Arquivo para ‘março, 2007’
Escrito por Jose Flavio
Crônicas
15 mar 2007, 19:12
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ARARINHA AZUL
J.Flávio
Representante comercial das famosas malas Sunderline, Garibaldo nunca tinha andado pelas bandas do Cariri. Trabalhara sempre na região norte do estado , onde, segundo afirmava categoricamente, seus malotes se conheciam até em Frecheirinha.A firma resolvera, ultimamente, explorar outros rincões do Ceará e convocará um Garibaldo pouco estimulado a se mandar para estas brenhas. Uma terra onde o povo só usa aribé, arupemba, matulão e balaio, como diabos vou conseguir vender as requintadas bolsas Sunderline ? — Pensou Garibaldo com seus botões. Funcionário, no entanto, não tem querer, chefe é chefe e, com as duas únicas opções à sua frente : a rua ou o Cariri, terminou preferindo a última.
Chegou por aqui na penúltima segunda-feira, aproveitando o espírito natalino e suas desbragadas leis de consumo. Informara-se ainda em Fortaleza sobre um motorista local que o pudesse acompanhar na peregrinação pelas cidades caririenses. Houve quase que um consenso entre os muitos representantes conhecidos entrevistados: Bosquim. O homem, dizia-se, mostrava-se algumas vezes um pouco sincero demais, mais positivo que Augusto Compte, mas dirigia como ninguém: cuidado extremo, senso de responsabilidade e mais de quarenta anos de estrada, sem uma derrapada qualquer , nem mesmo uma freada mais brusca. Garibaldo , mal chegou na rodoviária, já despistou os taxistas de plantão e ligou para o celular de Bosquim que o atendeu prontamente. Passaram toda a semana juntos, percorrendo as cidades maiores do Crajubar. As vendas até que surpreenderam Garibaldo que previra, erroneamente, retornar à capital com uma mão no cano e outra no feixe. Tantos dias próximos, aos poucos se foram quebrando as arestas entre o representante e o motorista. Se foi tecendo uma amizade e a intimidade trouxe consigo troca de confidências. Garibaldo segregou para Bosquim que do alto dos seus trinta e seis anos ainda não contraíra casamento. Não porque não desejasse, mas não havia ainda encontrado a outra banda da maçã. Confirmou sua caretice, ligado demais à família, procurava uma moça boa, de mesa e cama e, antes de tudo casta . Lembrou que na capital virgem era espécie praticamente em extinção e que já estava sendo cadastrada pelo IBAMA, como a Ararinha Azul. Bosquim, por sua vez, lembrou que no interior a coisa andava também bastante preta, mas ainda havia lá muitas honrosas exceções e que certamente ele, com tantos critérios, deveria preferir procurar por aqui a outra banda do araticum, se não quisesse ser corno na folha.
Na sexta-feira, descendo a Avenida Duque de Caxias aqui em Crato, na companhia do motorista, Garibaldo avistou uma imagem que só podia vir do paraíso. Uma morena alta de cabelos lisos, ofidicamente sinuosa como um violoncelo, com uns olhos recortados , semi-orientais e uma boca carnuda como se eternamente estivesse buscando beijo. O representante, imediatamente, interrogou Bosquim sobre aquela aparição. De que éden escapara aquela ninfa ? O motorista , rápido, puxou a ficha da deusa: morava no centro, estudava na URCA e, ao que sabia não possuía namorado, quando não estava estudando, residia na igreja praticamente: rezando e debulhando terço. Garibaldo,fatalista, súbito, acreditou que aquilo só podia se tratar de uma coisa do destino que sempre escrevia linheiro com a caneta torta. Suplicou a Bosquim que pegasse dados da moça, conseguiu o celular, ligou para ela e, apesar da relutância, conseguiu marcar um encontro ali na Chopanna à noite.
Chegou todo fiota, entabulou conversa e o interesse pareceu mútuo. As mulheres daqui gostam muito dos homens forasteiros, um pouco pela novidade, pelo mistério, mas também por que estrangeiros quando retornam, não têm muito a quem contar as intimidades e diminui bastante o perigo dos segredos de alcova serem divulgados no patamar da igreja da Sé.
A moça desde o primeiro contato pareceu-lhe extremamente recatada. Só no segundo encontro conseguiu pegar na mão, o primeiro beijo foi roubado, com alguma dificuldade no quarto dia , quando a pediu em casamento. Entabulado o enlace futuro , conseguiu , com enorme dificuldade , leva-lá a um Motel.A moça entrou temerosa e preocupada, no quartinho. Garibaldo, para tranqüiliza-la, abriu uma cerveja, deixou todo o ambiente a media luz, colocou uma destas canções de Roberto Carlos que faz uma música para o motel e depois outra pedindo perdão a Jesus Cristo.Começou as preliminares com cuidados de quem toca harpa. Nisto lembrou a necessidade de carregar o celular já que tinha que se comunicar com seu chefe ainda naquela noite, depois da lua de mel. Partiu para conectar o carregador na tomada mais próxima, quando tomou uma descarga de alta tensão ao ouvir estas recomendações da futura esposa :
— Ei, meu filho ! Pelo amor de Deus! Não mexa nesta tomada aí não que ela ta dando um choque danado !
