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Sempre Alerta!

Desses três representantes do escotismo em Crato, um foi identificado. É o primeiro da direita para esquerda. Todo e qualquer bom cratense de meia-idade pra frente, o reconhecerá. É José TOMÉ dos Santos, filho caçula de Chico Soares e Dona Antonieta. Irmão de Chico Pão.
Tomé, como era conhecido pelos inumeráveis amigos, foi uma das personalidades mais marcantes e queridas da cidade. Professor de natação, praticamente, em todos os clubes de lazer da cidade (SESI, SESC, Tênis Club, Grangeiro, AABB etc), sendo responsável pela formação de várias gerações de atletas e diletantes. Presidente da FUMDEL – Fundação Municipal de Esporte e Lazer do Crato (1998-2000), nas gestões de Raimundo Bezerra e Moacir Siqueira, onde realizou uma gestão rica de eventos e programas de inclusão social, tendo como público-alvo as crianças em estado de risco. Presidente do Crato Esporte Clube em 1999, quando o time pequizeiro disputou a primeira divisão do campeonato cearense, e, a despeito de ser rebaixado, foi protagonista de uma arrojada e corajosa campanha .
Esta é uma homenagem saudosa àquele que foi um dos mais entusiastas cratenses e homens de bem que esta cidade conheceu.
Tomé faleceu em 19 de julho de 2000, após submeter-se a uma delicada cirurgia cerebral, em Fortaleza.

A Loucura em Liberdade, um artigo de Cleide Correia sobre a loucura em Crato

Por Carlos Rafael Dias

O nº 5 da revista Tendência – Caderno de Ciências Sociais, publicação do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (URCA), lançada em setembro de 2007,- traz um interessante artigo de autoria da professora Cleide Correia de Oliveira(1), sob o título “A Loucura em Liberdade: Vivência e Convivência”(2). A partir da identificação de personagens considerados diferentes, ou “loucos”, que circulavam livremente nos espaços públicos da cidade do Crato, no período de 1930 a 1970, o artigo é um estudo sócio-histórico ancorado no método da história oral. No artigo, “a loucura narrada no cenário de Crato indica a existência de uma multiplicidade que revela a complexidade, a diversidade transcendendo o paradigma psiquiátrico tradicional, cujo princípio fundamental é a idéia de que o louco deve ser isolado da sociedade”. Este paradigma se apóia na idéia de que a intervenção médica para o tratamento da loucura deve prescrever necessariamente o isolamento do doente em casas especializadas – os temidos hospitais psiquiátricos. Somente por este aspecto, o artigo já teria o seu inegável valor como literatura médica. No entanto, para quem viveu em Crato no espaço cronológico escolhido pela autora como recorte de tempo , o artigo vale, e muito, pelo resgate de uma série de personagens que, pela singeleza de suas vidas, nunca interessaram à história oficial, mas que permanecem preservadas indelevelmente no imaginário de toda uma geração. O período abordado foi escolhido por abrigar dois marcos na história da saúde do Crato: a fundação da primeira instituição hospitalar na região do Cariri, o Hospital São Francisco de Assis, em 1936 (quando a sociedade local ainda convivia com a loucura em liberdade), e da criação do Hospital Psiquiátrico “Casa de Saúde Santa Tereza”, em 1970 (quando a loucura foi aprisionada).
Com a coleta de depoimentos de pessoas que conheceram os ditos personagens considerados diferentes, o artigo resgata a história de vida de nove loucos, verdadeiros tipos populares que marcaram época em Crato: Maria Caboré, Pernambucana, Tandôr, Compadre Chico, Dona Joaquina, Baixeirinha, Moipen, Pedro Cabeção e Antonio Corninho. Os relatos, com suporte de fontes secundárias, enfatizaram as características, as vivências e convivências desses personagens e revelaram situações tanto trágicas quanto cômicas. Esses “estranhos” personagens viviam em casas velhas, em ruínas e praças públicas, apresentando comportamentos que fugiam das normas sociais e dos mecanismos institucionais de controle.

