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Arquivo para ‘julho, 2008’

Mateus.


Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Martha Medeiros

Cangaceiros Alados


Leitores, vou terminar
Tratando de Lampião
Muito embora que não posso
Vos dar a resolução

No inferno não ficou
No céu também não chegou
Por certo está no sertão

José Pacheco da Rocha (1890-1954)

Finalzinho dos anos 50. Instituto Médico Legal Nina Rodrigues em Salvador, na Bahia. Um menino peralta, indomável no alto de seus seis anos, manquitolando, com uma longa bota ortopédica atada ao pé direito, aproxima-se destemidamente da vitrine. À sua frente uma imagem inesquecível e bárbara: as cabeças degoladas de Lampião, Maria Bonita e dos cangaceiros : Quinta-feira, Luiz Pedro, Mergulhão, Elétrico, Enedina, Cajarana, Tem

pestade e Marcela. O meninozinho caririense, em tratamento ortopédico na capital baiana, não titubeou. Como havia prometido ao pai, antes da viagem, postou-se diante dos guerreiros decapitados e bateu continência.

Já lá se vão setenta anos da queda definitiva do Capitão Virgulino e seu bando e exatamente meio século do gesto de reverência militar do menino ruivo e meio saci que hoje escreve estas linhas. Após o fogo de 28 de Julho de 1938, em Angicos, os onze guerreiros que fizeram parte do mais arrojado bando guerrilheiro nordestino, que varreu os sertões por quase vinte anos, abatidos, terminaram todos sendo decapitados. Suas cabeças passaram a ser expostas sob o pretexto que serviriam de cobaias científicas , se estudando possíveis degenerescências lombrosianas. E assim permaneceram até 1969, quando sob pressão do Dr. Sylvio Hermano de Bulhões, filho de Corisco e Dadá, este mobilizou a opinião pública para que pusessem fim à exposição bárbara dos restos mortais dos principais

expoentes do ciclo épico do cangaço no século 20. Os aniversários são sempre propícios à reflexão, hoje, sentada a poeira dos eventos épicos dos anos 30, há condições de se enxergar melhor.

A primeira questão diz respeito à exposição indigna dos restos mortais dos cangaceiros por mais de trinta anos. A justificativa científica rapidamente cai por terra à medida que as teorias criminalísticas de Cesare Lombroso começaram a cair por terra após os anos 50. A exposição bárbara das cabeças demonstrou, claramente, ser apenas um ato vingativo dos vencedores, no sentido de mostrarem a todos as suas presas. Não diferente do que se viu no esforcamento-esquartejamento de Tiradentes , nos jogos de futebol com a cabeça dos vencidos perpretados pelo romanos e pelos bárbaros e, mais recentemente, na exposição pela mídia colombiana do corpo ensangüentado do guerrilheiro Raul Reyes. Expõem-se , indignamente, os corpos dos abatidos, como um caçador apõe a cabeça empalhada do tigre,caçado no safári, na sua sala de jantar.

Lampião, com o tempo, foi se travestindo numa figura mitológica: meio herói, meio bandido, meio anjo meio belzebu. Idolatrado por alguns, execrado por tantos outros, tem se mantido nesta dubiedade mítica intimamente imersa na alma do povo brasileiro. Essa presença tão forte talvez advenha da impossibilidade de alguém se manter neutro ao ouvir sua história, ao ver cantados seus feitos. O escultor Zé do Carmo , de Goiana em Pernambuco, intuitivamente percebeu o anverso-reverso da medalha e esculpiu em barro um sem número de cangaceiros alados. Como julgar uma pessoa que pelas vicissitudes da vida viu-se , de repente, jogado na caatinga, lutando por uma causa que ele próprio já ignorava e acossado dia e noite, por quase vinte anos, pelas patrulhas de macacos ? Como sobreviver na selva sem aprender as astúcias da raposa e a selvageria das aves de rapina ?

