Caro Dihelson Mendonça e conterrâneos,
Pode, em primeiro momento parecer estranho, deixar essa singela mensagem à respeito de minha terra natal, sou filho desse lindo Estado, em particular dessa maravilhosa cidade, que a cada dia que passa aprendo a admirar, respeitar e dizer aos quatro cantos: SOU CRATENSE ATÉ A ALMA. Sai muito cedo da minha terra, por volta de 1986, à época com quase 17 anos, como não poderia deixar de ser, migrei como vários conterrâneos para a região sudeste do Pais ( alguns insistem em chama-la de sul) São Paulo, aqui chegando, diferentemente de muitos irmãos, fui muito bem recebido e acolhido. Terminei os estudos secundarios, iniciei curso de historia e psicologia, entretanto, apesar de não identificar-me com tais áreas, comecei outro, dessa feita direito, conclui e logo após a conclusão fui aprovado no exame de ordem, hoje advogado, minha segunda paixão, a primeira mencionada acima, minha cidade natal, logicamente sem esquecer que concomitantemente com a primeira paixão esta a minha bela esposa, também cratense. E com relação a esse assunto, após 20 (vinte) anos residindo em outro Estado, a mulher da minha vida estava no meu local de nascimento, retornei para leva-la comigo.
Quando saimos da nosso terra, do aconchego da familia, da proximidade de nossa cultura, acabamos deixando de lado, mesmo que provisoriamente, a importância de nossos laços culturais , haja vista o contato com outra totalmente diferente. Entretanto, quando ingressamos nessa nova etapa da vida ao lado de pessoas da mesma feição cultural, fica mais dificl esquecer a origem. Porém, quando esse contato dar-se em um ambiente totalmente alheio, é como aquele adágio popular: “ não sabe falar o dialeto atual, e esqueceu-se o de origem”, é uma situação complicada, para não dizer deprimente. Confeso que percori todo esse caminho, em um momento esqueci, mesmo não querendo, em outra busquei, muitas vezes não achando, hoje, não creio que guarde relação com a idade ( estou com 37) procuro falar, divulgar, elogiar e dizer o quanto sou feliz por ter nascido na cidade do CRATO, é verdade que com um sotaque um pouco diferente, porém, com o coração cheio de alegria e orgulho em poder verificar que a cada ano que passa, periodo em que constumo visita-la, demonstra uma capacidade impressionante em todos os seguimentos, quer seja cultural, tecnológico, politico, enfim uma sociedade engajada pleiteando melhores condições de vida.
Logicamente que como qualquer cidade brasileira, os problemas são visiveis, todavia também percebemos o empenho de muitas pessoas em tentar reverter o quadro, não só os politicos, porém, o cidadão comum que sabe que essa terra é valiosa, é especial e acima de tudo é nossa casa, e sempre nos receberá de braços abertos. Citando a nossa inspiradora Cecilia Meireles, a arte de ser feliz:
“ Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refelectidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Por fim conterrâneos, que a nossa cidade continue a representar para todos nos o começo de tudo, alegria da vida e a paz em nossos corações.
Por: Luiz Claudio Brito de Lima
.
