SONHOS, MANIAS, DRAMAS E PAIXÕES

Entre esses personagens, alguns chegaram a transcender suas vidas de excentricidade e sofrimento, como foi o caso de Maria Caboré, “uma morena com estatura mediana, que gostava de usar pulseiras, bijuterias e colar doados pelos moradores da cidade. (…) Tinha um desejo muito forte de contrair núpcias com o “Rei de Congo”. As crianças da época conheciam esse desejo e exigiam que ela deglutisse objetos, como bola de gude, frutas pequenas e outros, em troca do casamento. Sendo assim, essa personagem fazia um grande esforço para engolir tais objetos, para casar-se com o referido Rei, fruto da sua imaginação.” Depois de morta, vitimada pela peste bubônica, na década de 1930, Maria Caboré passou a ser venerada como dispensatária de milagres. Até hoje, o seu túmulo, no dia de finados, é visitado por grande número de pessoas, que deposita flores e velas em retribuição às graças alcançadas.
Compadre Chico é outro personagem que merece destaque, pela sua fixa crença de que o regime monárquico seria restaurado no país e pela sua mania de planejar como este fato se daria. Com o seu imaginário subalterno, a quem chamava de Frutuoso, “planejava batalhas, nomeava comandantes, designava o local em que as tropas deviam postar-se para o ataque e, às vezes, marcava a data em que o Crato seria saqueado (…) em prol do retorno do imperador.”
O drama, não como uma ficção artística, mas como uma realidade cotidiana, sempre foi uma constante na vida desses personagens, como aquele vivenciado por Dona Joaquina, que viveu no Crato entre as década de 1940 e 1950. Trabalhava, junto com a filha, como doméstica, mas um dia abandonou a família e foi morar na Praça da Sé, sob um oitizeiro. Diariamente, sua filha deixava-lhe comida e um dia foi buscá-la quando o mal que a vitimou lhe acometeu.
Nas décadas de 1950 e 1960, um homem de estatura alta e de aspecto moribundo vagava pelas ruas da cidade, de porta em porta, com um prato de flandre já gasto, girando em um dedo da mão direita enquanto repetia, com voz diferente, uma locução: Moi… Moi… Moi… Moipen… Moipen… Moipen. Por isso, todos o conheciam por Moipen, sabendo, devido a sua inclinação religiosa, que a estranha palavra era uma corruptela que significava “uma esmola para Nossa Senhora da Penha”.
Para finalizar, não poderia deixar de citar outros dois personagens enfocados no artigo, responsáveis por situações de rara comicidade: Pedro Cabeção e Antonio Corninho.
Pedro Cabeção, assim conhecido devido a avantajada cabeça, ainda mais desproporcional devido ao seu corpo miúdo, tinha dois sonhos, que só veio a realizar depois de passar a perceber uma renda fixa por conta da aposentadoria: conhecer a estátua do Padre Cícero, na vizinha cidade Juazeiro do Norte, e adquirir um aparelho de rádio. Pedro vivia com uma tia que ao chegar em casa viu-lhe quebrando o rádio com uma pedra. Indagado por que fazia aquilo, Pedro respondeu que era por causa do rádio, que não parava de lhe aperrear, perguntando o tempo todo: você viu o cabeção por aí? Na verdade, ele se referia a um refrão de uma canção muito tocada pelas emissoras de rádio no início da década de 1970(3).
Já Antonio Corninho, que tinha ponto fixo na Rua da Vala (hoje rua Tristão Gonçalves), ficava bravo quando lhe tratavam pelo depreciativo sobrenome. Incontinenti, retrucava: “melhor ser corno do que ser prefeito. Prefeito é só quatro anos e corno é pra vida toda”. Não se sabe, porém, se a alcunha foi por conta de algum trauma sentimental, devido a uma infidelidade que lhe foi atribuída. Mas, os relatos sobre ele atestam a existência de um caso amoroso que ele manteve com uma louca a quem apelidavam de Macaúba, “a qual sempre aparecia grávida. Os dois viviam em eterna lua-de-mel, na rua Tristão Gonçalves, nos batentes do prédio onde funcionava o escritório da VASP, causando transtornos aos transeuntes.”

Lembro do dia em que Antonio Corninho morreu e como o fato teve uma grande repercussão na cidade.

Notas
1. Enfermeira. Professora Mestra Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Regional do Cariri – URCA, Crato – CE. cleide@urca.br.
2. Prêmio Jane da Fonseca Proença, 1º lugar – melhor trabalho de Enfermagem Psiquiátrica, Saúde Mental e Relacionamento Interpessoal – 54º CBEn.
3. Música “O Cabeção” de Roberto Corrêa e Sylvio Son, gravada pelos Golden Boys.

