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Governo Lula: 90% de aprovação em Juazeiro do Norte

Esta notícia vai alegrar a turma do PL&S ( petistas, lulistas & simpatizantes): o governo do presidente Lula obteve 90% (noventa por cento) de aprovação em Juazeiro do Norte (vista na foto parcial acima, focando o bairro Lagoa Seca e ajacências).
A informação está no blog: http://www.juanorte.com.br/ (favor conferir)
Os números obtidos pelo Presidente Lula praticamente se igualam aos votos da ARENA (para os mais novos: Aliança Renovadora Nacional, partido de sustentação do regime militar) que, na década 70 – sob o comando do ex-governador Adauto Bezerra – chegava a obter 92% da votação nas eleições em Juazeiro do Norte.
Segundo dados do IBGE, Juazeiro do Norte tem uma população estimada em 245 mil habitantes; com taxa de analfabetismo da população (15 anos ou mais) de 24,9% e Taxa de mortalidade materna de 27,7%. Mais da metade da população vive na pobreza.
Já para a ONU, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Ceará, tem as melhores posições nos municípios abaixo:
1º – Fortaleza
2º – Maracanau
3º – Caucaia
4º – Pacatuba
5º – Crato
6º – Juazeiro do Norte

HISTÓRIA – Ainda sobre a história da Mãe do Belo Amor


Alguns leitores do Blog do Crato telefonaram dizendo que eu esqueci de incluir a história da imagem da Mãe do Belo Amor na postagem final sobre o Geopark Araripe. Na verdade, não esqueci. É que, anteriormente, tinha escrito algo sobre esta importante imagem do imaginário e da história religiosa do Cariri. Por isso, posto novamente o artigo .

Foto de Jackson Bantim

A Mãe do Belo Amor
Armando Lopes Rafael

A história da imagem venerada em Crato


A imagem da Mãe do Belo Amor, pequena escultura de madeira, medindo cerca de 40 centímetros, é venerada, desde os primórdios da Missão do Miranda – origem da cidade de Crato – que data do segundo quartel do século XVIII. Esta estátua sempre foi aureolada por muitos fatos pitorescos e lendários. Monsenhor Rubens Gondim Lóssio, escrevendo sobre esta representação da Virgem Maria, em trabalho publicado na revista Itaytera, afirmou: “Herdada dos ancestrais indígenas, existia uma pequena imagem da assim chamada Nossa Senhora do Belo Amor, de todos venerada”.

Não nos foi possível apurar as razões que levaram Monsenhor Rubens a concluir que a imagenzinha da Mãe do Belo Amor fora herdada dos indígenas, primeiros habitantes do Vale do Cariri. Entretanto, no artigo já citado, ele menciona um fato que merece transcrição. Na segunda metade do século XX, um conhecido e respeitado ancião cratense, o Sr. José da Silva Pereira, secretário do Apostolado da Oração de Crato, escreveu ao então vigário da Catedral, Monsenhor Francisco de Assis Feitosa, um documento, do qual extraímos o texto a seguir transcrito:
Há na nossa Catedral três imagens que representam nossa padroeira, Nossa Senhora da Penha. O que vou narrar nestas linhas se refere somente à primeira, que é a menor das 3, esculpida em madeira, como as duas últimas. Trata-se de uma bela imagem que honra a arte antiga e a habilidade de quem a preparou. Segundo dizem os antigos, ela tem para mais de duzentos anos, mas nada deixa a desejar às que se fazem atualmente. Pertencendo ao número das imagens aparecidas, ela tem também a sua lenda bastante retocada de suave poesia. Conta-se que fora encontrada em poder dos índios (sem dúvida os Cariris), passando às mãos de pessoa civilizada. Aqui toma vulto a lenda que gira em torno do seu nome, pois afirmava que, repetidas vezes, ela voltara ao cimo de pedra onde os indígenas a veneravam. Este fato miraculoso deu lugar à fundação da Capela, onde hoje é a nossa Catedral, naquele mesmo sítio, tão profundamente respeitado. Quanto à idade que lhe atribuem, provam-na os documentos referentes à fundação da povoação, hoje transformada nesta importante Cidade de Crato. Para mais corroborar o misticismo que a tradição empresta à nossa querida santa, ocorre que esta desapareceu de nossa igreja há mais de cinqüenta anos, voltando agora aos seus penates, onde está sendo venerada por grande numero de fiéis. Os antigos deram-lhe o nome de “Belo Amor”, o que prova a piedade filial dos nossos antepassados. Respeitemos o passado, sua história, suas tradições e suas lendas, que nos falam sempre daqueles que abriram caminho a nossa vida. (LÓSSIO, 1961: 47).