A saga do Capitão Virgulino Ferreira na sua multiplicidade interpretativa, demonstra uma outra duplicidade de origem. Como em Canudos e no Caldeirão, a nação demonstrou, claramente , as duas arestas de que é composta. Um país que poderia se chamar de Holandesh : de um lado um povo rico, próspero e desfrutando de um paraíso terrestre, uma espécie de Holanda; do outro 80% de uma população que sobrevive de bicos e que não tem garantido o almoço de cada dia, morando numa espécie de Blangadesh. Como lembrou o nosso Machado de Assis e reafirma a cada dia o gênio da raça Ariano Suassuna, há estes dois Brasis um real e outro oficial. De vez em quando, na nossa história, a Holanda busca dizimar , com vergonha, a Blangadesh. Com Lampião foi assim , mais uma vez tentaram cortar a cabeça da serpente, sem entender que se tratava de uma Medusa. Hoje o cangaço deixou a caatinga e está nas ruas, nos morros, nas favelas. Os novos Virgulinos se multiplicaram e respondem pelo nome de Fernandinho Beira-Mar, Lulu da Rocinha, Cecelo,Coelho, Marcelo PQD. A aresta holandesa deste país continua mantendo seu paraíso a custa de escândalos e falcatruas: mensalões, sanguessugas, Satiagahas. Em meio ao tiroteio, padecem culpados e inocentes. Muitas e muitas cabeças ainda serão cortadas e expostas ,Brasil afora, para dar uma sensação de falsa tranqüilidade. Angicos, a queda do Arraial de Canudos, as chacinas da Candelária, do Caldeirão e do Carandiru são medidas inócuas. Enquanto o Brasil carregar a Holanda e Blangadesh tão próximos, o cangaço não terá sido extinto.

A imagem de tantas cabeças sem o corpo terminaram por fazer a cabeça do meninozinho ruivo. E , por isto mesmo, hoje, cinqüenta anos depois , ele aqui está novamente batendo continência para o Capitão Virgulino Ferreira da Silva.

J. Flávio Vieira

O ASNO DE BURIDAN ENCENANDO NA BATATEIRA


Isso ocorreu na batateira. O esforço cultural da prefeitura, naquele ano, resolveu-se após intensos debates e até altas horas das noites sem mais nada para fazer. Afinal a solução: vamos levar o projeto de encenar a Fábula do Asno de Buridan com os alunos da Escola Amélia Pinheiro. Projeto pronto, secretário passou o jamegão nos documentos, o prefeito engavetou por semanas, afinal tinha muitas viagens a Brasília em busca de verbas e finalmente a aprovação. o dinheiro para as fantasias. E o burro? A pergunta mais grave feita ao déficit orçamentário da obra. a fantasia do burro era muito mais cara que toda a verba. Criatividade. Dizia, em alto e bom tom, o prefeito com o olhar turvo e fixo feito um sinal de trânsito vermelho.

Criatividade: pois então. Correram uma rifa de um Ipod descascado, fanho e gago, presenteado por um vereador decepcionado com o amor perdido. Material de terceira categoria e a pobreza da batateira deu seus trocados para financiar o projeto da prefeitura. O apurado quase não cobria a despesa, afinal rifa de pobre quase não paga o objeto rifado. Mesmo assim o financiamento estava completo, restava selecionar o elenco na escola, organizar o palco e platéia e, claro, ensaiar a peça. Aliás roteiro transcrito por dezesseis mãos em rodadas infindáveis de senhas e contra-senhas sobre a fábula. Afinal a peça.

E vinha o asno, manco pois a fantasia fora costurada com encurtamento de um dos lados, queixando-se de fome e sede, reclamando o sofrimento da vida. Quem assistia ao evento até imaginava que o asno teria sido aquele sorteado com o Ipod da geração de fundos. O pobre asno, desolado, sem solução nas possibilidades daquele palco suburbano. Nenhuma alma solidária para ao menos uma mão de milho aplacar-lhe a fome corrosiva. Nem uma caneca de água dormida para descer-lhe de esôfago a baixo, fria e plena de fartura, no vazio que a vida lhe armara. O asno era plenamente o Asno de Buridan. E vem o drama da escolha.