Mons. Ágio: 90 anos de existência

Na manhã deste domingo, último dia de programação dos festejos pelos 90 anos do Mons. Ágio, foi realizada uma missa em ação de graça, presidida pelo Mons. Ágio e concelebrada pelos padres Manoel Feitosa, Rocildo Alves e Edson Bantim, além do diácono Policarpo Rodrigues (foto acima). Para o ato, muitas pessoas ocorreram ao Auditório Cristina Prata, que abriga a sede da Sociedade Lírica do Belmonte, fundada pelo Mons. Ágio há 40 anos e situada no aprazível distrito do Belmonte, ao sopé da Chapada do Araripe, em Crato. A missa foi acompanhada pela Orquestra Padre David Moreira e Coral Santa Cecília, ambos frutos do apostolado musical do Mons. Ágio. Um detalhe mais do que importante: os integrantes destes conjuntos são filhos de agricultores que residem na localidade.
Em seguida, a cobertura fotográfica do evento:

Detalhe da Orquestra Pe. David Moreira
Vista parcial da assembléia

Com o Prof. José Nilton de Figueiredo

Com a Profa. Aíde Luna (E) e amiga

Com Mila Chagas

Com o Prof. João Pierre

Com o Secretário de Estado André Barreto

A voz do Granjeiro

José Alves de Figueiredo*

Este rio que passa aqui gemendo,
E vem da serra envolto em cipós,
Anda plangente desde que entendo,
Desde que se entenderam meus avós.

É um rio de amor que vem trazendo
O cristal que regala a todos nós.
Seu gemido é segredo que eu desvendo,
Pois nele fala o Crato em terna voz.

Cantem outros o encanto de outros rios,
Como fez com o Tejo o vate luso,
Que eu cantarei em doces murmúrios

Do Granjeiro esta voz que sempre acuso
Como um lamento, um canto de amavios,
Um lamento de deusa que eu traduzo!

* “José Alves de Figueiredo nasceu no Crato, em 28 de abril de 1878 e faleceu na mesma cidade, em 6 de fevereiro de 1961 (…). Autodidata, depois de freqüentar a escola primária, empregou-se numa farmácia, da qual seria mais tarde proprietário. Foi dono de um grande sítio de lavoura no sopé da Serra do Araripe. Foi vereador em mais de uma legislatura, chegando a exercer mandato de prefeito municipal do Crato na década de 20. Ainda em 1901 fundou e dirigiu o jornal Sul do Ceará(…). Publicou: O Beato José Lourenço (1935) e Ana Mulata (1958), sendo postumamente editados, pelo Instituto Cultural do Cariri, seus Versos Diversos (1978), com prefácio de J. Lindemberg de Aquino (…).”

Sanzio de Azevedo (soneto e texto publicados na revista Itaytera, nº 27, 1983)

… E o Granjeiro que não existe mais

Belos versos para um rio que não existe mais.
Este é o sentimento que toma conta de qualquer cidadão cratense que tenha o mínimo de sensibilidade ou consciência ambiental.
O que já foi um límpido e caudaloso rio, onde as donas-de-casa lavavam roupas, as crianças tomavam banho e os homens pescavam,- é hoje um fétido canal a céu aberto, um pútrido esgoto que se constitui no mais vergonhoso atestado de subdesenvolvimento de uma cidade.
Devemos, pois, cobrar de todos os candidatos a prefeito desta cidade um compromisso, firmado em cartório, para com a despoluição do rio Granjeiro. (Carlos Rafael)

Foto do final da tarde

Serra do Araripe, do ponto-de-vista da casa de Luiz Wellington (Parque Grangeiro, Crato)

Foto do meio da tarde

Foto do Sitio Rosto mirado pra Serra, neste domingo nublado que anuncia o inverno

