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Arquivo para ‘março, 2009’

CRIME AMBIENTAL – Operação fecha 30 mineradoras de pedra cariri – Por: Antonio Vicelmo

CRIME AMBIENTAL

A exploração da pedra cariri nos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri é a base da economia na região, gerando emprego e renda para trabalhadores rurais (Foto: Cid Barbosa ). Após prazo de 90 dias, órgãos ambientais mandam fechar mineradoras por falta de regularização do setor.

Crato. Trinta mineradoras fechadas e multadas e quase 500 trabalhadores desempregados. Este foi o resultado de uma operação realizada, no fim de semana, nos municípios de Nova Olinda e Santana do Cariri pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), Polícia Federal e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A operação, comandada por uma equipe do Ibama que veio de Fortaleza, deu continuidade à ação do Ministério Público Federal que, em dezembro, estabeleceu um prazo de 90 dias para as empresas que atuam sem licenciamento, causando prejuízos ao meio ambiente, regularizassem a situação, junto aos órgãos responsáveis pelo controle da atividade, o que não ocorreu com a maioria das mineradoras da região. A fiscalização tem continuidade com a presença de três técnicos do DNPM que permanecem na região fazendo um levantamento da situação. No final dos trabalhos, será elaborado relatório conclusivo, com todos os órgãos envolvidos na operação que deve terminar ainda esta semana. O fechamento das mineradoras se restringe a autuação. “No entanto, se algumas delas funcionarem sem autorização, a multa será duplicada e o maquinário será apreendido”, adverte o ambientalista Campelo Bezerra, do DNPM. O presidente da Cooperativa dos Produtores de Pedra Cariri de Santana do Cariri e Nova Olinda, Idemar Alencar, o único a regularizar a situação, advertiu que não tem outra alternativa. “Ou cumpre a legislação, ou fecha. Não adianta recorrer à Justiça, é perda de tempo”, admite. Idemar acrescenta que é impossível cumprir o prazo estabelecido pela Justiça. “A burocracia é grande demais. Além disso, os mineradores estão descapitalizados, sem recursos até para pagar as multas que variam de R$ 1.500,00 a R$ 7 mil, de acordo com o tamanho da área explorada”, lamenta.

Pedido de liminar

O minerador Raimundo José Alencar Bráulio, de Santana do Cariri, amanheceu o dia ontem no escritório do DNPM do Crato, à procura de orientação. Disse que vai entrar com um pedido de liminar na Justiça comum, solicitando autorização para a reativação das mineradoras fechadas. Foi orientado que o caminho jurídico competente para julgamento é a Justiça Federal. A região do Cariri cearense se apresenta como um importante pólo mineral, no que tange a sua rica reserva de calcário laminado que, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral, possui cerca de 97 milhões de metros cúbicos, equivalentes a 241 milhões de toneladas, e abrange principalmente os municípios de Santana do Cariri e Nova Olinda. A Constituição Federal não deixa dúvidas quanto às particularidades da mineração, ao estabelecer em seu Artigo 17: “As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra”. Desta forma, está assegurado que o subsolo é propriedade inconteste da União. O direito da exploração das substâncias minerais, segundo o geólogo Artur Andrade, chefe do escritório regional do DNPM, está submetido ao duplo licenciamento, à concessão federal referente aos aspectos da exploração da lavra (licenciamento mineral) e à licença ambiental estadual no que tange ao controle e proteção do meio ambiente. O setor deve se adequar às exigências legais, para pleno funcionamento.

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

Produtores enfrentam burocracia para regularização

Crato. O primeiro passo para as empresas mineradoras regularizarem a situação junto aos órgãos ambientais é entrar com um processo junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para ser analisado. Posteriormente, será liberado um alvará de pesquisa, que tem de 2 a 3 anos de validade, enquanto é feito o relatório final. As explicações são dadas pelo geólogo do Departamento, Arthur Andrade. Em seguida, segundo esclarece, deve ser feita uma vistoria, análise de campo que inclui quantidade do bem mineral a ser utilizado e pesquisa de mercado. Finalmente uma portaria de lavra deverá ser expedida, para autorizar a retirada legal das substâncias minerais. Mas o processo de regularização, que os mineradores chamam de burocracia, não termina com a portaria de lavra. Ainda é necessária a documentação dos órgãos do meio ambiente, tanto federal quando estadual. A cadeia produtiva da pedra cariri, que vai da lavra ao beneficiamento (esquadrejamento), acarreta uma perda de material em torno de 50%. Estes rejeitos são jogados ao lado das mineradoras o que, segundo os ambientalistas, está poluindo os mananciais de água. Parte desse material é aproveitado pela Indústria de Cimento “Ibacip”, de Barbalha. Ainda não existe um estudo conclusivo para o aproveitamento o restante.

