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Marolas – Por: Claude Bloc

Foto por Claude Bloc
.
Onde eu morava havia um açude
em que minha teimosia mergulhava
nas tardes de estio.
Ali também, o sol deslumbrado
brincava infiltrando-se
nas turvas águas de minha incerteza.
Eu era apenas uma menina
cheia de esperanças
e sonhos.
Ficava quieta, concentrada
sozinha,
entre aquela fartura de silêncios
que abrigava meu espetáculo vital.
Tocava o vento
e a marola encrespada
da superfície do espelho
Refletia-me…
Escutava o desabrochar da tarde
esvaziando-se de luz
escondendo o destino
nas vestes insalubres das águas.

Espumas ancoravam nas margens
festejando a noite que vinha
…e um manto de estrelas
faiscava no sereno
à última luz do dia.

A brisa chegava
inconsequente
faceira
e
passeava por sobre o silêncio
escondendo segredos
segredando incertezas
o vento na proa dos sonhos
soprando-me a nuca
emprestando saudades
aos meus desejos.

***
Por: Claude Bloc

1 Resposta para “Marolas – Por: Claude Bloc”

  1. Socorro Moreira disse:

    Claude,
    Pessoas especiais como você, transforam qualquer momento , qualquer paisagem , num caminho de encontros .

    Linda poesia !

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