Amarram o asno entre um monte de capim e uma gamela de água turva,. Enquanto representação da fome o artista que o asno tinha em si era plena convicção. Uma representação inigualável no teatro regional e brasileiro. O asno mancava com os passos da falta de líquidos e sólidos. Sonhava com sonhos de valsas, com pães quentes amanteigados, com bifes suculentos sobre um morro de arroz e feijão. Sonhava o asno, que um artista da batateira tinha em suas entranhas, com taças cheias de caldo de cana gelado, com cerveja borbulhando na borda de canecões, canadas de sucos doces e apaziguadores. Por isso mesmo cena mais convincente jamais o teatro tivera notícia igual.

Mas o clímax da peça, aquela cena em que a fábula se realiza na sua totalidade foi um fracasso inigualável. O burro não se angustiava entre o capim e a gamela de água. Nenhuma indecisão de espírito que representasse o livre arbítrio em aplacar, primeiramente, a fome ou a sede. Não havia entusiasmo do artista, vestido de asno, para qualquer das duas opções. Ele se dirigia para o lado do capim, mas não desistia pelo motivo que o confundia em razão da sede na fábula. Na verdade, o artista fugia de alimentar-se de capim. Não desejava a água turva da gamela. Ao invés de uma indecisão pelo que primeiro se resolveria (fome ou sede), se viu a fuga das opções que lhe ofereceram na realidade do palco.

Após o espetáculo, na bodega de João do Tetéu, quiseram entender o fiasco do ator e este se explicou, curto e grosso:

- E capim é comida de gente?…

Anoitece em nossa cidade…

Foto: Pachelly Jamacaru
“Direitos reservados”

Futebol – Por: Amilton Silva

Teve início ontem dia 30, a fase final do campeonato Cearense 2008, na sua segunda divisão com tres jogos.O Tiradentes surpreendeu o Trairiense vencendo-o por 3 X 0, Em Sobral A equipe do Guarany perdeu jogando no junco por 3 X 1 para o Maranguape.O representante caririense o time do Crato jogando em Maracanã, conseguiu um bom resultado ao empatar com o Maracanã em 0 X 0.Com esses resultados a classificação ficou assim:

1º Tiradentes 3 PG
2º Maranguape 3 PG
3º Guarany 3 PG
4º Crato 2 PG
5º Trairiense 2 PG
6º Maracanã 1 PG

O Guarany começou o hexagonal com 3 pontos de bonificação por ter sido a equipe de melhor campanha na fase inicial, o Trairiense com 2Pg ,e o Crato com 1 pg.O próximo jogo do Crato será no domingo dia 3 contra o maracanã, no estádio Mirandão às 16:00h.Espera-se o maior público na competição, ja que, o Crato representa o Cariri.

Por: Amilton Silva – Editor de esportes do Blog do Crato.

Com saída de Gil, Lula "perde seu trovador", diz jornal

Com a saída de Gilberto Gil do Ministério da Cultura, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “perde seu trovador”, afirma uma reportagem do jornal espanhol “El Mundo”.

O artigo da versão online do diário –que também registra brevemente o fato na versão impressa desta quinta-feira– diz que Gil deixa o Ministério com um balanço positivo, ainda que isso o tenha impossibilitado de fazer tantos shows quanto gostaria.

“Gil, de 65 anos e um dos mais emblemáticos representantes da música popular brasileira, disse que pretende deixar que as coisas ocorram com normalidade”, disse o jornal, em artigo intitulado “Lula perde seu trovador”.

Segundo o “El Mundo”, Gil adotou um “claro tom de despedida” ao falar em um evento no Rio de Janeiro, antes mesmo de apresentar sua demissão a Lula.

“Espero que tenha sido importante para o Brasil que um artista tenha desempenhado com relativa facilidade o papel de ministro”, disse o cantor, de acordo com o jornal.

A reportagem ressalta que, durante sua gestão, Gil “incluiu no patrimônio nacional expressões culturais como a capoeira, o frevo, o samba de roda e a pintura corporal dos índios”.
Ao deixar o Executivo federal, o artista apenas realiza um desejo –o de voltar aos palcos– que já vinha alimentando desde o ano passado.

“[O ministro] já havia deixado claro que renunciaria em 2008 devido a que os discursos estavam prejudicando [sua voz]“, escreveu o “El Mundo”.

