O coração bate, os rins filtram regularmente, a vida já pulsa, quando subitamente membros agitam-se num frenético desespero frente aquele aparelho de sucção introduzido na gestante adolescente com poucos meses de gestação. As imagens são fortes, e durante o documentário americano exibido pela FoxNews, é impossível não sentir-se indignado e angustiado com o conteúdo apresentado. Uma mãe com um filho apresentando uma séria malformação congênita tem o abortamento consentido pela justiça americana, permitindo a gravação de tais imagens para a produção deste documentário. Uma câmera diminuta acoplada ao aparelho de sucção registra imagens de uma comoção inimaginável. Naquele momento percebe-se aquele ser vivo em toda a sua indefesa condição ser dilacerado e logo a seguir fragmentos do corpo são rapidamente sugados e desprezados num saco preto de lixo.
A humanidade caminha a passos largos para uma realidade na qual a qualidade de vida e os interesses individuais ultrapassam o direito a liberdade e a vida alheios. Ao envelhecermos perdemos em autonomia, força e saúde, mas ganhamos potencialmente em sabedoria e experiência. Muitos não valorizam o velho, muitos não valorizam a criança, e agora tenta-se institucionalizar a banalização do aborto. Os extremos da nossa existência nunca estiveram paradoxalmente tão comprometidos. Embora tenhamos alcançado mais conforto no mundo contemporâneo, em tempo algum o ser humano esteve tão banalizado. Estamos comprometidos desde a concepção até o potencial envelhecimento. Faltam-nos a mais básica das garantias: o direito a vida.
O abortamento em alguns países ultrapassa os limites da legalidade, sendo até mesmo estimulados pelas autoridades do governo, beirando a imoralidade. Há pouco enviaram para o meu email, coincidentemente uma noticia publicada num jornal alemão, sobre o hábito chinês de utilizar fetos abortados para a elaboração de sopas em algumas províncias da Republica Popular da China. O preço de cada prato é equivalente a 30 Euros, e havia propaganda do governo local associando a ingesta do feto a potenciais benefícios estéticos e provável rejuvenescimento.
Eis o mundo canibal no qual vivemos.
Por Walter Carvalho
















