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Arquivo para ‘abril 30th, 2008’

O talento de João NICODEMOS


Com Jair ao violão…


O talento de Aécio no pandeiro:


João nicodemos enche o ar de poesia e chorinho…



Poema: “Martelo” de João Nicodemos. Para ouvir, clique no player abaixo:

Foi um grande show!
Desses que a gente relembra músicas que se pensava não iria mais escutar em vida, ou que ainda houvesse registrado em algum bit de memória. Show do grande artista, poeta, músico, pensador João Nicodemos no SESC Crato, semana passada. Show de Chorinho e performance poética cheia de muita emoção e improviso. Ao lado de dois grandes músicos: Jair, ao violão e Aécio no pandeiro. E lá estava uma grande platéia, de jovens e gente não tão jovem assim. Mas vi amigos como Dr. José Flávio, Abidoral, Tânia, e tantos mais conhecidos e desconhecidos que me vêm à memória.

E o melhor de tudo, é que eu estive lá para ver. Ouvi e apreciei o talento deste grande artista chamado João Nicodemos.

Fotos: Dihelson Mendonça
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2ª EDIÇÃO DA MOSTRA CURTAS CARIRI TERÁ INÍCIO NO DIA 01 DE MAIO.

A Mostra Curtas Cariri é um evento pioneiro que, desde sua primeira edição em 2007, traz ao interior do Ceará uma amostra da produção cinematográfica nacional em curta-metragem, com programação totalmente gratuita, valorizando a regionalidade como linguagem e celebrando a diversidade cultural do país.

Neste segundo ano a MCC, evento realizado pelo Coletivo Malungo, Jaraguá Filmes e a AAC-Associação Audiovisual do Cariri, será exibida concomitantemente em três cidades da Região do Cariri. Crato (Auditório da RFFSA), Juazeiro do Norte (CCBNB) e Nova Olinda (Fundação Casa Grande) receberão a programação de filmes, oficinas, debates e shows nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2008.

O homenageado do evento será Seu Zé Sozinho, pernambucano radicado em Caririaçu, que bem representa a vocação audiovisual do Cariri, há quase 40 anos, exibindo filmes em praça pública.

A Mostra acontecerá nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2008, simultaneamente nas cidades de Crato (Teatro da RFFSA), Juazeiro do Norte (Centro Cultural Banco do Nordeste) e Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com uma programação que incluirá além dos filmes selecionados para os 4 programas do evento, mesa-redonda, palestras, oficinas e shows.

Os Programas:

- Mostra de 1 min: Curtas-metragens inquietos, inventivos, criativos e questionadores, que faz um apanhado da recente produção de vídeos experimentais dos novos realizadores do Cariri.

- Mostrinha: Esse programa dedica sua programação às crianças e tem como foco despertar nas crianças o interesse pela sétima arte.

- Mostra Curta Cariri / 100 Canal: Esse programa tem curadoria de Hélio Filho, gerente da TV Casa Grande, que selecionou 12 vídeos com trabalhos em audiovisual desenvolvidos pelos meninos da instituição.

- Mostra Curta Brasil: A Mostra Curta Brasil tem por característica a apresentação de filmes que obtiveram destaque na cena audiovisual brasileira e, com isso, faz um recorte da recente produção em curta-metragem nacional.

Programação:

Dia 01 de maio:
- 16h Abertura do evento.
- Palestra do Zé Sozinho(Homenageado da Mostra)
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Mostra Curta Brasil.

Dia 02 de maio:
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Palestra com os Meninos da TV Casa Grande.
- 19h Mostra Curta Brasil.

Dia 03 de maio:
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Mostra Curta Brasil.
- 20h show de encerramento.

Mais informações:
Jaraguáfilmes
docariri@gmail.com
(88) 9619.1898
(88) 3521.3382

Apoio:
Soma9
Arte Mídia

Por: Dihelson Mendonça
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A tortuosa estrada do sonho…