Fonte: Folha On Line – 31.07.2008

Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção é tombada pelo Iphan

Desde o início de sua construção a Fortaleza
de Nossa Senhora da Assunção passou por
várias obras destinadas à sua conservação e reparação.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan aprovou no dia 15 de julho o tombamento da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, do século XVII, que deu origem e nome à cidade de Fortaleza, no Ceará. O evento aconteceu no dia 15 de julho em Salvador (BA) durante a reunião do Conselho, que é constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e delibera a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio nacional.

O parecer técnico do Iphan incluiu a fortaleza nos três Livros do Tombo: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico e das Belas Artes. A proposta foi uma iniciativa do professor José Liberal de Castro, da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pedido do Comando da 10ª Região Militar. Ele é também integrante do Conselho e o responsável pelos estudos históricos e arquitetônicos que acompanharam o processo de tombamento.

Base da 10ª Região Militar, a fortaleza está localizada ao lado do Passeio Público, monumento já tombado pelo Iphan. A edificação foi erguida numa área onde vários fortes foram construídos desde as primeiras tentativas de colonização e o local deu origem ao primeiro povoado da região, atualmente a capital do Estado.

Atualmente sua estrutura é constituída por pedra, cal e tijolo, e a edificação se encontra em boas condições gerais de construção. As maiores alterações produzidas em seu conjunto foram realizadas após a segunda guerra mundial, quando as instalações passaram por novas adaptações e reformas.

Breve histórico

A partir de 1649 foram construídos vários fortes, que passaram por sucessivos desmoronamentos, no local. Até então conhecido como Forte Schoonemboch (em homenagem ao governador holandês), em 1654 o forte foi tomado pelos portugueses e nomeado Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

Em 1812 começou a ser construída a atual fortaleza, que foi praticamente concluída em 1817. De 1857 a 1860 outras obras foram realizadas, e a edificação passou então à categoria das fortificações de segunda classe.

A velha fortaleza foi desarmada pelo governo da República em 1910 e passou a ser considerada apenas como dependência do quartel ali instalado. No início da primeira guerra mundial seus canhões de bronze e importantes relíquias foram comercializadas e fundidas.

Mais informações:Assessoria de Comunicação – Iphan
Fones: 61 3326 8014 / 3326 6864 e 9972 0050
helenabrandi@iphan.gov.br
carine.almeida@iphan.gov.br
ascom@iphan.gov.br
Fonte: Ascom – http://portal.iphan.gov.br

ANISTIA TARDIA

Com 98 anos de atraso, o governo declarou na quinta-feira 24 que está anistiado o marinheiro João Cândido Felisberto, o famoso “Almirante Negro”, que liderou em 1910 a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro – dois mil marujos insurretos ameaçaram bombardear a cidade exigindo o fim dos castigos corporais nos navios. Na época, o presidente Hermes da Fonseca negociou o fim da revolta com a anistia que nunca foi dada. João Cândido morreu em 1969, aos 89 anos.

Por Tatiana de Mello
Fonte: Revista ISTOÉ N° 2021
http://www.terra.com.br/istoe/

Blog do Crato em Barcelona – España – AQUELE ABRAÇO !

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Saudações, España !!!

Acima: Foto da Igreja da Sagrada Família – Barcelona.

Acima: Foto do Arco do Triunfo – Barcelona – España.

Para Judy e toda a turma do Crato e amigos que moram em Barcelona – España, o meu mais caloroso abraço. Fui contactado pelo amigo Araújo, da Araújo Sat sobre a sua irmã Judy e um grupo de amigos que moram em Barcelona e que diariamente lêem e escutam o Blog do Crato.

Para todos vocês, um grande abraço aqui do Brasil.

Dihelson Mendonça

Fotos do dia: Símbolos do Crato. Praça Francisco Sá e Igreja da Sé.

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Acima: Foto do Cristo Redentor, na praça Francisco Sá ( praça cristo-rei ) em Crato.


Acima: Foto da Igreja da Sé em Crato – CE.
Fotos: Dihelson Mendonça
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