ROBERTO CAMPOS
Mais uma vez, tenho visão oposta a do amigo Armando Rafael no tocante a opinião sobre uma personalidade. Me refiro ao artigo Roberto Campos, o incompreendido, divulgado no Cariricult em 04.01.2009. Com relação ao economista morto, destaco dois aspectos positivos, ambos colhidos em entrevista dada por ele à TV cultura: o “mea culpa” feito em entrevista concedida à tv cultura na qual reconheceu que, ao longo da vida pública, só ter dado importância à Macroeconomia, desprezando a microeconomia que se ocupa das pessoas, famílias e pequenas atividades econômicas. A segunda, a confissão de que tinha mudado sua visão sobre a sociedade. Chegou a estas conclusões, segundo ele próprio, após as campanhas eleitorais quando entrou em contato direto com a população e viu de perto as dificuldades do povo. Se mudou, é porque estava errado. Com efeito, o Sr. Roberto Campos era homem dos grandes negócios, para não dizer negociatas. A mais visível delas foi o Banco União Comercial, criado, presidido e quebrado por ele em 1974. Causou enorme prejuízo ao Brasil, pois o governo assumiu milhões de dólares contraídos por ele no exterior, o Banco Central ficou com a dívida junto aos credores internos e o Banco Itaú ficou com os ativos cobráveis, tornando-se um dos maiores do país. Funcionários aposentados do BC ainda hoje comentam as pressões, perseguições e ameaças que os componentes das comissões de inquéritos foram vítimas para “aliviarem” a responsabilidade do acionista principal, que recorria a suas ligações com altos mandatários da ditadura. O ex-ministro também teve participação em outros “desastres” financeiros, com a mesma estratégia, deixando o “rombo” com a sociedade e tirando o corpo fora.O Sr. Roberto Campos foi seminarista e saiu não por falta de vocação e sim porque os superiores detectaram ausência de virtudes necessárias a um sacerdote. Deixando o seminário, tentou ingressar no serviço público mas não obteve aprovação nos três concursos públicos a que se submeteu.
Graças ao domínio de idiomas que aprendeu no seminário, ingressou no serviço diplomático, sem concurso, e foi servir em posto nos Estados Unidos, onde tentou o título de Doutor em economia sem conseguir aprovação para sua tese.
Por intermédio da amizade com o Sr. Eugênio Gudin, a quem assessorou, foi introduzido no mundo das finanças e chegou ao gabinete do ministro da fazenda, onde de fato ocupou cargos no segundo escalão. Afirmar que foi o criador do BNDES, Banco Central, BNH é exagerado. Participou do grupo de trabalho que criou o BNDES mas não era nem o chefe da equipe. Quanto aos outros dois, como ministro, assinou a Lei que deram vida aos órgãos, como os demais auxiliares de Castelo Branco. O BC se originou de projeto de Lei do Deputado Ulisses Guimarães, apresentado em 1954. O BNH saiu das idéias de Sandra Cavalcante, seu primeiro presidente. O FGTS, por sua vez, saiu também no governo de Castelo Branco, como moeda de troca pelo fim da estabilidade do emprego após 10 anos na empresa e de outros direitos trabalhistas criados por Getúlio Vargas. A propósito, RC foi autor de um dos maiores arrochos que os funcionários e assalariados já sofreram no Brasil, entre os anos de 1964/1966, substituiu a prática de repor as perdas salariais com a inflação por fórmula cruel que levava em conta a inflação futura, projetada por ele sempre abaixo da realidade.
O papel de Roberto Campos durante o governo de João Goulart mostra bem o seu caráter. Nomeado embaixador nos Estados Unidos com a missão de renegociar a dívida e conseguir novas linhas de crédito, não cumpriu a atribuição e aderiu à conspiração golpista, permanecendo no cargo, usufruindo-se das vantagens. Outro com dimensão maior, discordando do Presidente, pediria demissão. O que ele fez tem outro nome: traição.
Além do mais, existem episódios obscuros que jamais fariam parte da biografia de um cidadão exemplar. Um deles a briga com uma garota de programa enganada por ele, que terminou lhe desferindo facadas. Existe pelo menos mais um caso nesta mesma linha, mas que não consegui dados para confirmação. De resto, o liberalismo que ele pregou durante certo tempo, redundou na crise de 2008 e a expectativa é que suplante a de 1929.
