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De um amigo para outro – Por : Nilo Sérgio Monteiro

Estimado José do Vale,

As referências elogiosas que você me dedicou me envaidecem e certamente provém mais desse coração bondoso que carrega no peito. Fomos contemporâneos de tantas histórias, a mais inesquecível delas é de termos sido colegas da IVª Série Ginasial do glorioso Colégio Diocesano na turma mais eclética e vanguardista que o saudoso Monsenhor Montenegro já topou. Outro dia, José me lembrou em um de seus artigos a saga das paqueras e namoros com as meninas da Praça Siqueira Campos em suas “quilométricas voltas” nos domingos à noite. Lá tudo podia acontecer, ou não! E lembrava: como eu era “amigo” de todas as meninas do Crato e ele estava apaixonado por “alguém”, queria que eu conversasse com ela. Esse “conversar” era a minha arte, hoje o termo seria: “fazer a cabeça”. Socorro Moreira proclama do alto de sua sapiência e extrema capacidade de observação que eu namorei metade das meninas do Crato enquanto a outra metade suspirava! Faz sentido então o apelido que me arrumaram: CD! Esse apelido CD, José lembra, é aquele sujeito doce, mas é um adjetivo qualificativo que de cara ao menos avisado leitor soaria pejorativo. Mas não era! Infelizmente é uma palavra aqui impublicável, mas o caro leitor neste momento já sabe o significado e estará certamente dando uma risadinha. Mas esse apelido adveio da minha natural facilidade de comunicação, especialmente com o sexo oposto. Além do mais, estava em todas as rodas e circulava em todos os grupos. Era convidado pra tudo que é festa, reuniões e eventos. Imaginem que até a Madre Siebra e a Irmã Maria de Fátima me abriam os portões daquela “maravilha” que era o Colégio Santa Teresa, das inesquecíveis e míticas internas. Tudo que era festa a Madre me chamava para organizar. Fora o Padre Confessor, os mestres de obras e peões, homem nenhum pisava lá dentro! Ah! Que maravilha, com minha cara de “santo do pau oco” namorei logo de saída com duas irmãs pernambucanas, não namorei a terceira porque não deu tempo! E para completar o meu “instrumental” não é que o Padre José Honor de Brito (saudades) me chamou um dia e disse-me: Nilo Sérgio, você foi ótimo aluno de Latim e Grego no Seminário, deve escrever bem. De agora em diante você está nomeado o Cronista Social do Jornal. Pronto! Juntou a fome com a vontade de comer! Recordo-me que criei uma coluna denominada: “curtinhas”! Alguém lembra? As socialites do Cariri me cercavam e era um tititi infernal. Na redação tive a honra da conviver e aprender com a amizade dos insuperáveis jornalistas e radialistas: Antonio Vicelmo e Humberto Cabral. E por ai fui indo. Bom mesmo era a chegada das famosas “excursões” com garotas de outras cidades do Cariri para hospedar-se no Colégio. Meu caro José você lembra? Era uma loucura! Choviam os muitos outros galãs da cidade. E naquela rua ficavam pra cima e pra baixo. Ou encostados na casa do nego Zé Ribeiro. E os “pés de valsa” hem? Esses tinham seu momento de glória e a facilidade de passar a famosa cantada. Quem não dançava bem era um suplicio hem José? José carrega ainda hoje, suponho um sorriso franco, enigmático até. Mas jovial e encantador. Sujeito inteligente, arguto, um amigo que eu gostava demais da conta. Mas tinha um defeito: era tímido que só vendo no trato com o sexo oposto. Bom. Só sei que nessa história de leva e trás recados, ajeita namoros, faz as pazes, não me lembro se meu desempenho de “cupido” deu certo para o amigo. Espero que sim! Só sei que sua paixão deu namoro, amor e casamento que descreveu com a maestria de sempre no artigo ao qual me referi no início. Sim José, nós vivemos uma contemporaneidade inesquecível e continuamos a combater um bom combate! Até o nosso encontro que aguardo ansioso. Deus e N. S. da Penha nos guarde até lá.

Por: Nilo Sérgio Monteiro

2 de Respostas para “De um amigo para outro – Por : Nilo Sérgio Monteiro”

  1. Carlos Eduardo Esmeraldo disse:

    Alô Nilo
    Valeu pela memória de um Crato que não existe mais, a não ser nas nossas lembranças. Você nasceu com um dom que poucos têem. Saber se comunicar,não somente com as mulheres, mas com todas as pessoas. Parabéns!

  2. José do Vale Pinheiro Feitosa disse:

    Nilo: com atraso. Nem sei se lerás este comentário. Mas o texto é bem o que lembro do que és. Não errei na lembrança, este rapaz continua um sedutor de primeira. Mas tem um detalhe que precisa esclarecer. Não tomemos os sedutores por apenas um instrumento meio para atingir objetivos. O Nilo é sedutor como respira, convece porque assim o é. Aguardo instruções para o encontro de nossas faces vincadas e dos cabelos ralos.

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