Quanto ao desaparecimento da imagem da “Mãe do Belo Amor”, mencionado acima, o historiador Irineu Pinheiro esclareceu o episódio:

Lá alguns anos, desapareceu (a imagem da Mãe do Belo Amor), mas, a 29 de abril de 1951, restituiu-a ao culto o velho sacristão Zacarias Luís Arnaud, que a retirara da Igreja, durante os anos de reconstrução, e a guardara em casa, carinhosamente. Acolheu-a o povo com entusiasmo e devoção, a beijar-lhe os pés, a rogar-lhe felicidades. Vimo-la na Sé de Crato, de madeira, de uns dois palmos de altura, de olhos azuis, segurando com o braço e a mão direita o Menino Deus, de olhos também azuis, a agarrar com as duas mãos a gola do casaco de Nossa Senhora, puxando-a para si”. (PINHEIRO, 1955: 22).

Não existem documentos sobre a origem da imagem da Mãe do Belo Amor. Também não se sabe, ao certo, se essa pequena escultura já se encontrava no Sul do Ceará, antes de 1740, ano da chegada de Frei Carlos Maria de Ferrara, para catequizar os índios Cariris, quando fundou a Missão do Miranda, embrião da cidade de Crato. Ressalte-se que, antes da chegada do frade, já tinha o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não possuísse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável, o que só veio a se formar após 1740. Daí ser possível que a imagem da Mãe do Belo Amor já se encontrasse no Vale do Cariri, antes da vinda do fundador de Crato. Presume-se, pois, que até 1745 esta pequena imagem foi venerada na humilde capela de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos, isto é, até a chegada da segunda imagem que seria venerada como Padroeira de Crato.

Fontes de consulta para o artigo acima:

LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961.

PINHEIRO, Irineu. Cidade do Crato. Ministério da Educação e Cultura. Rio de Janeiro, 1955.

HISTÓRIA – Santa Margarida Maria Alacoque: relíquias chegam a Crato

A diocese de Crato recepcionará, logo mais às 17:00h, na Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, ora percorrendo as dioceses brasileiras em peregrinação. Essas relíquias, compostas de um ossário que contém vários fragmentos de ossos e uma parte do tecido cerebral, conservam-se incorruptas há mais de 300 anos.
A peregrinação que vem percorrendo diversos países partiu da França, onde Jesus apareceu à Santa, no século XVII. Conforme Dom Fernando Panico, bispo de Crato, “O objetivo da peregrinação das relíquias da santa é despertar no povo essa devoção e preparar o Brasil para ser consagrado ao Coração de Jesus”. No Cariri, segundo Dom Fernando, essa devoção já está bem arraigada e faz parte da cultura católica nos 32 municípios que formam a diocese de Crato, todos possuidores da associação de fiéis do Apostolado da Oração.
Para o Cura da Sé Catedral, Padre Edmilson Neves, “As peregrinações contribuem para fazer conhecer a mensagem do Coração de Jesus no mundo, que é uma mensagem de paz, amor e reconciliação, além de reavivar a fé dos cristãos no profundo Amor do Divino Coração pela humanidade”.

Quem foi a Santa

Santa Margaria Maria Alacoque era francesa, nasceu
em 1647 e acreditava que sua missão era dar impulso à devoção ao Sagrado Coração. Ela morreu no dia 17 de outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi beatificada no dia 18 de setembro de 1864 e canonizada no dia 13 de maio de 1920.

Palavras sábias

Trecho de uma das leituras da Missa de hoje, delebrada na Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, de Crato:

Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão

Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão.

Muito tempo não dura a verdade, nestas margens estreitas demais.

Deus criou o infinito para a vida ser sempre mais.

Algumas considerações sobre o Geopark Araripe (final)

GEOPARK: encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)
A tradição oral do Cariri
Existe na cidade de Nova Olinda uma ONG denominada Fundação Casa Grande-Memorial Homem-Cariri. Criada em 1992, a partir da restauração da Casa Grande da Fazenda Tapera, que foi construída em 1717 no lugar da aldeia dos índios Cariús-Cariris – onde hoje está Nova Olinda – esta ONG faz um trabalho de preservação das lendas e mitos que contam a história do Homem-Cariri. A Fundação Casa Grande tornou-se uma escola de gestão cultural que tem como missão educar crianças e jovens através dos programas de Memória, Comunicação, Artes e Turismo. Ela divulga fatos guardados e transmitidos oralmente, através dos tempos, pelas populações nativas. São narrações onde se misturam fatos reais e históricos, formando acontecimentos enriquecidos pela fantasia. Essas lendas procuram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.

Os mitos, segundo o diretor da Fundação Casa Grande, Alembergue Quindins, são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Persiste, no imaginário das camadas mais simples da população caririense, o que acontecia com os povos da antigüidade. Aqueles não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de definições científicas. Por isso criavam mitos, com o objetivo de dar sentido às coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos, defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturavam com fatos da realidade, para dar sentido à vida e ao mundo.
O Cariri é pródigo dessas narrativas, conservadas no imaginário de sua gente. Abaixo falaremos de duas tradições caririenses: uma imaginária (A Pedra da Batateira), outra real (A imagem da Mãe do Belo Amor), ambas entrelaçadas, constituindo-se, ao mesmo tempo, imaginárias e reais.

