9ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS
Sábado de Aleluia, 11 de abril de 2009
Centro Cultural do Araripe (RFFSA)
“PEDOFILINO SAFADUS”
PROGRAMAÇÃO
15h00min
1. Concentração na Bodega do Joquinha, rua dos Cariris (Centro); 2. Forró pé-de-serra: Trio Flor do Pequi; 3. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha e Jaraguá de reisados locais, por atores em seus personagens regionais: Chica Curuja (Joseany Oliveira), Geroplícia (Orleyna Moura), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Maria Matusquela (Teresa Ramos), Zé de Baca (Cacá Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão-Côxo (Josernany Oliveira), Budeguêra (Joênio Alves), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Dona Pomba (Mariana Nunes), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Menó Abondonado (Walesvick Pinho), Maria Capionga (Tereza Cândido), Ciça Meropéia (Jonyzia Martins), Fofolete do Sertão (Gabriela Melo), Zefa Miúda (Charline Moura), Cabinha do Babado (Paulo Henrique), Carrim do Sino (Edval Dias), Cacho de Girmum (Vinícius Pinho). Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Centro – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe (antigo Largo da RFFSA).
17h00min
Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e ainda com o roubo).
18h30min
1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses com perna-de-pau e malabares de fogo.
19h30min
Forró pé-de-serra com Sílvio e Marcos.
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REALIZAÇÃO:
SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES E CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE – PONTO DE CULTURA DO BRASIL
APOIO: SECRETARIA DE CULTURA, ESPORTE E JUVENTUDE DO CRATO
PATROCÍNIO: PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO
Uma senhora solitária transita pela saudade, angústia, dor, revolta, temor. Sua filha Helena, líder estudantil e guerrilheira, fora lutar nas selvas do Araguaia contra a ditadura militar que se instaurara no Brasil.
Na companhia de um álbum de fotografias, saboreia lembranças profundas e transita para a realidade que se insinua cruel. Notícias dão conta da morte da filha, mas uma doce insanidade alimenta a esperança de vê-la retornar. Fraca e doente, escreve a última carta para a filha, borrada pelas lágrimas derramadas.
Produção: SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES – Produção Executiva: MÔNICA BATISTA
Apoio: PREFEITURA MUNICIPAL DO CRATO-CE / SECRETARIA DE CULTURA
A COMÉDIA DA MALDIÇÃO
UM FILME DE CACÁ ARAÚJO
INÍCIO DAS GRAVAÇÕES EM JUNHO DE 2009
“A história de uma bela jovem que se amancebou com o vigário e foi condenada a uma terrível maldição: virar Mula-sem-cabeça!”
DIREÇÃO:
CACÁ ARAÚJO, JACKSON BANTIM E GLAUCO VIEIRA
ROTEIRO DE CACÁ ARAÚJO
ELENCO DA CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE E CONVIDADOS
PARCERIA: SOCIEDADE CARIRI DAS ARTES, IMAGO/URCA E SECRETARIA DE CULTURA DO CRATO
CRATO-CARIRI-CEARÁ
As maiores e mais tradicionais festas do catolicismo popular têm suas origens nas festividades pagãs da antiguidade. Como exemplo, podemos citar os festejos do ciclo junino, em homenagem a Santo Antonio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29), que se originaram na tradição pagã dos povos da Europa, Ásia e África, que festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita quando se aproximava a chegada do verão no Hemisfério Norte e que foram transportadas para o calendário católico. Não é uma coincidência a data desses festejos. Os antigos rituais agrários, no Velho Mundo, por ocasião do solstício de verão, que ocorre entre os dias 22 e 23 de junho, marcavam o início da colheita.

Com relação ao Natal, ocorreu o mesmo fenômeno. Comemora-se o nascimento de Cristo, mas ninguém sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. Muitos pesquisadores acreditam, inclusive, que Cristo não nasceu no ano zero, e sim entre os anos 4 a 5 a.C. Como teria sido, então, escolhida a data de 25 de dezembro? Artigo publicado no dia 10 de dezembro de 2001, no Correio do Povo, divulga explicação do professor de Teologia da PUC-RS Luiz Carlos Susin e do Padre Roberto Paz, da Arquidiocese de Porto Alegre, que esclarece que no dia 25 de dezembro era realizada “uma festa conhecida, no Hemisfério Norte, como Festa da Luz, e comemorava o solstício de inverno, ou seja, quando o dia está no seu menor período. Mas, justamente neste dia, se comemorava o dia do Sol Invencível, que renascia no coração do inverno europeu.” Na pré-história, tradições do mundo pagão, como as festas em comemoração à fertilidade e à colheita, e em comemoração ao Sol, vindas do Oriente, foram totalmente incorporadas pelo Império Romano. Com o crescimento e a propagação do cristianismo, preferiu-se usar a Festa da Luz para celebrar aquele que no preceito católico é a Luz, Cristo. “A festa foi inculturada, como é tradição da Igreja de não destruir a cultura dos povos, mas de dar a ela um novo significado”, explica o padre Paz.