Ali estava bem na sua frente e era um deslumbramento. Parara ofegante e atônito, como um menino que balbucia as primeiras palavras de amor para a namorada. Saíra com a inglória missão de comprar um presente para o aniversário do filho, esta difícil e impalpável arte de calçar a matéria no sonho alheio. De repente, diante dos seus olhos, como se pronunciasse o abracadabra ou o abre-te-sésamo aparece o objeto de todos os desejos da sua já distante infância.
Fôra pirralho pobre e desde cedo precisara aprender a inventar os seus próprios brinquedos. A duras penas , aprendera a fazer o pião com um tronco de goiabeira e um prego; o “triângulo”, mais simples , o precedera, quando entortou a extremidade de um arame e afiou a outra ponta numa pedra de amolar facas. Depois viera o caminhão, doce enlevo da sua meninice, que fabricara desfazendo uma velha caixa de madeira e dela construiria todos os módulos: a boléia, a carroceria, as rodas ( a mais difícil tarefa) e até os amortecedores — feitos das aspas metálicas que recobriam a caixa e que davam ao carrinho um discreto molejo, tão importante para as manobras mais radicais. As bolas de gude ( de aço ,as preferidas) eram conseguidas dos mecânicos da redondeza, que as tiravam de rolamentos “gripados”. Depois vieram os carrinhos de rolimã , os patinetes construídos com tábuas e rolamentos, que eram o terror do sono de todos os vizinhos Fez-se clone de Ícaro ,também , montando “pipas” com papel celofane, pedaços de madeira e “grude de goma”. Os “papagaios”, ao serem empinados, como que alçavam aos céus o dourado enleio da sua infância ( enleio que um dia se perdeu no espaço, ao ser cortado pelo brusco cerol da adolescência). .
Uma vez , pisando na sombra do pai, tinha tido um encantamento igual ao de hoje : diante de si um ônibus feito artesanalmente, de quase meio metro, com inúmeras cadeiras no seu interior , as laterais fabricadas de lata e pintadas, onde se lia, em letras transversais: “Viação Cometa”. Lembra, como se fora ontem, atanazara tanto o pai para comprar aquela maravilha, que terminou por ganhar o mais comum presente do seu tempo: uma surra monumental.
Hoje, no entanto, se sentia o mais feliz homem do mundo: podia dar ao filho o mais almejado presente da sua vida de guri. Comprou-o, trêmulo, como se tivesse voltado trinta anos . Cerrou os olhos um pouco, enquanto o vendedor lhe trazia o troco, e se viu apenas de calção listrado, com barbante na mão, à guisa de volante, e dirigindo cuidadosamente aquele ônibus que por tantos e tantos anos foi o cometa de todos os seus desejos. O tilintar do troco no balcão o fez viajar , num átimo, três décadas de volta. Tomou do embrulho valioso e partiu célere para casa, na expectativa de ver ,nos olhos do filho, a felicidade que poderia ter brilhado nas suas próprias retinas tantos anos atrás…
Mal abre a porta, berra, ofegante :
—Filho, olha o presente de aniversário que eu trouxe prá você!
O menino corre e rasga o invólucro, vorazmente, sem nenhum critério artístico. De repente emerge do papel picotado , o ônibus reluzente. O filho , porém, não reluz como o ônibus, o olha sem entusiasmo e pergunta, sem graça:
—- Pai, o que é que ele faz, hein? Tem controle remoto, anda sozinho?
O pai, triste,surpreso, ainda pensou em explicar que aquele carrinho fazia tudo: andava sozinho, corria, subia ladeiras e rampas, até voava e tinha controle remoto sim: A imaginação. Mas já não adiantava, o guri, hipnotizado, agora fixava seu pensamento apenas no video-game e o sonho de infância do pai estava ali jogado no chão em total desamparo — um ônibus que capotara , perdera em algum lugar a sua força lúdica, e era agora um veículo enferrujado, obsoleto , sem rumo claro e sem destino previsível…

J. Flávio Vieira

Um trem chamado Cariri

Texto: Carlos Rafael (especial para o Blog do Crato)
Foto: Antonio Vicelmo, para o Diário do Nordeste

Nesta matéria, o termo Trem do Cariri tem significado mais amplo, pois alcança a dimensão simbólica, presente no inconsciente coletivo local: o imenso desejo (ou um bonde chamado desejo) de ver o Cariri cada vez mais cosmopolitano.
Para tanto, muitos desafios e mitificações simplórias terão que ser superados.
Primeiro, capengam os que acham que o Cariri vem perdendo o trem da história. Para isso, apresentam cifras, percentuais e números comparativos entre o Cariri político e econômico de hoje e de cem anos atrás. Isso é ver o futuro com as lentes do passado. Esquecem o Cariri pujante, de hoje, pulsante, de sempre, alijando sua dimensão extemporânea, presente no cotidiano de um povo caririzeiro que tem expressão própria.
Segundo, nossa identidade é caririense, unindo diversas outras referências, como a pequizeira do Crato, a romeira do Juazeiro, a rapadureira de Barbalha e tantas outras que têm também suas especificidades. Não há mais espaços para bairrismo tolo. O Cariri é um todo e só assim ele se manterá nos trilhos da história.

Este é um novo tempo para o Cariri. É preciso, pois, ficarmos atentos, sob pena de perdemos o bonde da história.

Visite o ZoomCariri – O Site da Fotografia no Cariri


www.zoomcariri.com
Visite, divulgue, participe!

Foto: Dihelson Mendonça
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