Base da economia

A atividade de produção da pedra cariri se constitui na economia básica dos municípios de Nova Olinda e Santana. A utilização desses calcários é feita sob a forma de lajes e utilizadas principalmente em pisos, enquanto que o calcário cristalino dos municípios de Altaneira e Farias Brito são utilizados mais na indústria de cal. Nesta época do ano, de acordo com dados da cooperativa do setor, o impacto do desemprego não é muito grande porque a maioria dos trabalhadores está cuidando de suas roças. A produção da pedra cariri em Nova Olinda e Santana do Cariri é de 80 mil toneladas por ano, sendo a principal atividade da economia dos dois municípios, a cargo de 80 microempresas, das quais apenas 15% utilizam máquinas cortadeiras de placas. Já em Farias Brito e Altaneira, a extração do calcário cristalino constitui uma das principais fontes de renda. Predomina o artesanato na produção, sem emprego de tecnologia mecanizada. O presidente da Associação dos Produtores de Calcário, Lajes e Rochas Ornamentais de Nova Olinda (Asprolarno), Francisco Jackson Nuvens de Alencar, assinala que a lavra utiliza poucas máquinas e, no beneficiamento, apenas são usadas máquinas para esquadrejamento das placas. “Falta inovação tecnológica”, disse Jackson Nuvens. O setor gera cerca de dois mil empregos diretos em Santana do Cariri e Nova Olinda. O objetivo dos produtores, segundo ele, é dobrar a produção e iniciar as exportações, ao incorporar máquinas à atividade para atingir a calibragem de corte com as espessuras de 1 a 1,5 centímetro, exigidas pelo mercado externo. O rejeito da produção somente é aproveitado pela indústria de cimento. Por enquanto, ainda não há alternativas de um aproveitamento desses rejeitos de forma ambientalmente aceitável. Este é um dos pontos que faz da exploração um entrave para plena regularização do setor.

PRODUÇÃO

80 mil toneladas por ano é a quantidade de pedra cariri produzida por 80 mciroempresas em Nova Olinda e Santana do Cariri. Destas, apenas 15% utilizam máquinas cortadeiras.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:

Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM)
Escritório no Crato
Praça da Sé, S/N, Centro
(88) 3521.1619

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Doctor Zhivago – Por A. Morais

Para José do Vale e estes outros jovens que já passaram o limites dos 50 anos. Voltem ao tempo. Sintam-se no Cine Moderno, Educadora, Cassino. Cheguem até a Sorveteria do Bantim, tomem um sorvete de mangaba com graviola e em seguida durmam em paz e sonhem com o Crato da saudade.

Por A. Morais

Proposta de Pachelly Jamacaru divulgada no Blog do Crato é encaminhada à Assembléia Legislativa do Estado

Mais um serviço de utilidade pública do Blog do Crato:

Ontem, o nosso colega Pachelly Jamacaru apresentou foto-reportagem aqui no Blog do Crato sobre a dificuldade que as pessoas enfrentam para conseguir uma carteira de habilitação no Detran do Cariri. Sensível às fotos e às reivindicações, o Deputado Estadual Ely Aguiar ( foto ) estará dando entrada hoje, terça-feira de um requerimento junto à Assembléia Legislativa do Estado do Ceará solicitando ao Governador CID Gomes a instalação de uma comissão permanente de habilitação do DETRAN no Cariri. Que essa luta se torne uma bandeira do Deputado Ely Aguiar e do Povo do Cariri. E passemos a acompanhar de perto esse processo que é de benefício de todos. O Blog do Crato parabeniza o Pachelly Jamacaru pela reportagem e pela denúncia e o Dep. Ely Aguiar pela atenção em tentar solucionar esse problema, que é grave!