E foi apropriando-se e mudando o significado original das festividades pagãs que a Igreja Católica consolidou um calendário de poderosa influência no imaginário popular, voltado, obviamente, para a manutenção e fortalecimento da fé católica e para sua sobrevivência enquanto instituição. Então, para comemorar o nascimento de Jesus, antigas festas de ritual pagão sofreram paulatinamente transformações. Somente no ano de 138 foram regulamentadas pelo Papa São Telésforo, mas foi o Papa Júlio I, no ano de 378, que fixou a data de 25 de dezembro como sendo a do nascimento do Menino Jesus, posto que até então não havia data fixa para a comemoração da chamada Natividade. As festas da Natividade foram tendo elementos introduzidos ao longo dos séculos, até que, por volta de 1.600 foram acrescentadas as figuras dos Três Reis Magos. Com isso surgiram os grupos de Folia de Reis, que saem cantarolando hinos e exaltando o nascimento de Jesus.

A Tiração de Reis, pelos Reisados do Cariri cearense, ou a Folia de Reis em diversas outras regiões brasileiras, pelos grupos de foliões, são tradicionalmente realizadas no período de 25 de dezembro a 6 de janeiro e, como fora mencionado, tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios. A festa romana era comemorada em 25 de dezembro (calendário gregoriano) e a egípcia em 6 de janeiro. No século III ficou estabelecido que dia 25 de dezembro se festejaria o nascimento de Cristo e 6 de janeiro, dia dos Reis, homenageando os Reis Magos Gaspar, Melchior e Baltazar, que levaram ouro, incenso e mira, que representam, segundo a Igreja, as três dimensões de Cristo (realeza, divindade e humanidade). Durante 12 dias, a partir do Natal até 6 de janeiro, acontece a Tiração de Reis. Reisados, com seus brincantes, Catirinas e Mateus, tiram a jornada pelas ruas e casas das comunidades.

Importante aqui salientar o que afirmou o pesquisador e professor Oswald Barroso, em seu ensaio intitulado Os Reisados e o Reisado de Caretas: “(…) o Reisado é um folguedo do ciclo natalino, como diversos outros, entre os quais, os Presépios, os Pastoris, as Lapinhas etc. Representa o cortejo dos Reis Magos, em sua caminhada a Belém, como as Folias de Reis brasileiras, ou como os antigos ternos e ranchos de Reis portugueses. Que tem sua origem na aglutinação de diversas brincadeiras e folguedos tradicionais, entre os quais os Ranchos de Reis, os Congos, o Bumba-meu-Boi, as Rodas de São João (acrescentamos nós) etc., como pode aparecer com elementos de muitos outros folguedos, entre os quais os Guerreiros alagoanos, os Bois cearenses e o Cavalo Marinho pernambucano. Mas os Reisados têm a particularidade de, além de representar um cortejo de Reis que vão adorar o Menino Jesus, ter no episódio do Boi, seu entremês principal.” O Dia de Reis tem, portanto, sentido católico-cristão com profunda marca pagã em sua origem, sendo, por isso mesmo, uma celebração popular que atende e ao mesmo tempo subverte a ordem religiosa institucional, posto que funde símbolos sagrados da cristandade com manifestações cômicas, satíricas e grotescas ancestrais, como que ajudando a fertilizar o mundo para o retorno à livre unidade homem-cosmos.
Cacá Araújo
Professor, Folclorista e Dramaturgo
Diretor da Cia. Cearense de Teatro Brincante
Crato – Ceará – Brasil
OPERÁRIO DO VERSO
Por Cacá Araújo
Luciano Carneiro de Lima é uma espécie de mago do verso popular. É como um Midas das letras sertanejas: toda palavra que põe no mundo vira poesia. Constrói seus versos falando sobre religião, problemas sociais, tradições populares. Romanceia e faz humor.