A lenda da Pedra da Batateira
Rosemberg Cariri (*)

“A Mãe do Belo Amor”, foto de Jackson Bantim

((*) Cineasta. O texto acima foi extraído do livro “Eu Sou a Mãe do Belo Amor”, do Padre Antônio Vieira, publicado pela IOCE, Imprensa Oficial do Ceará. Fortaleza, 1988.)

Não é grande a distância que vai da lenda à História, do mito à realidade. Ambos se mesclam na confluência dos mesmos fatos e circunstâncias, apenas com as variantes definidoras da rotas trilhadas. O mito completa a História, e esta explicita aquele.
Lendo os originais do livro do Padre Antônio Vieira, “Eu Sou a Mãe do Belo Amor”, acudiu-me à lembrança as estórias ouvidas, ainda na infância, sobre a lenda da Pedra da Batateira, e mais tarde se me aguçou a curiosidade de realizar pesquisas para aprofundamento da temática, por ser, sem dúvida, de alta relevância histórica e sociológica.
Através de muitas crônicas históricas, sabe-se que os índios da chamada, Nação Cariri (Kariri ou Quiriri), os primitivos habitantes do Vale do Cariri e dos sertões nordestinos, do Rio São Francisco à Serra da Borborema, segundo versão de Capistrano de Abreu, provieram de “um lago encantado”, provavelmente do Amazonas ou Tocantins, sendo expulsos dessa região como do litoral pelos Tupinambás e Tupiniquins.
Como se vê, a água era predominante na cultura desses silvícolas. Era tradição serem de uma bravura e ferocidade estupenda, e como símbolo e troféu dos seus feitos épicos e homéricos, se ornamentavam com dentes de tubarão, jacaré e onça.
Os colonizadores, na sua gana predatória de domínio dos campos de criação de gado, tentaram eliminá-los nas chamadas “guerras justas”, cujos embates se alongaram de 1683 a 1713, nos cruentos e desumanos combates, conhecidos historicamente como “Confederação dos Cariris” ou a “Guerra dos Bárbaros”. E os conquistadores só conseguiram dominá-los e massacrá-los, graças ao esforço ponderável dos bandeirantes paulistas, em gente, armas e municiamento. Foi uma guerra de extermínio, autêntico genocídio, como se costumava realizar à revelia da lei e dos princípios éticos e humanitários, nas novas terras descobertas.
Os remanescentes da tribo dos índios Cariris, alocados no Vale Caririense, trouxeram codificada, na sua sensibilidade, intuição e memória, a evocação da imensa Bacia Amazônica, das suas enchentes devastadoras, e não foi difícil à sua fértil imaginação idealizar que todo o Vale Caririense fosse um mar subterrâneo, com imenso caudal represado pela Pedra da Batateira; e precisamente onde hoje está situada a Matriz de Crato fosse a cama da baleia ou “Iara”, a Mãe das Águas, e que, um dia, a Pedra da Batateira rolaria, e todo o Vale Caririense seria inundado, e ninguém conseguiria sobreviver.
Os primeiros missionários que catequizaram os índios Cariris, no primeiro quartel do século XVIII, deixaram como lembrança uma imagem de Nossa Senhora, esculpida em madeira, com 40 centímetros de altura, tendo o Menino Jesus nos braços, a quem deram o nome de “Mãe do Belo Amor”, para atenuar os temores fatídicos da lenda e substituir os maus presságios da “Mãe das Águas” pela proteção carinhosa e afetiva da “Mãe do Belo Amor”. E a imagem foi colocada exatamente sobre uma pedra do Rio Granjeiro, debaixo de um nicho de palha. Quando da instalação da Paróquia, mais tarde, a imagem passou a ser venerada com a invocação de Nossa Senhora da Penha, por duas circunstâncias históricas: o fato de ela ter sido colocada sobre uma rocha, e de que os capuchinhos que construíram a capela de palha, onde se encontra a Igreja-Catedral, eram de origem francesa, donde a singularidade da denominação de “Nossa Senhora da Penha de França”.
Outra versão lendária é a de que os índios vencidos, em lutas anteriores, haviam “encantado” (tampado) a grande nascente da Chapada do Araripe com a Pedra da Batateira, e que as águas acumuladas, no subsolo, acolhiam uma serpente sagrada, que faria deslocar a pedra, e todo o Vale do Cariri seria inundado, e que os índios Cariris voltariam a ser uma nação livre, senhores do mar, viveriam na paz e tranqüilidade de um Paraíso.
A lenda ultrapassou as fronteiras do Cariri, e o cineasta Hermano Penna sustenta a tese de que Antônio Conselheiro, quando se separou de Joana Imaginária, vagava pelos sertões cearenses, tendo trabalhado nos engenhos de rapadura do Cariri, onde certamente colheu os elementos lendários da Pedra da Batateira. Tempos depois, o Conselheiro, seguido pelo grupo de camponeses espoliados dos latifúndios, pregava em pleno sertão adusto da Bahia “que o sertão ia virar mar”. E a profecia se cumpriu. Canudos hoje está coberto pelas águas, e a barragem de Sobradinho e Itaparica cobriram meio mundo.
Fato curioso é que os índios Cariris de Mirandela e Saco do Morcego, catequizados pelos capuchinhos, contribuíram com 300 caboclos flecheiros na defesa da cidadela do Império do Belo-Monte: Canudos.
O mito ainda hoje persiste na memória e imaginação do povo, mesclando-se com outras variantes, de tal forma que muita gente adventícia da Paraíba e Pernambuco, de descendência dos índios Cariris, residente em Juazeiro, recusa-se a morar em Crato, temendo a vingança da Pedra da Batateira.
Padre Cícero Romão Batista, filho de Crato, certamente, na infância, deve ter guardado estórias ouvidas que o induziram a desenvolver, mais tarde, como sacerdote, o culto a Nossa Senhora com a invocação de Mãe das Dores.
Por isso é que o poeta João Cristo-Rei, com ares de profeta, anuncia que, quando se sucederem esses fatos lendários:

“Juazeiro fica trancado e seguro
Cercado de muro sem contradição,
Seu grande mistério se estende e cresce
E nisto aparece o Rio Jordão”

Sempre a força mítica da lenda das águas. E este novo tempo, preconizado pelo poeta, tem a mesma visão do profeta Isaías “com uma nova era de mel e fartura, quando pedra será pão, e o mundo viverá do Belo Amor entre os homens”.
É certo o que diz a sabedoria multissecular da gente simples: “Deus fala pela boca do povo”.
Pesquisas científicas atestam, que há milhões de anos, todo o Ceará, que é murado pelos contrafortes das serras, já foi mar, e um cataclismo telúrico determinou a depressão geológica de que temos o documento sedimentário dos fósseis encontrados no sopé da Chapada do Araripe, e as marcas da erosão nas rochas graníticas e faldas das montanhas, ao embate das ondas revoltas do mar.
Podemos concluir parafraseando Shakespeare: “O povo sabe muito mais do que a nossa vã filosofia”.

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(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).

Crise econômica


Petróleo sofre sua nona queda consecutiva em Nova York
O barril do Brent negociado em Londres caiu a 36,20 dólares, seu menor valor desde 13 de julho de 2004

Os preços do petróleo caíram novamente nesta quarta-feira em Nova York, pela nona sessão consecutiva, acentuando as perdas no final do pregão na véspera do Natal, após o anúncio de um aumento dos estoques de gasolina e derivados nos Estados Unidos. No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do West Texas Intermediate (“light sweet crude”) para entrega em fevereiro fechou a 35,35 dólares, em queda de 3,63 dólares em relação à terça-feira.

O barril do Brent negociado em Londres caiu a 36,20 dólares, seu menor valor desde 13 de julho de 2004. “O mercado continuará pressionando os preços para baixo até que algo concreto o detenha, como uma escassez física de petróleo”, estimou Ellis Eckland, analista independente. Os preços do petróleo abriram em clara baixa e mantiveram esta tendência ao longo da sessão, mas a queda foi acentuada no final, apesar da certa estabilidade nas reservas semanais nos Estados Unidos, segundo Eckland.

Os estoques de gasolina subiram em 3,3 milhões de barris, a 207,3 mb, superando a alta esperada de um milhão de barris. As reservas de produtos destilados (diesel e combustível de calefação) aumentaram em 1,8 milhão de barris, alcançando 135,3 mb, quando os analistas previam a estabilidade.

Já as reservas de petróleo caíram em 3,1 milhões de barris, a 318,2 mb, na semana concluída em 19 de dezembro, o que surpreendeu os analistas, que previam uma alta de 200 mil barris. Mas os números do consumo das últimas quatro semanas revelam uma queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano passado, confirmando a queda livre na demanda. O consumo de gasolina caiu 2,7% e o de produtos destilados, 5,1%.

Algumas considerações sobre o Geopark Araripe (2ª Parte)

GEOPARK:
encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri
por Armando Lopes Rafael (*)