Assim, conhecendo a formação de Armando e sabendo do seu gosto pela história, suponho que, para escrever o artigo, consultou apenas resumos do livro de memórias de Roberto Campos. Afinal, livro de memórias é aquele que a pessoa fala bem dele mesmo.
Por : Joaquim Pinheiro

























Caro Joaquim:
Reproduzo abaixo artigo do conhecido economista José Pio Martins, no qual Roberto Campos é apresentado sob outro enfoque.
Cordialmente,
Armando Lopes Rafael
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Dois anos sem Roberto Campos
José Pio Martins – 11/10/2005
Ninguém é insubstituível. Mas há pessoas que, quando morrem, deixam um vazio imenso. Roberto Campos era um desses homens raros e brilhantes. Sua morte, além da perda humana, foi como se uma biblioteca se incendiasse.
Como menino pobre nascido em Mato Grosso, internou-se em colégio de padres, diplomando-se em Filosofia e Teologia. Em 1938, abraçou a carreira diplomática, ingressando no Itamarati, e foi consignado ao Departamento Comercial, pejorativamente tachado de “secos e molhados”. Aos 27 anos, foi enviado a Washington como secretário na embaixada brasileira. Lá, começou a revelar o seu enorme talento como analista, gerador de idéias e formulador de políticas, sempre esgrimindo uma lógica implacável, uma refinada capacidade de argumentação e uma fina ironia. Participou da famosa conferência de Bretton Woods, na qual foram fundados o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. De lá para cá, todos os governos do Brasil se utilizaram dos seus serviços na formulação de soluções e na reforma das instituições.
Roberto Campos fez mestrado em Economia na Universidade George Washington e estudos complementares na Universidade de Columbia, em New York. Como economista talentoso, foi autor de muitos planos e programas de governo. Foi o criador do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE e seu primeiro diretor-gerente, e elaborou o Plano de Metas do governo Juscelino Kubistchek. Como embaixador do Brasil nos EUA, nos governos Jânio Quadros e João Goulart, foi negociador de acordos e interlocutor do Brasil perante o governo Kennedy. O presidente americano costumava dizer que um dos maiores especialistas em economia mundial era o embaixador brasileiro.
Na condição de Ministro do Planejamento do primeiro governo da revolução de 1964, Roberto Campos elaborou e implementou, com Otávio Gouveia de Bulhões, as grandes reformas… a tributária, a trabalhista e a bancária. É de sua lavra a criação do ICM, do FGTS, do Banco Central e a Lei do Sistema Financeiro Nacional. Foi embaixador do Brasil na Inglaterra nos governos Geisel e Figueiredo. Retornou ao Brasil para se eleger, em 1982, senador pelo Mato Grosso e, depois, duas vezes deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele se lamentava de não ter conseguido convencer os militares de duas coisas: quebrar o monopólio da Petrobras, que julgava estúpido por impedir que outras empresas prospectassem petróleo; e implantar um programa de planejamento familiar, que achava necessário para evitar que o crescimento populacional acima do crescimento dos investimentos fizesse do Brasil um país estruturalmente pobre. Era um visionário!
Sua carreira de escritor foi profícua. Publicou mais de 20 livros e escreveu para os maiores jornais e revistas do Brasil. Dono de erudição incomparável e cultura mundial rara, Roberto Campos era respeitado por todos, inclusive por seus adversários. Dele se diziam duas coisas: que tinha a capacidade de ver antes do tempo e que guardava coerência em todas as suas idéias. Foi um defensor ferrenho das liberdades e dos direitos individuais, da democracia política e da livre iniciativa econômica. Era um liberal clássico, que se tornou referência intelectual e guru de uma legião de políticos, pensadores, economistas e empresários. Ele provocava raiva nos seus oponentes. Não só por suas idéias, mas pela terrível capacidade de argumentar, convencer e demolir. Henri Kissinger dizia que “conversar com Roberto Campos é, ao mesmo tempo, um prazer e uma humilhação. Um prazer pelos aforismos brilhantes que produz, e dos quais freqüentemente me aproprio. Humilhação, porque armazena na memória um montão enciclopédico de fatos que eu não teria a paciência de pesquisar”.