Esse foi o comunicado que recebi do Dep. Ely Aguiar:

“Camarada Dihelson, acatando sugestão do conterrâneo Pachelly Jamacaru, estou dando entrada hoje, terça feira, de um requerimento na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, solicitando ao governador Cid Gomes, a instalação de uma comissão permanente de habilitação do Detran, na região do Cariri. A matéria deverá ser votada na 6a. feira, e vamos lutar pela sua aprovação. Essa situação registrada no Blog do Crato é comum em outras cidades de médio porte, o que é uma vergonha, sobre o assunto eu já me pronunciei na Tribuna. Acho uma falta de respeito um órgão arrecadador, como o Detran, perdendo apenas em arrecadação para a Secretaria da Fazenda, tratar as pessoas sem o devido respeito. Esse meu requerimento será discutido na sessão de 6a. feira. Vamos ver quem é quem…

Atenciosamente, Ely Aguiar.”

Por: Ely Aguiar – Deputado Estadual

Notícias da URCA – 31 de Março de 2009

Aniversário de 22 anos da URCA será comemorado hoje, no Salão de Atos da Instituição

Será realizado hoje, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (URCA), a partir das 19 horas, solenidade de comemoração dos 22 anos da Universidade. O evento contará com a presença do Reitor, Professor Plácido Cidade Nuvens, e da Vice-Reitora, Professora Otonite Cortez, que convidam o corpo técnico-administrativo da Instituição, Professores, alunos e servidores a se fazerem presentes nesta importante solenidade comemorativa. Na ocasião, serão apresentados resultados e avaliação dos projetos desenvolvidos pela atual administração da URCA. Também será feita entrega simbólica dos novos computadores recém-chegados à Universidade. Os equipamentos de informática serão destinados aos diversos departamentos da Instituição, no intuito de promover a modernização dos setores da URCA. São 195 computadores, noteboks e impressoras. Um trabalho foi desenvolvido por meio do Centro de Processamento de Dados da URCA e Pró-reitoria de Desenvolvimento Universitário, no sentido de destinar os computadores aos setores prioritários.

Primeira dissertação do Mestrado de Bioprospecção Molecular da URCA defendida na manhã de ontem

A primeira dissertação de Mestrado do Programa de Bioprospecção Molecular da Universidade Regional do Cariri (URCA), foi defendida na manhã de ontem, no Salão de Atos da URCA, pelo professor da Instituição, do Curso de Enfermagem, Glauberto da Silva Quirino. Com o título “Atividade Cicatrizante e Gastroprotetora de Carvocar Coriaceum Wittm”, a sua tese utilizou como ponto de partida a ação cicatrizante do popular óleo do pequi. Durante a apresentação para a banca composta de três avaliadores, Glauberto Quirino fez demonstrações dos primeiros testes realizados com ratos no laboratório da própria universidade. A idéia é que mais adiante os testes possam ser feitos em seres humanos. Ele também já apresentou sua pesquisa, mesmo antes da defesa, no Congresso da Federação Brasileira de Biologia Experimental e como trabalho precursor durante congresso em João Pessoa, na Paraíba. Segundo Glauberto, foi feita uma avaliação da propriedade de gastroproteção, com o óleo ou polpa, em modelo de úlcera induzida por etanol e aspirina. Para o pesquisador, os primeiros resultados foram bem positivos. “A gente estendeu esses trabalhos, testando quatro mecanismos de gastroproteção, incluindo prostraglandina, óxido nítrico e canal de potássio dependente”, explica ele. Para desenvolver a pesquisa, Glauberto afirma que o seu trabalho partiu do conhecimento já da própria população e com esse dado fez um levantamento bibliográfico. Destaca estudos já realizados quanto a composição química do produto. A do óleo é bem definida com a presença de vários ácidos graxos, essenciais ao funcionamento orgânico, vitaminas A, E, C . “São vitaminas que participam do processo anti-oxidação, renovando as células”, explica. No caso de aumento de colesterol, Glauberto destaca que pode ser improvável, já que os ácidos graxos são benéficos ao funcionamento do organismo. Vale salientar que o Mestrado de Bioprospecção Molecular da URCA é o único do Brasil no gênero e vem contribuir de forma determinante para o desenvolvimeno de importantes pesquisas na região.