Escrito por Jose Flavio
Crônicas
13 mar 2007, 11:26
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A Oca- Companhia de Teatro estará reapresentando a premiada peça “A TERRÍVEL PELEJA DE ZÉ DE MATOS COM O BICHO BABAU NAS RUAS DO CRATO” na próxima semana. A peça é um hino de amor a nossa cidade, cantado na voz do nosso mais irreverente e importante poeta popular.O texto é de J.Flávio Vieira , a Direção Musical de Abidoral Jamacaru, a Coreográfica de João Nicodemos , a Direção teatral de Joaquina Carlos e Mauro Cézar. A Direção Geral de Luiz Carlos Salatiel e J. Flávio. Inspirada no Movimento Armorial a peça narra a saga poético-musical de Zé de Matos,imersa profundamente nos nossos signos nordestinos: a música, o cordel, os cantadores/emboladores/ o Reisado, o Mamulengo, o rabequeiro, os camelôs. Apresentada já em várias cidades cearenses, com enorme sucesso, premiada em Festival, esta é a oportunidade de ver/rever o Zé de Matos.
Peça : ” A Terrível Peleja de Zé de Matos com o Bicho Babau nas Ruas do Crato”
Apresentações : 02 apresentações
Dia : 21/03/07 ( Quarta Feira )
Local : Teatro do Centro Cultural BNB em Juazeiro do Norte ( Defronte a Praça Pe Cícero)
Hora : Primeira apresentação : 16 H
Segunda apresentação : 19:00H
Duração : 1H : 30 Min
Entrada : Franca ( ingressos na Portaria antes do espetáculo)
Escrito por Glauco Vieira
Crônicas
12 mar 2007, 20:42
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(esq p/ dir): Salatiel, José Nilton, José Flávio,
Jurandyr Temóteo, Abidoral Jamacaru e Jorge.
Neste último domingo (11), José Nilton esteve reunido com seus amigos na casa de eventos Aquarius. O atual Vice-reitor da URCA, já é de conhecimento público, tem demonstrado interesse em pleitear candidatura à reitoria de nossa universidade.
A confraternização contou com a presença significativa de cerca de 300 pessoas. Além de professores, funcionários e alunos da URCA, muitos artistas estiveram também presentes.
Com o uso da palavra, José Nilton agradeceu o apoio dos amigos. Sinalizou que a Universidade vive um momento propício para sua consolidação. E que o futuro da URCA depende da participação ativa da sociedade. Finalizou dizendo que “A URCA somos todos nós”.
Escrito por Jose Flavio
Outras
9 mar 2007, 21:23
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Escrito por Jose Flavio
Outras
9 mar 2007, 21:12
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Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
9 mar 2007, 00:20
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Olá, Galera,
Para o pessoal de longe matar a saudade.
Essas são quentinhas, tiradas agora há pouco no Crato:



Abraços!
Escrito por Dihelson Mendonca
Outras
8 mar 2007, 23:33
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Olá, Galera esperta do BLOG DO CRATO !
Tenho a máxima satisfação de dar a notícia de que tanto o BLOG DO CRATO quanto o PORTAL DO CRATO tem atingido recordes de visitantes nos últimos dias, depois do Carnaval.
Portanto, vamos em frente, que a coisa está dando certo!
Gostaria que as pessoas que escrevem, pudessem entrar em contato comigo e enviar textos interessantes a fim de que eu possa publicar lá no PORTAL.
Precisamos atualizar sempre, e isso depende de matéria-prima que as pessoas me enviam.
Não posso fabricar notícias, mas posso divulgar o que acontece.
vamos lá…
Estou esperando…
Abraços.