Vale registrar uma resposta dada por ele, em entrevista de 1965 como Ministro do Planejamento. “Detesto a promessa fácil do demagogo, que semeia ilusões para ganhar votos, deixando aos outros a colheita dos ressentimentos. Detesto o paternalismo do Estado cartorial, que distribui empregos sem exigir tarefas e, sob o pretexto de dar assistência, agrava a pobreza de todos. Detesto o falso nacionalista que, recusando sacrificar seu conforto, é incapaz de propor fórmulas de mobilização da poupança nacional e rejeita investimentos externos que gerariam empregos e tecnologia, preferindo o aumento da sua renda psíquica ao aumento da renda real do país.”
O professor Roberto Campos se foi em 9 de outubro de 2001 e deixou um vazio de inteligência no debate econômico e político do país. O homem não é insubstituível, porém, temos de reconhecer, humildemente, que certos gênios não têm substitutos à altura… pelo menos não num horizonte previsível.
José Pio Martins é economista, professor e vice-reitor do Centro Universitário Positivo.
pio@unicenp.br
Para os leitores do BLOG DO CRATO que, por qualquer motivo, não acessam, o Blog Cariricult, reproduzo abaixo o artigo de minha autoria
http://cariricult.blogspot.com/2009/01/roberto-campos-o-incompreendido-por.html
que motivou o outro, do amigo Joaquim Arraes Pinheiro Bezerra de Menezes:
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Domingo, 4 de Janeiro de 2009
Roberto Campos, o incompreendido – por Armando Lopes Rafael
“A idéia de “esquerda” e “direita” desgastou-se a tal ponto que hoje só serve para fins obrigatórios, isto é, para acusar de “politicamente incorretos” aqueles que são a favor do que julgamos ‘correto’.” – Roberto Campos.
Há sete anos – no dia 9 de outubro de 2001 – morria Roberto Campos. Diplomata (foi embaixador do Brasil em Washington e Londres) economista, político (foi senador, deputado, ministro) e um dos homens mais inteligentes entre os nascidos neste Brasil.
Menino pobre nascido em Mato Grosso, Roberto Campos foi seminarista, diplomou-se em Filosofia e Teologia, mas, vendo que não tinha vocação religiosa deixou o Seminário. Fez mestrado em Economia na Universidade George Washington e estudos complementares na Universidade de Columbia, em New York. Ingressou em 1938, no Itamaraty onde foi brilhante diplomata de carreira.
A maioria dos jovens brasileiros não o conhece. Nunca ouviu falar nele. Mesmo os mais maduros – incluindo aí os têm formação universitária – desconhecem que foi Roberto Campos quem criou o Banco Central, o BNDES, o FGTS e o Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Como escritor – pertencia à Academia Brasileira de Letras – ele deixou, dentre outras, uma obra, “Lanterna na Popa”, com 1.415 páginas.
Mas, uma virtude nele me chamava a atenção: a de visionário. Anos antes da falência do socialismo na União Soviética e nos regimes da Cortina de Ferro, Roberto Campos já previa o fracasso da economia estatizada e defendia para o Brasil a abertura do mercado, a privatização de muitas estatais deficitárias e superadas em relação às concorrentes da iniciativa privada.
A queda do Muro de Berlim provou – anos mais tarde – que ele tinha razão. Mas, naqueles anos, o “Patrulhamento ideológico”, no Brasil, era ainda mais forte do que hoje. (Patrulhamento Ideológico é o policiamento feito nas redações de jornais, revistas, emissoras de televisão, sites da Internet e universidades públicas contra matérias que venha contestar as idéias da velha esquerda. Esse patrulhamento existia – e ainda existe – em órgãos onde predomina uma maioria que não se conforma com a liberdade de expressão (garantida na nossa Constituição) e assim boicotam matérias de outras pessoas que pensam diferente de idéias preconcebidas e superadas no tempo e no espaço).