Documentário sobre a Chapada do Araripe está sendo feito no Cariri

O cineasta cratense, Jefferson de Albuquerque Júnior, reconhecido pela sua participação em vários filmes feitos no Cariri e em outras regiões, como os premiados Patativa do Assaré, Um Poeta do Povo; Dona Ciça do Barro-Cru, Músicos Camponeses e Sargento Getúlio, – está agora envolvido com um novo trabalho. Trata-se do Projeto Audivisual Chapada do Araripe, cujo foco central é o que ainda parece ser o mistério da existência de fósseis na região do Cariri cearense. Segundo a apresentação do projeto, especulações diversas perpassam o imaginário popular, como a possibilidade de três origens dos fósseis na região: a hipótese da existência, em priscas eras, de um grande lago, ou mar, que cobriu todo o Vale do Cariri; a conseqüência do dilúvio bíblico (daí a explicação de fósseis de animais aquáticos) ou, mesmo, de um processo associado a explosão de um grande vulcão, tal como ocorreu em Pompéia.
Além de abordar as questões culturais e ambientais relativas ao tema, o documentário pretende elucidar o fenômeno a partir de pesquisas e estudos de teses sobre o assunto, tais como os trabalhos apresentados no Simpósio Sobre a Bacia do Araripe e Bacias Interiores do Nordeste, realizado em Crato, em 1990, até a criação do GeoPark Araripe, em 2006. Tudo de forma muito didática e compreensível ao entendimento de uma pessoa leiga.
O vídeo constará de três blocos de dez minutos de duração cada. Cada bloco enfocará uma temática relacionada com a Chapada do Araripe: a formação dos fósseis, a questão ecológica e cultural e uma visão de futuro.
Segundo Jefferson Júnior, “todos os blocos serão intercalados com depoimentos de geocientistas, estudiosos dos temas abordados, bem como do povo local na sua sabedoria empírica, mesclando imagens de uma natureza exuberante, através de recursos digitais gráficos, passando ao público toda a emoção que existe em se viver e amar esta porção privilegiada do Nordeste brasileiro, desvendando a magia que existe em seus recônditos, os mistérios e as belezas das encostas e do majestosos cume da Chapada do Araripe.”

EQUIPE TÉCNICA

Roteiro: Jefferson de Albuquerque Júnior e Robert Stiling. Produção Executiva e Direção: Jefferson de Albuquerque Júnior. Diretor Assistente e de Produção: Jackson “Bola” Bantim. Assistente de Produção: Valmir Paiva de Azevedo. Diretor de Fotografia: Catulo Grajeiro Teles. Câmera: Fernando Garcia. Trilha Sonora: Abidoral Jamacaru e Orquestra Pe. David Moreira da Sociedade Lírica do Belmonte. Consultoria Técnica: Robert Stirling e Francisco Renato de Souza Dantas.

Site Zoomcariri divulga resultado de concurso

Tema: Trabalhadores do Cariri1º lugar : Jackson Bola Bantim, com Mulher Rendeira

2º lugar: Marcus Jamacaru, com Oleiro
P.S.: Visite Zoomcariri (link ao lado)

Carnaval do Crato: homenagem ao mestre Vitorino

Nesse clima de pré-carnaval misturado com o de pró-saudosismo que parece estar se instaurando entre os participantes deste blog (principalmente após a matéria postada por José Flávio), nada mais justo do que rendermos homenagem aos antigos foliões cratenses. São muitos, mas gostaria de começar por uma pessoa que deu (e ainda dá) uma grande contribuição para que o carnaval do Crato ainda seja lembrado como um dos mais alegres do Estado (apesar dos pesares, creio). Trata-se do mestre Vitorino, que manteve por longos anos a famosa e histórica Escola de Samba de Vitorino.
Ele continua vivo, alegre e com o fôlego de jovem folião que o fez conhecido e admirado por todos os cratenses.
Esta foto é recente. Foi feita na campanha eleitoral de 2006 e mostra o mestre em pleno vigor, fazendo aquilo que se tornou uma marca característica sua: animando o povo à frente da sua escola, tendo como palco as ruas do centro da cidade.
A propósito, o carnaval de rua do Crato, com seus blocos, corsos e escolas de samba, merece um capítulo à parte. O desfile das escolas de samba ainda resiste, apesar de todas as dificuldades e descasos.
Aqui vale uma pergunta: como andam os preparativos para o carnaval do Crato? De certo, sabemos que o Carnaval da Saudade, na sua terceira edição, acontecerá no dia 26 de janeiro, no Crato Tênis Club. Mas, de resto, nada mais foi divulgado sobre a programação momesca na terra de Frei Carlos.
Quem tiver mais informações, please