As romarias ao Padre Cícero (um santo não-oficial da Igreja Católica), feitas por populações sertanejas que acorrem, em certas datas do ano, a Juazeiro do Norte são outro forte componente da cultura regional. (Na foto ao lado a Procissão da Romaria das Candeias) Essas romarias começaram a acontecer no final do século XIX, por conta da fama de santidade e de “milagreiro” atribuída ao Padre Cícero. Ao longo do seu processo evolutivo, elas incorporaram e conservam até hoje alguns rituais, praticados nas três fases da peregrinação: a viagem, a chegada e o retorno do romeiro. O principal componente é de caráter religioso: participação nas missas e procissões; confissão dos pecados e a comunhão reparadora; visita aos lugares considerados sagrados pelo romeiro– Capela de N.Sra. do Perpétuo Socorro (onde está sepultado o Padre Cícero), Santuário da Mãe das Dores, igrejas de São Francisco e do Sagrado Coração de Jesus. Também é considerado um local sagrado pelos romeiros a colina do Horto (onde ficam a grande estátua do Padre Cícero e a pedra do “Santo Sepulcro”), visita obrigatória aos que vêm renovar sua fé na cidade-santuário.
Por outro lado, o sagrado convive com o profano. Os romeiros executam uma coreografia, não ensaiada, com chapéus de palha na cabeça e rosários no pescoço. Soltam fogos. Assistem ás exibições das rabecas na Dança de São Gonçalo. Compram, no comércio e nas feiras ao ar livre, imagens de santos, peças artesanais, remédios fitoterápicos e produtos alimentícios, típicos do Cariri, como a rapadura e a “batida” (ambas subprodutos da cana-de-açúcar), doces de buriti, dentre outros.
Como bem definiu o escritor Gilmar de Carvalho: Diante de tanta fé e de tanta festa, que diferença faz que ele (Padre Cícero) seja ou não santo oficial? Poderá haver maior homenagem do que essa canonização espontânea, essa devoção que cresce, cada vez mais, essa cidade que transborda alegria, bodejando salmos, esperando sinais, na atualização desse momento maior que é epifânico, encontro do homem com o divino?

A URCA, ao longo dos seus 20 anos de existência, não se manteve estanque ou isolada das comunidades localizadas no território da sua atuação. A Universidade sempre procurou compartilhar com a sociedade os conhecimentos produzidos na Academia. Para tanto, promoveu simpósios, seminários e palestras. Firmou convênios e realizou pesquisas. E até mesmo quando seu Conselho Universitário outorgou a alguma personalidade o título de Professor Honoris Causa, fê-lo sempre em reconhecimento à contribuição que o homenageado deu para o conhecimento e divulgação do homem e do meio nordestino.
No caso específico do Geopark Nacional do Araripe, uma das preocupações da URCA tem sido o resgate da herança e o redescobrimento do elemento nativo, oriundo da etnia Cariri. Sabe-se que a contribuição indígena foi – e continua sendo – importantíssima para a variegada composição das ricas manifestações populares da região.

O homem da Chapada do Araripe (foto abaixo à direita ) é vinculado umbilicalmente a sua terra, semelhante a uma árvore, cujas raízes sugam do chão os nutrientes para viver.
É obrigação de a Universidade divulgar essa profunda ligação homem-terra, o que, aliás, já vem sendo feito. Urge difundir os saberes e fazeres do Homem-Cariri. Aprender seu conhecimento sobre a flora, o processo da escolha da melhor fibra para a produção de peças artesanais – como a peneira e a urupema – e conhecer o barro utilizado para produzir o melhor pote.

Resgatar as atividades das Casas de Farinha, locais onde os operários entoam canções plangentes, em meio ao trabalho das “raspadeiras” e dos “puxadores” de roda. Outras atividades do homem caririense estão a merecer esse resgate, como o vaqueiro da Chapada, os cortadores da pedra laminada de calcário, os produtores do carvão da serra…

Ritos, mitos e lendas
Na história primeva do Vale do Cariri, ganhou destaque uma cachoeira – localizada no município de Missão Velha – que era apresentada como um lugar misterioso e sagrado para os primeiros habitantes do Vale: os índios Cariris. Estes, naquele aprazível sítio, interagiam com a natureza. Na cachoeira existe a Pedra da Glória, donde, ainda hoje, a voz humana é projetada com sons metálicos. Dizem que essa pedra era o local escolhido pelos silvícolas para suas cerimônias místicas.
O imaginário popular conservou muitas lendas, a partir da Cachoeira de Missão Velha (foto abaixo à direita) Falava-se na existência de passagens subterrâneas que, partindo do local, levariam a castelos encantados, cheios de tesouros. Traços da cultura da Península Ibérica? Na realidade, um contraste com o estado de penúria de parte da população que vivia e vive marginalizada do exercício da cidadania. Nos dias atuais, esta Cachoeira virou local para encontros dos adeptos do Candomblé, religião introduzida no Brasil pelos escravos negros, e que vem crescendo, ultimamente, até nas pequenas cidades do interior brasileiro. Esta outra realidade do presente, da qual o Cariri não pode fugir.

Quem sabe, vem daí esta interação – que perdura até os dias de hoje – entre o Homem-Cariri e a terra que lhe serve de habitat. Dotada de belas paisagens – emolduradas pela Serra do Araripe – a Região do Cariri é muito mais do que um vale fértil, privilegiado de águas abundantes, onde predomina o verde das matas e dos canaviais. Aqui foi plasmada uma cultura sui generis, formada por duas correntes. A primeira é remanescente das manifestações culturais dos índios Cariris. A segunda, que se fundiu com a primeira, teve origem na Península Ibérica e foi trazida pelo colonizador branco. Desta última conservamos as festas do Pau da Bandeira, que abrem as novenas dos padroeiros das cidades do Cariri. Uma coisa uniu essas duas correntes: a simbiose com a terra, que influenciou e modificou os costumes importados.
(continua)

(*) Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).