Nas décadas 60, 70 – em face do “Patrulhamento Ideológico” – Roberto Campos tornou-se a “opção preferencial” das esquerdas que só o chamavam de “Bob Fields”. Sobre isso ele costumava dizer: “São três as raízes da nossa cultura: a cultura ibérica, que é a cultura do privilégio; a cultura africana, que é a cultura da magia; e a cultura indígena, que é a cultura da indolência. Com esses ingredientes, o desenvolvimento econômico é uma parada…”
Mesmo assim, arrostando incompreensões, Roberto Campos tornou-se o principal ideólogo neoliberal do Brasil.
Sua última aparição pública foi na votação do impeachment do Presidente Collor. Roberto Campos chegou, numa maca de hospital, pois já estava bastante debilitado, atendendo ao pedido do seu amigo pessoal Ulysses Guimarães, que afirmou: – “seu voto será um voto moral. Muitos o acompanharão em respeito a sua coerência”. Roberto Campos depois diria: “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal.”
Pertinho da morte, Roberto Campos escreveu: “O imbecil é aquele que nunca muda. Mudei e aprendi. Muitos dos meus críticos nem mudaram nem aprenderam”.
Prezado Joaquim.
Parabéns por este artigo tão esclarecedor. Que o Bob Fields era um vendilhão da pátria eu já sabia sobejamente. Que ele envolveu-se com mulheres de programa até Rede Globo, sua fiel companheira e promotora da sua falsa imagem do pretenso economista, divulgou. Que ele nunca foi economista, apenas um ex-seminarista enrolão, que estudou com Eugênio Gudin, economista do jornal “O Globo” e defensor da subjugação da nossa economia à matriz americana. Entre as duas versões fico com a sua, mais fidedigna.
Por esses dias eu vi através do grande historiador Armando Rafael, que os fatos considerados “históricos” mesmo aqueles em que estão devidamente documentados, encontram inúmeras interpretações, e as estatísticas completamente contrastantes. O fato pode ser observado por acaso da sua postagem sobre Che Guevara lá no CaririCult. Infelizmente o Armando não nos trouxe aqui os textos que ele postou lá, e teve um opositor “pesado” que foi o Dr. José Flávio, que postou inúmeros outros artigos defendendo Che guevara, enquanto Armando criticava.
Na minha visão de mero espectador, fiquei sem saber em qual versão acreditar, fato que se renova nestas visões acerca do Roberto Campos tratada aqui.
Se eu não me engano, foi Brizola que disse uma vez que uma das mais terríveis pragas desse país se chamava Roberto Campos ( se eu estiver errado que me corrijam ). Mas só para ver como mesmo a verdade escrita pode ter 1001 faces…ganha quem tiver os melhores argumentos…?!
Abraços,
Dihelson Mendonça
Evidentemente que em termos históricos não se há de compará-los. A única semelhança é que serviram ao Governo.
No entanto, mesmo distanciados por quase 200 anos, o que os une umbilicalmente, agora, é a descoberta da assustadora e terrivel “FACE OCULTA”
de ambos.
Primeiramente, através do jornalista Luis Nassif, somos informados de quem era na verdade o nosso ídolo de infância Rui Barbosa: um mau caráter, corrupto de marca maior, falso, traidor, que ficou rico às custas do dinheiro público.
Agora, através do depoimento contundente do cratense Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes, somos cientificados que o badalado economista Roberto Campos era,na verdade: (ABRE ASPAS) “…um homem dos grandes negócios, para não dizer negociatas. A mais visível delas foi o Banco União Comercial, criado, presidido e quebrado por ele em 1974. Causou enorme prejuízo ao Brasil, pois o governo assumiu milhões de dólares contraídos por ele no exterior; o Banco Central ficou com a dívida junto aos credores internos e o Banco Itaú ficou com os ativos cobráveis, tornando-se um dos maiores do país.
O Sr. Roberto Campos foi seminarista e saiu não por falta de vocação e sim porque os superiores detectaram ausência de virtudes necessárias a um sacerdote. Deixando o seminário, tentou ingressar no serviço público, mas NÃO OBTEVE APROVAÇÃO NOS TRÊS CONCURSOS PÚBLICOS A QUE SE SUBMETEU.
