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Uma Chuva no Crato

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Na nossa região os primeiros sinais do quadro invernoso são dados a partir dos meses de novembro e dezembro. Sabiamente a natureza manda esse aviso através de muitos seres que habitam a terra. Em suas moradias, os insetos são os primeiros a entrarem em regime de urgência. Eles armazenam alimentos, se preparam para o acasalamento e cantam anunciando a boa nova que em breve virá. Com relação ao bicho homem, a coisa é mais complicada: os profetas do inverno tiram suas conclusões baseando-se nos comportamentos da natureza. Já os cientistas, munidos de uma vasta parafernália eletrônica, mapeiam o céu dizendo o dia e a hora que poderá chover em determinado lugar. Quando essas previsões humanas dão erradas, entra em cena o apelo a São José, ou a “Santo” Equinócio (Ponto da órbita da Terra em que se registra igual duração do dia e da noite, o que sucede nos dias 21 de março e 23 de setembro)! E haja promessas, cantorias e rezas dos homens para que esses bombeiros do céu nos socorram abrindo as torneiras das nuvens.
Ao desprender-se, a chuva faz as alegrias das criações de Deus. E coaxa o sapo, e canta o grilo, e cresce a planta e esfria o tempo e umedece o ar. Já o bicho homem fica dividido: uma parte agradece pelas benesses que a partir daí hão de vir. Já a outra, que chama a hora da chuva de “Mau tempo”, se incomoda até com o desfiguramento que os respingos poderão causar em seus penteados ou vestuários.
Nesse período, parte da imprensa, ignorando o lado bom das precipitações invernosas, tem sempre a mesma notícia e visão erradas e unilaterais em relação aos efeitos causados pelas chuvas. Na busca de audiência, disparam, com sensacionalismo, as seguintes manchetes em seus jornais:- “As chuvas dos últimos dias desabrigaram e causaram mortes nas populações do centro, ribeiras e dos morros da cidade!”;
- “As chuvas castigaram alagando as plantações e destruindo a malha viária!”;
- “As chuvas tornaram um caos o trânsito no centro da cidade!”;
- “As chuvas causaram danos na rede elétrica da cidade!” etc.

Até onde conseguimos entender, as chuvas, mesmo as torrenciais, não são destruidoras, muito menos assassinas. Elas são, desde a criação do mundo, um fenômeno natural abençoado por Deus que se precipita sobre a terra para que todos tenham vida! Basta entendermos que, assim como nosso corpo, que precisa desse prodígio para se reidratar e não morrer, a natureza também se vale desse argumento líquido para se recompor.

Se por problema sócio-econômico, se por incompetência dos nossos administradores, se por questões de burrice invadimos os leitos dos rios, as encostas e os altos dos morros, para fazermos nossas edificações, e com isso acabamos morrendo ou tendo prejuízos materiais incalculáveis, isso não é, em absoluto, culpa das águas das chuvas! Elas, a exemplo das lavas dos vulcões, só querem de volta seus leitos naturais para fluírem harmoniosamente em seus cursos.
Miremo-nos, portanto, na inteligência e sociabilidade dos demais seres vivos que habitam o planeta terra. Todos estes, sabendo da força de uma enxurrada, constroem suas moradias bem distantes dos leitos das águas. Eles também não produzem lixo, não destroem seus ecos-sistema, não fazem politicagem, não desafiam a natureza e não têm, em suas constituições, a geneticidade da ganância.
Eu, particularmente, aproveito a chuvarada para ouvi-la caindo no telhado, para tomar banho nas biqueiras da casa, para ouvir os roncos dos trovões e para apreciar beleza fugaz dos raios. Aproveito mais: para apreciar os borbotões dos rios, para tomar um cafezinho bem quente, para aconchegar-me com a minha amada e, por fim, para, em nome da vida, para agradecer a Deus por essa dádiva suprema que é a água!
Roberto Jamacaru de Aquino

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