nos municípios cearenses. A seção Personagens do Interior quer divulgar os perfis de pessoas que se destacam em sua cidade, nas mais diferentes áreas, seja na arte, na cultura, no artesanato, no comércio, no trabalho comunitário, entre outras. *i iUm exemplo que vem dos velhos cabarés do Crato. O rit-mista e seresteiro José Henrique dos Santos, conhecido por “Zé dos Prazeres’, é o único sobrevivente de uma casta de boémios que marcaram presença nos velhos lupanares do Crato. O apelido vem de sua mãe, “Maria dos Prazeres”, que criou os filhos vendendo cabeça de porco aos frequentadores do chamado baixo meretrício. Foi neste ambiente de prostituição, malandragem e pobreza que Zé dos Prazeres foi criado. Mesmo assim, a adversidade não o arrastou para o mundo do crime. Exerceu as mais humildes profissões de engraxate a menino de recado das mulheres que vendiam o próprio corpo para sobreviverem. No convívio com estas mulheres, segundo afirma, colheu as mais nobres lições de solidariedade. Como exímio percur-sionista de pandeiro e bateria, Zé dos Prazeres deu prioridade à música, seguindo os conselhos de sua velha mãe que sempre o orientou no bom caminho. No balanço que faz de sua vida em clima hostil , ele diz, com orgulho, que não tem nenhum inimigo.
Casado, pai de três filhos, um dos quais morando em Tóquio, no Japão, e os outros dois em São Paulo, Zé dos Prazeres constituiu sua família distante de seu ambiente de trabalho, preservando-a das máculas preconceituosas da sociedade. Provou que no meio do lama social nascem flores.
Hoje, com 82 anos de idade, o velho boémio ainda mantém o seu bar aberto no coração do antigo baixo meretrício.
Cercado por meia dúzia de garrafas, duas geladeiras e uma bicicleta que lhe serve de transporte, ele se mantém de pé, entrincheirado no último reduto da chaga social da vida clandestina da cidade.
Para os que criticam as mu lheres com quem conviveu, ele tem na ponta da língua um soneto de Patativa do Assaré. “A letra fala por si mesma”.
A meretriz
Se alguém te chamas de perdida e louca/Não acredites, pois não é verdade./ Há quem procure cheio de ansiedade /A graça e o riso que tu tens na boca/ Fostes menina, já usastes touca / Fostes donzela, tinhas virgindade/ Tudo é fugaz, tudo é brevidade /
De qualquer forma nossa vida é pouca.
Nunca lamentes teu viver de puta/ Entre os pomares tu também és fruta/ Alguém te estima e com fervor te quer/ No chão na cama ou dentro de uma rede. / 1\i és a fonte de matar a sede / Do desgraçado que não tem mulher.


























Quando se trata de assuntos musicais, a imprensa é mesmo ignorante. A palavra correta é PERCUSSIONISTA, e não “percur-sionista”, que aliás, nem existe nem nunca existiu!
Mas que bela reportagem, afinal, sobre o Zé dos Prazeres! uma vida realmente ligada aos grandes prazeres da vida…
POxa, conheço Zé dos Prazeresdesde molequinho. Fico feliz em receber notícias dele aqui na net e eu estando tão longe de minha terrinha. Um senhor muito alegre e gentil, com uma educação de fazer inveja a qualquer um. Zé que não dá prazer como meu pai humorosamente o chama. Velho companheiro e amigo de meu pai…
Saudades