Graças ao domínio de idiomas que aprendeu no seminário, INGRESSOU NO SERVIÇO DIPLOMÁTICO, SEM CONCURSO, e foi servir em posto nos Estados Unidos, onde tentou o título de Doutor em economia SEM CONSEGUIR APROVAÇÃO PARA SUA TESE.
Além do mais, existem episódios obscuros que jamais fariam parte da biografia de um cidadão exemplar. Um deles a briga com uma garota de programa enganada por ele, que terminou lhe desferindo facadas.” (FECHA ASPAS)
É o Brasil sendo passado a limpo, aos poucos.
Antes tarde do que nunca, não ???
Que bom !!!
Até que enfim um texto sensato. Parabéns Joaquim.
Muitas vezes eu fico me controlando para não rebater algumas postagens do Armando, por dois motivos: primeiro por não dar a entender que é uma coisa pessoal, o que de fato não é; segundo por receio de perder o comedimento, face aos inúmeros absurdos defendidos por ele. Um deles é defender Roberto Campos.
Desde a sua postagem no Cariricult eu queria dizer isso, mas aqui sinto-me mais à vontade pelo fato da divergência não ser dual:
Defender um bandido desses, que fez fortuna na podridão da ditadura e às custas do sofrimento do povão, que ele tanto desprezou e tratou como lixo, é um insulto à coerência de nossa memória.
Foram tantas as críticas feitas – neste espaço – aos meus modestos escritos – que parece até “idéia fixa”.
Não me surpreendeu, portanto, as últimas…
Por isso, e por outras decepções que tive com pessoas da minha antiga estima e amizade, pensei em não mais fazer postagens, nem comentários, neste espaço.
Reconheço que errei quando, voltando atrás a este propósito, ousei comentar o “artigo-resposta” de Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes.
E fi-lo porque, diferente de alguns “patrulheiros” – que neste espaço encontram hospitaleiro refúgio – o Joaquim não baixa o nível da discussão. Discorda, mas não agride. Tem ética.
Alguns leitores deste espaço (e nem todos são petistas-xiitas-intolerantes) terão percebido que o conceito de “liberdade de expressão” é um pouco diferente para os esquerdistas do que para o resto das pessoas. Para nós, seres humanos normais, “liberdade de expressão” quer dizer, simplesmente, liberdade total para qualquer um expressar o seu ponto de vista, seja ele qual for. Desde que o façamos de forma respeitosa e isenta de injúria.
Eu nunca critiquei ideologia de nenhum colaborador deste blog. Postava meus escritos e limitava-me a defender-me das diatribes dos que não admitem quem pensa de forma diferente.
Sempre procurei agir diferentemente de outros que chegaram até a atingir a reputação dos oponentes.
A reputação alheia é tão sagrada que na Carta de São Judas Tadeu consta textualmente:
“O Arcanjo Miguel, quando entrou em altercação com o demônio, disputando com ele acerca do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra o demônio sentença injuriosa, mas disse somente:
– Reprima-te o Senhor” (Jd. 9)
Ora se até a reputação do demônio é intocável, o que dizer da reputação de pessoas de bem, de cidadãos que se esforçam para agir com retidão, com lealdade e de forma transparente.
Os leitores julguem os “escritores” por seus “escritos”.
O estilo é o homem!
Do que não é capaz de fazer o “patrulhamento ideológico” nas mentes de algumas pessoas.
O patrulhamento ideológico é um sentimento semelhante à xenofobia. É iracundo, irascível, hostil… Não aceita com equilíbrio e serenidade quem ousa pensar diferente. Os “patrulheiros” têm profunda aversão contra pessoas e coisas que possam vir a ser consideradas opositoras de suas idéias. Na prática é um policiamento do pensamento e das idéias chegando às raias de não respeitar a liberdade de expressão garantida por nossa constituição.
Meu querido e sensível Armando Rafael,
Aqui tenho que intervir, porque você alegou novamente e como sempre patrulhamento idológico. De onde olho, não vejo nenhum patrulhamento ideológico. O espaço do Blog do Crato é aberto a todos os tipos de pensamentos.