Dihelson Mendonça
Escrito por Jose Flavio
Crônicas
6 mar 2007, 10:14
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GRAFITES
J. Flávio
Na entrada da Gruta do Sol, na Chapada da Diamantina, na Bahia, existe todo um paredão pictografado com impressionantes pinturas rupestres. Algumas , como uma mandala, gravada em quatro cores, enche os olhos de quem as vê. E lá estão postas, numa galeria toda especial, há pelo menos 10.000 anos Há desenhos que sugerem uma agenda , com inúmeros tracinhos empilhados , como se demarcando dias ou produtos de caça. Algumas figuras de animais e uns outros traços de espirais.Outras escrituras diversas existem aqui no Cariri, em Ingá, na Paraíba, no Amazonas. Que recado nossos irmãos primitivos desejavam deixar para a posteridade ?Certamente, de alguma maneira, gritavam para as gerações vindouras: Aqui estivemos ! Vivemos nestas terras, não nos esqueçam! É que não tinham quaisquer outras maneiras de registrar sua presença num mundo: sem escrita, sem TV, sem fotografia, sem cinema , sem internet. Aquela lhes pareceu a única possibilidade de deixar, para o futuro, alguma imagem que demarcasse sua presença nesta terra. Armstrong não fez muito diferente ao deixar a pegada do homem na lua e os alpinistas também fincam a bandeira de seus países nos picos mais inacessíveis . Os adolescentes grafitam os prédios mais altos para desespero dos proprietários, no intuito de afirmar : eu posso ! Mas , também , bravejam : Veja, estou vivo e sou capaz disso! Os enamorados gravam seus nomes nas árvores, no meio de um coração trespassado por uma seta de cupido, pretendendo mostrar para o mundo a força de seu amor, mas também para lhes imprimir um certo ar de eternidade.
Se repararmos bem, todas as nossas grandes ações, neste planeta, buscam, no fundo, a imortalidade. É que a vida é tão curta, de percurso tão frágil e imprevisível que todos , de alguma maneira, ensaiam deixar sua marca , seu registro, numa tentativa, última de eternizar-se. O escritor que publica o livro, o monge que ora no mosteiro, o pintor que expõe sua aquarela, o músico que compõe sua sinfonia , todos intimamente, pretendem, por caminhos diversos, sobreviver por aqui ,além da brevidade inevitável da vida. O empresário que constrói o arranha-céu, a grã-fina que compra a Hylux nova, o político que põe o próprio nome na rua recém construída , todos esforçam-se por saltar o caudaloso rio da morte e do esquecimento. Algumas vezes se utilizam até estratagemas terríveis: matam-se pessoas famosas, empreendem-se chacinas e guerras genocidas, no intuito de imprimir o nome no livro da história, mesmo que seja na página policial. Há em todos a vã esperança que será possível vencer e morte física através de nossos atos . Nosso pretensão não é muito diferente do faraó que construía a pirâmide e se acercava de todos seus utensílios terrenos, na certeza de que no outro mundo teria uma vida muito parecida com a que levou aqui embaixo.
O certo é que todos grafamos, cada um a seu modo, nossos pictogramas no paredão do nossa época.Alguns destes desenhos, como os da Gruta do Sol, resistirão aos anos e às intempéries, mas apenas legarão à posteridade vagas informações daquilo que um dia fomos e pensamos. Nossa individualidade esfumaça-se com a nossa partida. Podem ficar alguns poucos indícios do crime perpetrado, mas, no final a morte sempre ganha a questão e o esquecimento será sempre o desenho derradeiro que ficará aposto na gruta da vida , sempre esmaecido diuturnamente pelo apagador do tempo que prepara o quadro para ser pintado pelas gerações vindouras. .
Escrito por Jose Flavio
Outras
5 mar 2007, 20:03
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SESSÃO DE ARTE MÊS DE MARÇO
Sessão de Arte no mês de março. Filmes de arte com entrada franca, todas as terças-feiras, às 19h no SESC Crato.
Segue abaixo a lista dos filmes:
06/03
Parente é Serpente ( ITA, 1992) – Classificação: 12 anos..
ComédiaDireção: Mario Monicelli
Roteiro: Carmine Amoroso, Suso Cecchi D’amico, Piero de Bernardi, Mario Monicelli
Durante a tradicionalíssima festa de Natal da família Colapietro, a alegria é interrompida quando a matriarca declara que ela e seu marido estão muito velhos para ficarem sozinhos naquela enorme casa. Comunica, então, uma decisão irrevogável: vai pôr a casa à venda e morar com um dos filhos. Mas, é claro, nenhum deles quer dar abrigo aos pais, e o que era para ser apenas mais uma ceia de Natal acaba se tornando uma grande confusão, de conseqüências tragicômicas.
13/03
Um Dia de Cão (EUA, 1975) – Classificação: 16 anos.
PolicialDireção: Sidney Lumet
Roteiro: Frank Pierson, baseado em artigo de P.F. Kluge e Thomas Moore
O diretor Sidney Lumet (Rede de Intrigas) leva às telas a história de dois ladrões que planejaram realizar um assalto a banco que durasse apenas 10 minutos mas que, 10 horas depois, ainda permaneciam no banco cercados pela polícia, pela imprensa e pelos curiosos de plantão. Com Al Pacino. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original.
20/03
Gata em Teto de Zinco Quente (EUA, 1958) – Classificação: Livre.
Drama
Direção: Richard Brooks
Roteiro: Richard Brooks e James Poe, baseado em peça teatral de Tennessee Williams
O aniversário do patriarca da família reúne todos os seus integrantes, porém a existência de um câncer incurável acaba por revelar suas verdadeiras faces. Com Elizabeth Taylor e Paul Newman. Recebeu 6 indicações ao Oscar.