Contato:
Assessoria de Comunicação
Universidade Regional do Cariri – URCA
(88) 3102-1212 ramal 2617
www.urca.br Elizangela Santos (88) 9915.3450
Crato, 31 de março de 2009.

31-03-2009
Vigilância Sanitária do Crato inspeciona comércio e escolas

O setor de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Crato está realizando desde ontem visitas as escolas particulares do município. O intuito dessas visitas é analisar como andam as cantinas das escolas e as instituições como um todo. De acordo com Assilon Freitas, coordenador da Vigilância Sanitária todas as escolas do Crato passarão por essa vistoria: as particulares, as estaduais e as municipais. É importante salientar que também estão sendo feitas visitas no comércio local onde os técnicos averiguam as condições de funcionamento em relação à higiene e conservação dos alimentos. As visitas são monitoradas pela bioquímica Anita Brito e pela tecnóloga em alimentos Jussara Cruz.

Prefeito diz que inicia melhorias das ruas até o final de abril

Até o final do mês de abril, será iniciada em Crato uma grande operação para melhoria das ruas da cidade, principalmente aquelas afetadas pelo inverno e que passaram por recuperações, por parte da Sociedade Anônima de Água e Esgoto do Crato (SAAEC). A informação é do próprio prefeito do Crato, Samuel Araripe, ao salientar os poucos recursos disponíveis para realização dos serviços, mas ao mesmo tempo a sua preocupação em proporcionar o bem-estar dos munícipes além da segurança nas principais vias de tráfego da cidade. Dentro do projeto de asfaltamento de ruas da cidade, foram recuperadas e receberam nova camada asfáltica mais de 90 ruas do município, incluindo ruas do centro da cidade e bairros. A meta de se chegar a 114 ruas vem sendo perseguida pelo prefeito. Ele disse que lutará para que mais ruas passem por melhorias, e vem lutando pela liberação dos recursos para conclusão desse projeto, que se configura como um dos maiores programas de asfaltamento da história do Crato.

Plantio Direto começa a ser implantado pela Secretaria de Agricultura em áreas experimentais do Crato

Está em fase de implementação na zona rural do Crato o sistema de Plantio Direto de Milho. A informação é da Secretaria de Agricultura, que pretende ampliar o cultivo através da técnica. O objetivo é reduzir o uso de máquinas que provocam impacto direto sobre o solo, com a aração e gradagem. Segundo a assessora da secretaria, a engenheira Agrícola Ana Lúcia Monteiro de Sousa, a intenção é inserir o Plantio Direto a longo prazo. Os plantios experimentais serão implantados inicialmente em 3 localidades do Município. O projeto começa pela Bela Vista, Assentamento Malhada e no Monte Alverne. São dois hectares em cada uma das áreas, incluindo localidades com a presença de assentados, agricultura familiar e produtor de grande porte. Com isso, irá atender todos os segmentos de agricultores. Ela destaca as vantagens do Plantio Direto, que mantém a cobertura do solo com palhado, preparando-o antes do início das chuvas, mantendo também a umidade. Com essa técnica, a engenheira destaca várias vantagens, principalmente a diminuição de evaporação e um aumento no teor de matéria orgânica. Mesmo com a aplicação de produtos químicos no início do plantio, principalmente do desenvolvimento da técnica como dissecante e desfolhante, ela afirma que isso diminui a incidência de plantas daninhas e destaca não haver comprovação científica de que a forma de cultivo seja prejudicial ao solo.

Fonte:
PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO
Assessoria de Imprensa
Contato : (88) 35217069
e-mail cratoimprensa@gmail.com