Agricultor, carroceiro e vigilante, Luciano Carneiro é uma das mais respeitadas e reconhecidas expressões do verso popular caririense. Pobre de bens e rico de sabedoria popular, ele é considerado um cordelista completo.
Iniciou em 1975 divulgando suas poesias no Programa Coisas do Meu Sertão, do saudoso poeta e radialista Eloi Teles, primeiro na Rádio Araripe do Crato e depois na Rádio Sociedade Educadora do Cariri. Mas foi aos 12 anos de idade que se revelou como poeta, quando cantava de viola com seu irmão Cazuza.
Fundador da Academia dos Cordelistas do Crato, sendo hoje seu presidente, lá presta serviços como tipógrafo na Gráfica Coisas do Meu Sertão.
Tem mais de 40 cordéis publicados, alguns em parceria, e participa ativamente da vida cultural caririense, sendo referência para novas gerações de poetas e admirado por grandes nomes como Pedro Bandeira de Caldas (cantador), Antonio Vicelmo (jornalista), Ariovaldo Carvalho (ex-prefeito do Crato) e Geraldo Amâncio.
Cantou com Azulão do Norte, Gerônimo Bonfim, Pintassilgo e Zé Gaspar, entre os quais somente o primeiro é vivo e reside em São Paulo.
Poeta respeitado e querido pelo povo simples e por segmentos intelectuais do Ceará, foi jurado de vários festivais de violeiros, participou de festivais de folclore, simpósios de poesia, recebeu homenagens de instituições como o SESC e a Escola Agrotécnica Federal do Crato.
Casado com Luzanira Batista de Lima, com quem teve 13 filhos, dos quais 10 estão vivos, é natural de Teixeira-PB, conhecida como “terra dos poetas”, em 7 de janeiro de 1942, e reside em Crato-CE há mais de 50 anos.
Seu reconhecimento oficial como Mestre da Cultura do Estado do Ceará, através do Edital Tesouros Vivos da Cultura 2008, promovido pela SECULT, significa o enobrecimento da poesia popular e a garantia de melhores condições de peleja em defesa da alma sertaneja universal através de seu verso mágico e elaborado com talento e sabedoria.
“Eu não tive vocação / Pra diácono nem vigário / Tornei-me então um poeta
Não muito extraordinário / Mas sou com muita alegria / No campo da poesia
Um verdadeiro operário” (Luciano Carneiro)
Do Crato, foram inscritos por Cacá Araújo, além do poeta Luciano Carneiro, a mestra de reisado e lapinha Mazé Luna, a mestra de dança do coco Edite Dias e o mestre de banda cabaçal Emídio Barbosa (Mestre Bidu, falecido há pouco mais de um mês).
O nome do cordelista Luciano Carneiro e os dos outros novos Mestres serão levados à publicação no Diário Oficial do Estado e os novos Tesouros Vivos da Cultura 2008 serão diplomados na abertura do IV Encontro Mestres do Mundo, no dia 2 de dezembro, na região do Cariri.
Crato-CE, 10 de outubro de 2008.
CANÇÃO DO CARIRI
Já me manifestei em oportunidade recente e novamente afirmo meu apoio à gloriosa luta em defesa da democratização e moralização da programação cultural da Exposição do Crato, especificamente no tocante à parte privatizada.Não resta dúvida que o ato de privatizar é legal, do ponto de vista jurídico. Mas configura-se imoral quando fere a identidade cultural do Cariri e do Nordeste e desce ao último degrau da indecência, com uma programação que agride a qualquer senso de qualidade e faz apologia a todo tipo de discriminação e violência.
Proponho que, dentre outras ações, seja composta uma canção de protesto a ser cantada a mil vozes na abertura da ExpoCrato. Grandes artistas internacionais fizeram contra a fome. Grandes artistas nacionais contra a seca d’água. E nós poderemos fazer em defesa da nossa cultura, plural e vigorosa. Panfletos seriam distribuídos com a letra, a música seria divulgada nas rádios, em carros, carrinhos e motos de som. Um grande ensaio aberto poderia ser feito na Praça da Sé, um ou dois dias antes da grande apresentação.
Outra sugestão é que se crie um canal permanente de discussão e elaboração de políticas/ações culturais que envolvam eventos e programas de fomento, difusão e cooperação. Nesses encontros poderia ser criada a já proposta associação de artistas, a qual poderia se insurgir em breve contra toda espécie de agressão à cultura, à arte, ao artista, ao povo.Um forte abraço!
Cacá Araújo
Folclorista, Ator, Professor e Dramaturgo