Quando você escreve defendendo a sua tão preciosa Monarquia, estamos aqui para ler. Quando você escreve sobre os Santos da Igreja, estamos aqui para ler. Quando você literalmente “desce a lenha” no Presidente Lula sem a menor piedade, trazendo recortes de jornais reconhecidamente tendenciosos, estamos aqui para ler.
Então lhe pergunto: Aonde está esse patrulhamento ideológico ? Acho que apenas na sua imaginação, pois aqui é um FÓRUM DE DISCUSSÕES. E eu já te expliquei inúmeras vezes que Fórum de discussões não é LIVRO.
Um livro é uma coisa que você escreve e fica intocado. Ninguém discorda, ninguém concorda e se discorda nao tem como alertar o autor.
Um Fórum de discussões, há probabilidade de muitos não concordarem com as idéias postadas, pode haver discordância. Como você viu pela minha postagem falando sobre a disparidade das opiniões acerca do CHE GUEVARA, que tanto você, quanto o Zé Flávio apresentaram argumentos plausíveis.
Em quase toda discussão recentemente, você argumenta que alguns estão a descer o nível da discussão. Gostaria que me dissesse aonde foi que aqui alguém desceu o nível da discussão, porque aé agora só vi apenas idéias contrárias, mas não ataques à sua pessoa, a pessoa do Armando Rafael que pelo conjunto da sua obra merece toda a consideração, como historiador.
Mas aqui não se julga o Homem. Indiscutivelmente, Armando é um dos imortais do Crato. Julga-se uma idéia. Se uns apoiam Roberto Campos e outros tantos não, que mal isso te faz, amigo ? Porque te sntes tão mal em ter tuas idéias confrontadas ?
Você imagina que na minha vida de internet já tive as minhas idéias confrontadas mais do que apoiadas, mas nunca abandonei discussão e muito menos critiquei o espaço por causa disso.
Quando você ameaça sair do Blog e o critica, alegando patrulhamento ideológico, você está a querer tocar fogo num supermercado apenas porque ele não contém a bala de caramelo que esperou encontrar.
Seja mais flexível e menos sensível. Se você tem certeza da veracidade dos seus fatos, apenas os exponha e deixe os leitores julgarem. Muitos hão de concordar com os argumentos. Agora criticar o Blog de patrulhamento ideológico só por causa de opiniões contrárias é um verdadeiro absurdo!
Abraços,
Dihelson Mendonça
Prezado amigo Armando Rafael
Você é um companheiro que admiro muito, já lhe disse isto várias vezes, embora nossas idéias políticas nunca foram convergentes. Desde adolescente você admirava e defendia a monarquia e era um excelente aluno de história. Assim como disse o Dihelson, não vi nenhum ataque pessoal à sua pessoa, e muitas divergências ocorreram com relação aos textos que você trazia de outros autores. Porém os seus escritos foram sempre bem recebidos. Se você sair do Blog ele (o Blog) e o Crato ficarão empobrecidos e nós órfãos de um grande intelectual que honra o nome do Crato.
O texto/comentário abaixo, de nossa autoria, foi postado aqui no blog há 10 dias atrás (em 28.12.08).
De lá para cá, nada mudou.
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Em nenhum momento, aqui neste nobre espaço, qualquer um dos seus integrantes colocou em dúvida a honra do Armando Rafael; em nenhum momento, alguém sugeriu algo que viesse em desabono à sua conduta moral; em nenhum momento, o “homem” Armando Rafael foi questionado.
E tudo isso por uma razão muito simples, elementar até: TRATA-SE DE UMA FIGURA DE RESPEITO, HONRADA, INATACÁVEL, DE ILIBADA CONDUTA SOCIAL.
Por essa razão, causou-nos espécie e estranhamento sua reação intempestiva em razão de discordâncias em relação a simples preferências literárias.