Artistas e estudantes se mobilizam para criação do CUCA no Cariri

No Cariri será criado o Centro (Circuito) Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes – CUCA da UNE, na verdade os CUCA´s tratam-se de coletivo de artistas e estudantes universitários que discutem e promovem ações que tem como intuito viabilizar a troca de experiência das manifestações artísticas e culturais desenvolvidas dentro e fora das universidades. Outro aspecto importante é o intercâmbio e a circulação nacional da produção de cada CUCA. O Instituto Cuca atualmente é Pontão de Cultura do Programa Cultura Viva do Minc. O Instituto também mantém o PIA – Programa de Interferência Ambiental, o qual funciona como rede-coletivo de intervenções urbanas, do qual o Coletivo Camaradas, tendo inclusive participando da 6º Bienal da UNE, no início deste ano em Salvador-BA. Na Região do Cariri, a UNE vem mantendo contatos com artistas e estudantes desde 2008 para criação de um CUCA, tendo inclusive mantido contatos com a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Regional do Cariri. Na oportunidade, a Pró-reitoria de Extensão, Arlene Pessoa se prontificou para ajudar na instalação do CUCA, tendo inclusive discutido a possibilidade de criação de um cine-clube, no Parque de Exposições aonde funciona o estande da URCA. Nesta próxima sexta-feira, dia 03 de abril, a partir das 9h00, na Sala de Vídeo da Universidade Regional do Cariri será realizada uma reunião para discutir os rumos do CUCA na Região. A Comissão Pró-Criação do CUCA enfatiza que a reunião é aberta para artistas, grupos de reisados, companhias de dança e de teatro, coletivos, poetas, cineastas e estudantes das universidades e faculdades públicas e privadas da região do Cariri.

Serviço:
Instituto Cuca da UNE
Blog: www.cucadaune.blogspot.com

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TEMA DE LARA – por José do Vale Pinheiro Feitosa

O sino da estação de trens em Crato badalou a última chamada. Um tranco metálico moveu-nos sobre trilhos. Lentamente abandonando, em primeiro lugar, as pessoas, em seguida o calçadão da estação, as ruelas no entorno da rua do gesso, atravessando a última via da cidade e avançando sobre o canavial em rumo de Juazeiro do Norte. Assim uma era se encerrava, uma fenda ao infinito se abria, com a irresponsabilidade da juventude, sabendo-se superado, no limite entre o medo e a excitação do perigo.

Não era poesia. Era vida e tinha a certeza que outro mundo mais temperado e justo seria possível. A vontade transformadora da consciência política seguia pelos trilhos como um panfleto revolucionário. Carregava minha bagagem de responsabilidades presumidas em face deste país pobre e desigual. Iria buscar a universidade e nela me fortalecer em vontade e conteúdo transformador. Os contemporâneos, os mais velhos e aqueles ainda crianças, poderiam ter certeza que seria um igual em força, dedicação e luta.

Já na capital e uma música estourou nos ouvidos românticos da época. O filme Dr. Jivago se beneficiava com a pré-estréia do sucesso musical de sua trilha em todas as rádios, especialmente o Tema de Lara. Enternecido pela música, a leveza de lentamente navegar no salão dos clubes com elas de par. De ouvir as vozes femininas cantarolando o tema de um modo que nem Maurice Jarre consegue com toda a potência de sua orquestra. Maurice Jarre conseguia, pois nesta segunda já é fisicamente passado.

Mas a denúncia do velho reacionário Boris Pasternak, agora transformada numa super produção de Hollywood, a mesma da era da guerra do Vietnam, do governo Nixon, atingia os sonhos da revolução. Aquilo era um discurso na contramão da juventude que logo a seguir iria sofrer os efeitos do Decreto Lei 477 e do AI5. Sem contar o enorme efeito da Invasão da Checoslováquia na primavera de Praga. Entre o tema de Lara e a necessidade de superar o atraso social, político e econômico, nossos corações aprenderam as grandes questões da insustentável natureza dos dogmas.

Aprendemos aos trancos, barrancos e por vezes lentamente, sempre tendo o humano como o horizonte último da nossa intenção política. Quando o Tema de Lara toca, os sons de um rock pauleira estão no mundo em igual permanência e datados como dizem os jornalistas. Eis que as normas se pautam por evidências de tempo, quanto mais o mundo é científico e técnico. Mais se diz que as circunstâncias em que isso ou aquilo é válido, depende de até quando outros parâmetros de conjuntura existirem, pois uma vez estes superados, já não é possível afirmar tal verdade.

Hoje na estação de Crato já não param mais trens. Nenhum trilho leva pessoas através dos sertões entre o interior profundo e arcaico e a juventude moderna da borda do litoral. O Tema de Lara só é relembrado na morte de Maurice Jarre, além de que o velho reacionário autor do livro retornou à Rússia como quase um monarquista se desfazendo em saudades do Czarismo. E também cessou de respirar.