Algumas considerações sobre o Geopark Araripe (1ª parte)

Dedicado ao Prof. André Herzog,
implantador do Geopark Araripe
GEOPARK:
encontro da ciência com os ritos, mitos e lendas do Homem-Cariri

por Armando Lopes Rafael (*)

Poucas regiões do Brasil têm, como o Cariri, uma natureza tão pródiga, uma história tão rica e uma cultura popular tão diversificada. Festas, folguedos, ritos, mitos, lendas, narrativas orais, artesanatos, mestres brincantes e de ofício, santuários e sítios sagrados, marcos históricos e conjuntos arquitetônicos, sítios naturais e redutos ecológicos, tradições culinárias, passeios e belas paisagens, feiras e mercados, enfim, um número infinito de possibilidades e atrações a serem exploradas. Junte-se a isto uma vida intelectual e acadêmica em pleno crescimento, com sólidas instituições públicas, universidades, artistas, escritores e um plantel de profissionais técnicos e liberais da melhor qualidade”. (Oswald Barroso)

Resgatar o passado, reinventar o presente

Incentivar as mudanças tecnológicas e, simultaneamente, investigar e preservar as tradições populares, eis o desafio da Universidade Regional do Cariri. O Geopark Nacional do Araripe, que a URCA planejou, insere-se neste desafio. A sua concepção não contempla apenas o desenvolvimento auto-sustentável da Chapada do Araripe. Vai mais além. Inclui a manutenção do potencial ecológico, geológico, histórico e das tradições de uma região considerada das mais ricas do Brasil, no que diz respeito à cultura popular.
Apesar do processo de modernização por que vem passando a sociedade do Cariri, insuflado pelos ventos da globalização que atinge todos os setores da vida, as tradições populares do Sul do Ceará, e seu entorno, não desapareceram no modo de ser e de viver dos seus habitantes. O povo, de forma inconsciente, vem atendendo ao apelo da UNESCO, no sentido da preservação do patrimônio imaterial, este, infelizmente, muitas vezes, relegado em relação à evolução tecnológica. Nossas tradições continuam presentes no cotidiano dessas populações, num processo em transformação, é verdade, mas ainda latentes. Exemplos dessas presenças são as xilogravuras e as poesias narrativas, populares, impressas, mais conhecidas como Literatura de Cordel. Ambas constituem-se em forte componente das tradições populares do Cariri.
Um dos grandes divulgadores da xilogravura e da Literatura de Cordel, no passado, foi Tipografia e Editora Lira Nordestina, localizada em Juazeiro do Norte, que exerceu influente papel de comunicação, tanto no meio citadino como no rural, de vasta área nordestina. Lamentavelmente, ao longo dos últimos anos, a Lira Nordestina foi perdendo sua importância para outros modernos meios de comunicação. A Universidade Regional do Cariri tomou a si a tarefa de revitalizar essa tipografia, resgatando-a como o maior pólo difusor de literatura popular de folhetos de cordel e xilogravura do Brasil. A Lira Nordestina, fundada em 1926, estava praticamente abandonada, quando foi incorporada à URCA. Após o retorno do acervo, dos equipamentos e dos artesãos da Lira e dentro da sua política de valorizar a cultura popular, a Universidade Regional do Cariri reinstalou a Tipografia-Gráfica no Campus do Pirajá, em Juazeiro do Norte. Em seguida, procurou ajuda financeira da Caixa Econômica para reativá-la. Depois de conseguir este apoio financeiro, através de concorrência pública, nacional, a Lira Nordestina foi selecionada, recentemente, pelo Ministério da Cultura, como um dos “Pontos de Cultura do Brasil”.

No Vale do Cariri, a tradição popular mantém-se também através da dança e da música. As bandas cabaçais, herança da musicalidade dos índios Cariris, perduram até os dias atuais. A referência mais antiga às bandas cabaçais pode ser encontrada no livro do naturalista escocês George Gardner (“Viagem ao Interior do Brasil”. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942. 468 páginas). Ele esteve no Sul do Ceará, em 1838. Na sua passagem pela Vila Real do Crato (localidade nascida de um aldeamento dos índios Cariris), Gardner registrou: “toda a população da vila chega a dois mil habitantes, na maior parte índios ou mestiços dele descendentes”. Ainda em Crato, Gardner teve oportunidade de assistir aos festejos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira da cidade, citada por ele erroneamente como Nossa Senhora da Conceição. As manifestações da cultura popular, presentes nos festejos religiosos, não agradaram ao escocês. Foi o caso da banda cabaçal, assim descrita pelo naturalista: “(…) uma banda de música, com dois pífanos e dois tambores, mas a música era desgraçada…”
Antigamente, a banda cabaçal era composta por dois pífanos e dois tambores (zabumbas). Hoje, geralmente, ela é formada por dois pífanos, uma zabumba, tarol e pratos. A mais famosa banda cabaçal do Cariri é a dos Irmãos Anicetos. Seus componentes, residentes num subúrbio de Crato, mantêm a tradição transmitida pelo pai, que a aprendeu com descendentes dos índios Cariris. A terceira geração dos Anicetos já começa a incursionar nesse ofício.