O Carnaval no Crato de outrora

Aproxima-se o carnaval, festejo que teve origem na Europa medieval, mas que teve sua apoteose no Brasil.
No Crato, as folias mominas são festejadas há bastante tempo. Irineu Pinheiro, no livro O Cariri, dedica-lhe um capítulo inteiro, tecendo pormenores de como era brincado o carnaval no Crato de outrora. Tinha o nome de entrudo, e era de natureza irreverente e extremamente popular. A água era o elemento central, talvez por nítida influência da estação invernosa, que aumentava em muito o já forte potencial hídrico do local. Eis como Pinheiro descreve o entrudo:
Era (…) o triunfo mais completo da água.
“Percorriam as ruas grupos armados de bisnagas de flandre, de cerca de 50 centímetros de comprimento e de 5 de diâmetro, cheias de água, cujos jactos não respeitavam sexo nem posições sociais.
“(…)’Assaltavam-se’ casas amigas, que se defendiam do melhor modo possível, com bisnagas também, com baldes e caneco d’água etc.
“(…)Não raro se viam nas ruas tinas com água, em que se mergulhavam implacavelmente todos os que por ali passassem, fossem quem fossem
”.
Com base nos relatos de Irineu Pinheiro e Paulo Elpídio, o costume de banhar-se nas ruas deixou de fazer parte do entrudo, ao que parece, já no final do século XIX. Permaneceram as bisnagas, chamadas de laranjinhas, “feitas de cera colorida ao derreter com anilina de cores variadas”(1), e, quando os ânimos estavam exaltados, canecos, potes e jarras.
Alcancei, na infância, o objeto que deu continuidade a essa tradição, a que chamávamos de xeringador (ou seria cherigandor?), uma bisnaga de plástico para espargir água. A intenção da brincadeira era a mesma dos velhos tempos: travar batalhas com outras pessoas, visando molhar o oponente com o precioso líquido. A partir de certa época, passou-se a usar, além da água, o colorau e a farinha de de trigo ou a maisena, para atacar o adversário, numa prática que hoje chamam de mela-mela.
O uso de lança-perfumes foi introduzido no Cariri em 1912, vendido pelo farmacêutico José Gonçalves Rolim(2). Até hoje, o lança-perfumes continua sendo usado, apesar de ser uma contravenção.
O disfarce, característica dos bailes carnavalesco, era utilizado no entrudo. Usava-se uma espécie de máscara, geralmente feita de couro. O mascarado era chamado de careta, que falava em falsete e aterrorizava a criançada mais ingênua, manejando um chicote de couro cru.
A elite cratense promovia bailes, realizados nas casas de família e promovida por clubes sociais, nos quais só os homens participavam. Irineu Pinheiro fala de um clube chamado Água e Cera no qual, “aos pares, de braços dados, cantavam a plenos pulmões, ao som da música Zé Pereira, tocado por uma orquestra composta de uma rabeca, uma flauta, um bombardino, um trombone e um clarinete”.
Em 1909, o Correio do Cariri, citado por Irineu Pinheiro, publicou nota sobre o carnaval cratense, destacando o Clube Água e Cera, registrando “ter ele exibido um belo carro alegórico em que se via a figura da República empunhando o estandarte brasileiro tremulante ao vento”(3) .
A evolução do carnaval do Crato trouxe inovações década a década. Em 1910, foi registrada pela primeira vez a presença de cortejos carnavalescos nas páginas do Correio do Cariri. Nos anos de 1935 e 1936, o carnaval foi pura animação, com destaque para os cordões, que desfilavam pelas ruas com destino aos bailes promovidos no Crato Clube. Em 1942, arrefeceram os cortejos, e o divertimento se restringiu aos salões dos dois clubes locais: o citado Crato Clube e a Associação dos Empregados no Comércio do Crato. Um ano depois, elegeram e coroaram rainhas, em evento bastante aplaudido(4).
______
1. MENEZES, Paulo Elpídio. O CRATO DO MEU TEMPO, p. 29.
2. O Cariri, p. 197.
3. Op. citado, p. 196.
4. Idem ibidem, p. 197.

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