Hoje na estação Finlândia que poderia ser a Central Station, ou a Penn Station, outro tema, que não sei qual, deve incomodar os sonhos frustrados dos Yuppes de Wall Street. E neste mundo, como o reverso daquela era na estação de Crato, novamente a consciência humana se torna para si, além e muito além dos dogmas e do entusiasmo de que se imaginava o fim da história.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

PASSARIM DE ASSARÉ, O Filme – Por: Luiz Carlos Salatiel

LUIZ CARLOS SALATIEL e PATATIVA DO ASSARÉ

A manhã de outubro era de sol aceso e céu sem nuvem no cariri cearense. O carro não agüentou o tranco e parou no meio daquela estrada de chão rachado, de barro e pedregulhos que nos levaria pra Serra de Santana, alguns quilômetros depois de Assaré que havíamos deixado prá trás. Foi demais praquele corcelzinho branco ano 72 que arrumamos pra enfrentar a nossa produção cinematográfica amadora. Rosemberg e Serginho aproveitaram a parada pra fazer umas fotos do ambiente árido da caatinga (mandacarus em flor, alguns calangos, uns preás, um gavião branco, uma carcaça de boi, e por ai vai) enquanto Bola e Zé Roberto pelejavam pra descobrir a razão do “prego”. Eu também fiz umas fotos de umas crianças e de um cachorro que nos observavam curiosos sem entender aquele desmantelo. Nada nos tirava do sério naquela bendita semana porque estávamos finalmente – depois de alguns meses de trabalho com muitas idas e vindas de Fortaleza para o Crato e Assaré – tendo a oportunidade de concluir um documentário sobre a vida de um poeta genial e filósofo sertanejo que a nossa geração aprendera a admirar: Patativa do Assaré. O filme já fora batizado como “Passarim do Assaré”, um media-metragem que numa bitola super-8 era a nossa experiência possível de fazer cinema na época. A cada dia de nossa convivência com Patativa a gente se sentia mais animado pelo encantamento que nos causava seu carisma e sua extensa e nobre obra poética. Depois de uma meia hora, Bola deu o veredicto sobre o carro: – A bobina esquentou! Em seguida, comandou: Vai Zé (Roberto), faz uma rodilha de tua camisa e traga ela molhada pra gente resfriar a bobina. Zé era o assistente de produção e contra- regra (faz tudo) do filme e, mesmo a contragosto, não podia contrariar a ordem. Deu certo! Alguns minutos depois retomamos o caminho que nos levaria ao sítio na Serra de Santana pra vivenciar por três dias com Patativa, Dona Belinha (esposa), família e todo aquele ambiente rural de grande beleza, simplicidade, alegria e de completa inspiração praquele menestrel do sertão. Saímos da estrada principal, entramos em sítios, abrimos e fechamos muitas porteiras e cancelas até avistarmos a casa do poeta que se assentava sob um calçadão alto cimentado e um teto de palhas e telhas. A pintura nova de cal amarelado pelo barro vermelho que escorrera do teto no inverno passado, não escondia o reboco na parede torta de taipa. Estacionamos o carro sob a sombra da copa de um tamarineiro frondoso e lá descarregamos nosso equipamento: um tripé bem pesado, uma câmera Cannon super-8, duas folhas de isopor para o rebatimento de luz, uma câmera fotográfica Pentax-35mm com tele-zoom, muitas caixinhas de filme virgens e uma indescritível euforia pelo momento que compartilhávamos. Estávamos ainda no descarrego de mochilas e equipamentos quando no contra luz do sol, alguns metros a nossa frente, desponta a monumental figura do poeta camponês, de enxada no ombro, bornal, cabaça na cintura, caxingando pelo caminho que o levava e trazia da roça. Foi uma correria louca pra registrar aquela imagem. Ao mesmo tempo, todos percebemos a beleza e naturalidade daquele momento e nos aperreamos querendo transformá-la em cena do filme…, mas ficamos tão agitados a ponto de a câmera não aceitar o rolinho da película. Tivemos que só contemplar o momento e memorizá-lo. Patativa se aproximou e com um inefável sorriso foi logo nos dando um carão: – O café esfriou, mas o almoço já ta quente! É que a gente tinha prometido chegar bem cedo no sítio, o