(continua)
(*)Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro-Correspondente da Academia de Letras e Artes “Mater Salvatoris” de Salvador (BA).

Diogo Mainardi
Deus mudou de idéia
“O pré-sal é igual ao poço Caraminguá nº 1, do Sítio doPicapau Amarelo, que Monteiro Lobato definiu como ‘o primeiro poço de petróleo de mentira aberto no Brasil’”

Em 1º de julho de 1961, alguns engenheiros da Petrobras encaminharam à diretoria da empresa um documento sigiloso que dizia:
“Tomando conhecimento de uma chocante observação feita pelo Sr. Robert M. Sanford, em data de hoje, vimos pela presente lamentar profundamente o acontecido, uma vez que, pelo que entendemos, o acima citado cidadão estrangeiro atingiu gravemente e gratuitamente a Nação Brasileira, quando sugeriu, a um subalterno desprevenido, a eleição de um macaco para próximo Presidente da República”.
Robert M. Sanford era supervisor de Sub-Superfície da Petrobras. Ele fazia parte da equipe de geólogos de Walter Link, o americano contratado para descobrir petróleo no Brasil. Depois de anos de buscas frustradas, Walter Link concluíra que era inútil continuar procurando petróleo nas bacias terrestres brasileiras, e que era melhor procurá-lo no mar. A politicalha jingoísta, entoando “O Petróleo é Nosso”, acusou-o de ser um agente estrangeiro e afastou-o da Petrobras.
Fast Forward. Data: 2 de setembro de 2008. Contrariando o apelo de Robert M. Sanford, desprezamos a possibilidade de eleger um macaco. Em vez disso, o presidente da República é Lula. Ele está numa plataforma da Petrobras, no campo de Jubarte, no litoral do Espírito Santo. A tese de Walter Link e de seu supervisor de Sub-Superfície acabou se confirmando: nosso petróleo está localizado no mar. No caso, no pré-sal. O jingoísmo petrolífero, seis décadas depois de ser empunhado pelo caudilhismo getulista, ainda rende votos. Lula esfrega óleo no macacão – mais um macaco nessa história – e, em meio à promessa de usar o dinheiro do pré-sal no combate à pobreza, declara orgulhoso: “Eu tenho tanta sorte que acho que Deus passou por aqui e resolveu ficar. Porque a sorte aumenta a cada dia”.
Deus, cinco dias mais tarde, mudou repentinamente de idéia. Fannie Mae e Freddie Mac, as duas paraestatais imobiliárias dos Estados Unidos, foram para o beleléu, dando a largada ao processo de derretimento da economia mundial. O pré-sal, de uma hora para a outra, transformou-se no engodo do ano. Em maio, José Gabrielli, presidente da Petrobras, garantira que, nos cinco anos seguintes, o barril do petróleo custaria entre 80 e 120 dólares, acrescentando: “É uma realidade definitiva”. O barril de petróleo já está em 45 dólares, e continuando a cair. No mesmo período, Lula declarou que o Brasil ingressaria na Opep, e que o presidente poderia usar “aquele pano na cabeça, como se fosse um xeique”. A Opep acaba de cortar 8% de sua produção, porque há petróleo em demasia no mundo. Em setembro, Dilma Rousseff comparou o Brasil ao Sítio do Picapau Amarelo, onde jorrou petróleo atrás do galinheiro. Ela está certa. O pré-sal é igual ao poço Caraminguá nº 1, que Monteiro Lobato definiu como “o primeiro poço de petróleo de mentira aberto no Brasil”.
(Fonte: revista Veja, nº em circulação)

História de Crato (final)