Macaco velho, viajado, passado na casca-do-alho, o pecado do Armando é esse seu conservadorismo exacerbado, que o faz desgastar-se inutilmente por questões prosaicas; afinal, se ele não gosta do presidente Lula, se tem pavor ao Fidel Castro, se defende com veemência a Veja e seus bandoleiros parajornalistas, se tem a religião católica como a única dona da verdade, por qual razão não deixar espaço para que outros pensem, ajam e se manifestem diferentemente ??? Por qual razão não admitir que um governante que tem a preferência de 93% da população (conceitos ótimo, bom e regular) tem algum mérito, alguma qualidade, algum carisma ??? Só porque o homem é “analfabeto” (não possui formação superior) ??? Por que não pensar duas vezes antes de esbravejar contra os simpáticos à revolução cubana e, insistentemente, referir-se a um tal “paredon”, omitindo ser hoje a ilha de Fidel uma referência nas áreas da saúde e esportiva, por exemplo ??? Por que referir-se de forma depreciativa àqueles que lêem a CartaCapital e Caros Amigos (somos assinante das duas), ao tempo em que não se cansa de tecer loas a uma publicação que, reconhecidamente, pratica o que há de mais abjeto em termos de jornalismo ou o verdadeiro parajornalismo, como a VEJA ???
Enfim, por que não ser mais flexível, maleável, benevolente, arejado, paciente ???
Acorda, Armando !!!
E lembre-se: não admitimos, em hipótese alguma, que uma velha amizade de mais de 40 ano seja sequer “arranhada” por burocráticas questões de cunho político/ideológico.
Pelo menos, daqui prá lá isso jamais acontecerá, ok ???
8:49 AM
Como amigo pessoal do Armando Rafael, eu creio que já tenho o direito de dizer o que irei dizer, de amigo pra amigo:
“Eu acho um absurdo uma pessoa com a envergadura e a inteligência do Armando Rafael ficar se melindrando com tão pouco e tomando as dores sobre coisas que nem a ele eram relacionadas. Velho Armando, meu caro, sugiro que repense com cuidado os teus pensamentos e essas crises depressivas, pois ninguém pode ficar melindrado com coisas só por ter visto opiniões contrárias ao que se pensa. Isso é um absurdo, Armando!”
Abraços,
Dihelson Mendonça
O que eu entendo pela postagem de Armando é que ele quer uma superlicença para despejar suas ideologias sem ser incomodado por ninguém.
Quando alguém “pensa diferente dele” e posta comentários contrários às suas convicções ele taxa de “Patrulhamento ideológico”. Quando os comentários são contundentes ele rebaixa-os ao desnível. Para que as suas idéias prevaleçam ele apela até para a “palavra revelada”, pleiteando para si os serviços advocatícios da autoridade máxima que é Deus.
Armando, qual é mesmo o seu conceito de “Liberdade de Expressão”?
Até que me provem o contrário esse é um espaço democrático para o debate de idéias e é por isso que existe a ferramenta do comentário. Sendo assim, eu não creio que deva escolher as palavras e muito menos pedir desculpas pelos meus comentários, desde que eu não confunda idéias com personalidades.
É como você escreve: o estilo é o homem. O seu é autoritarismo puro!
O que eu entendo pela postagem de Armando é que ele quer uma superlicença para despejar suas ideologias sem ser incomodado por ninguém.
Quando alguém “pensa diferente dele” e posta comentários contrários às suas convicções ele taxa de “Patrulhamento ideológico”. Quando os comentários são contundentes ele rebaixa-os ao desnível. Para que as suas idéias prevaleçam ele apela até para a “palavra revelada”, pleiteando para si os serviços advocatícios da autoridade máxima que é Deus.
Armando, qual é mesmo o seu conceito de “Liberdade de Expressão”?
Até que me provem o contrário esse é um espaço democrático para o debate de idéias e é por isso que existe a ferramenta do comentário. Sendo assim, eu não creio que deva escolher as palavras e muito menos pedir desculpas pelos meus comentários, desde que eu não confunda idéias com personalidades.
É como você escreve: o estilo é o homem. O seu é autoritarismo puro!
Se Roberto Campos não teve importante papel no desenvolvimento do Brasil, qual será que foi a contribuição de Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes???? Contribuiu para a desinformação ao escrever um texto medíocre que, falseando os fatos, pretende transmitir aos leitores uma conclusão, equivocada e permeada de ressentimentos, que só existe na sua cabeça