que não aconteceu. Contamos a estória da pane no carro e nos desculpamos. Depois de um dedo de prosa debaixo do tamarineiro, o poeta nos convidou pra entrar e ocupamos um quarto dos dois que tinha a casa. Era uma casa muito simples e agradável, com muitos armadores pra redes no salão de entrada que também abrigava a colheita da roça (milho, feijão, andu, jerimum, etc.). Dona Belinha, a esposa, nos recebeu com igual delicadeza e de mesa posta para o almoço de galinha caipira ao molho pardo, feijão de corda com toucinho, farofa de pão de milho, macarrão com muito colorau passado na manteiga da terra e doce de leite ou mamão com coco de sobremesa. Uma mesa farta e generosa como a alma do sertanejo! Sem perder tempo já começamos o registro de imagens desses momentos da vida em família do poeta. Dona Belinha – esposa venerada por Patativa em prosa e verso- era todo o tempo silenciosa, mas, naquele silêncio, passava pra gente o quanto se dedicava e tinha admiração pelo esposo. Nos três dias que ficamos neste convívio aprendemos a admirá-la e criamos uma afeição especial por ela, mulher, mãe zelosa, avó e, acima de tudo, companheira exemplar do tipo que está sempre ao lado do marido “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…” Foi no café da manhã de um desses dias que comi pela primeira vez uma tapioca misturada com amendoim torrado feita pela Dona Belinha. Uma tapioca com gosto de poesia! Depois do almoço, armamos rede no salão e, como todo sertanejo que se preza, puxamos um leve ronco até as duas da tarde quando uma dupla de cantadores bateu a porta da casa pra homenagear o Patativa e dividir com ele algumas prosas e cantorias. Desarmamos as redes numa ligeireza danada e montamos um “set” no calçadão de lado da casa onde a luz do sol imprimia belas imagens e, naquela tarde inesquecível, gravamos cantorias dos repentistas/violeiros, depoimentos e declamações do poeta até quando a luz nos permitiu. Chegou a noite. Depois de um café forte com pão de milho, leite de vaca fervido, ovos estrelados e queijo de coalho, ficamos de conversa fiada e camaradagem com muitos compadres e comadres do Poeta e de D. Belinha até umas horas. Todos se mostravam curiosos a respeito do filme e queriam saber se o filme ia passar na televisão, na Globo, etc. A gente até admitia, meio sonhador, que “um dia” o filme poderia passar no cinema e na televisão de um Brasil com liberdade de expressão, o que não era o caso daqueles tempos de exceção que vivíamos no final dos anos 70.
No dia seguinte, cedinho, madrugada ainda, acompanhamos Patativa na sua lida de roceiro, uma vida de homem simples que da terra tirava o sustento e também a inspiração pra sua lira nordestina. Depois, gravamos cenas em outros ambientes familiares, sua vida compartilhada com outros camponeses e poetas e a sua empatia e clareza na compreensão da natureza, dos bichos e das plantas e dos homens em comunhão com Deus.
Durante a realização do filme, Patativa nunca reclamou da nossa direção e parecia adivinhar que aquele registro cinematográfico seria o primeiro de muitos que viriam pela frente e que, de outra maneira seu discurso social seria amplificado e se irradiaria mundo a fora e o elevaria a condição de mito.
Somente no terceiro dia é que conseguimos gravar a imagem majestosa do luminar poeta a caminho da roça no contra luz do sol.

A EQUIPE DESTA VIAGEM:
Rosemberg Cariry – roteiro e direção
Jacksom (Bola) Bantim: Câmera 1, motorista e Assistente de produção
Zé Roberto França : Assistente de Produção e contra-regra
Serginho Pereira: still (fotografia de cenas)
Luiz Carlos Salatiel: Assistente de direção, produção executiva, câmera 2 e
still.

NOTAS:

-As imagens originais desta realização constam do filme Ave Poesia- Patativa do Assaré, documentário realizado por Rosemberg Cariry, em cartaz nos cinemas do país;
-A foto que ilustra a matéria é de Sérgio Pereira, e foi clicada durante a realização do filme “Passarim do Assaré”.

Por: Luiz Carlos Salatiel

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