Por: Armando Lopes Rafael

A Praça da Sé, no primeiro quartel do século XX, numa solenidade cívico-religiosa
O pioneirismo do Crato
As brigas fratricidas ficam para trás. Em 1855, a 7 de julho, é fundado no Crato o primeiro jornal do interior do Ceará. Trata-se do semanário “O Araripe”, cujo proprietário é o jornalista João Brígido dos Santos, ligado ao Partido Liberal. No último quartel do século XIX, a população do Crato já não se ocupa das brigas políticas. A sociedade cratense volta suas vistas para conquistas no campo da educação que perduram até os dias atuais.
Em 1874, o primeiro bispo do Ceará, Dom Luiz Antônio dos Santos, atendendo à sugestão de um filho do Crato, Padre Cícero Romão Batista, fixa residência temporária nesta cidade, com o objetivo de construir um Seminário, a funcionar como um suplementar do Seminário Episcopal, existente na sede da diocese, Fortaleza, distante cerca de 600 Km do Cariri. Em 1º de março de 1875, ainda de forma precária, o Seminário São José do Crato é colocado em funcionamento.Em 8 de dezembro de 1908, o vigário Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, convoca as autoridades e lideranças da cidade, com o objetivo de solicitar ao Bispo do Ceará encaminhar a Santa Sé o pedido de criação da diocese do Crato. É formada uma comissão com as lideranças e os notáveis da terra para os trabalhos preparatórios da nova diocese.
Em 20 de outubro de 1914, o Papa Bento XV, através da Bula “Catholicae Ecclesiae”, cria a diocese do Crato, a primeira do interior do Ceará. Em 10 de março de 1915, o vigário Quintino é preconizado primeiro bispo da nova igreja particular. A partir de então, diversas iniciativas da Diocese do Crato são responsáveis pelo surto de progresso sentido na cidade. Uma delas a criação, em 1921, da primeira instituição de crédito do Sul do Ceará, o Banco do Cariri, que presta grandes benefícios ao comércio e à lavoura da região.
Em 1922, Dom Quintino torna-se o pioneiro do ensino superior, no interior do Ceará, porquanto dota o Seminário São José de Curso Teológico. Este, sub-dividido em Curso de Filosofia, feito em dois anos, e Curso de Teologia, em quatro anos, proporciona ao novo presbítero receber no Crato a licenciatura plena. Dom Quintino planta, assim, a semente germinativa da Faculdade de Filosofia do Crato (criada em 1959) que foi, por sua vez, o embrião da atual Universidade Regional do Cariri (URCA), criada em 1986. Esta universidade leva a instrução superior in loco à vasta área do Estado do Ceará. E recebe no Crato alunos residentes nos Estados do Piauí, Paraíba e Pernambuco. Hoje, o Crato é um dos mais importantes pólos do ensino universitário, no Nordeste brasileiro.
Encerremos com mais dois registros. Primeiro, em 1946, há quase sessenta anos, quando não se fala em ecologia ou biodiversidade, o Crato é palco de nova ação pioneira. Através do Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, o Governo Federal cria a primeira reserva florestal do Brasil. Trata-se da Floresta Nacional do Araripe, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e fósseis, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo a pesquisa científica, recreação e lazer, educação ambiental, manejo florestal sustentável e turismo.
Segundo, em 2005, por iniciativa do Governador Lúcio Alcântara, foi criado o Geopark Araripe (foto abaixo, à direita, canion da Cachoeira de Missão Velha) sob a coordenação da Universidade Regional do Cariri – URCA, na gestão do Reitor André Herzog. A sede do Geopark Araripe fica na cidade de Crato. Criado com o objetivo preservar a história geológica da Chapada do Araripe, este Geopark envolve uma área de 10 mil Km2 sem equivalente no mundo na presença da fauna e da flora em fósseis de 70 a 120 milhões de anos em abundância, diversidade e estado de preservação. Em dezembro de 2005, o Governo do Estado do Ceará apresentou postulação, junto à Divisão de Ciências da Terra da UNESCO, que reconheceu em setembro de 2006 o Geopark Araripe comoo primeiro Geopark do continente americano e do Hemisfério Sul.
É o Crato pioneiro. Sempre à frente dos acontecimentos futuros…
Referências bibliográficas:
-ALBUM HISTÓRICO DO SEMINÁRIO EPISCOPAL DO CRATO. Rio de Janeiro: Typografia Revista dos Tribunaes,1925. 245 p.
-ALCÂNTARA, José Denizard Macedo de. Notas Preliminaresin Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, autoria de J. Dias da Rocha Filho. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-ARAÚJO, Padre Antônio Gomes. A Cidade de Frei Carlos. Crato (CE): Faculdade de Filosofia do Crato, 1971. 165 p.
-FIGUEIREDO FILHO, J. Engenhos de Rapadurado Cariri.Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, 1958. 74 p.
-LÓSSIO, Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” in revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri, Crato (CE), 1961. Tipografia A Ação.
-NEVES, Napoleão Tavares. Cadernos do IPESC 1. Juazeiro do Norte: Edições IPESC-URCA, 1997. 24 p.
-PINHEIRO, Irineu. Joaquim Pinto Madeira. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1946. 55 p.
-PINHEIRO, Irineu.O Cariri.Fortaleza: Edição do Autor, 1950. 272 p.
-PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1963. 555 p.
-RAFAEL, Armando Lopes. Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro: o contra-revolucionário do Cariri de 1817.Crato: Tipografia do Cariri, 2000. 28 p.
-ROCHA FILHO, J. Dias da. Vida do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro(1740-1831) Notas Preliminares de José Denizard Macedo de Alcântara. 2 ed. Fortaleza: Secretaria da Cultura, Desporto e Promoção Social do Ceará, 1978. 170 p.
-SOBREIRA, Padre Azarias. O primeiro Bispo do Crato (Dom Quintino).Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC Limitada, 1938. 183 p.

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