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Escrito por Claude Bloc
Poesia
2 jun 2009, 13:29
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Para amenizar um pouco o calor dos ânimos…
… Ei, tristeza,não sei quem te chamou. Portanto, te peço, arreda o pé, vai embora… Já te releguei ao passado e não quero mais cruzar o teu caminho!
… Pois é, dona tristeza, visitei lugares de minha infância lá pelas bandas do Crato e vi que a velha casa onde morei quando criança ainda estava incólume, austera, mas entristecida e abandonada.
… Eu mesma a larguei por tanto tempo que nem suportava mais toda a saudade acumulada em meus guardados. Percebi, também nessa visita, que, depois desse degredo, já não existem mais os pés de cajarana que reguei, nem as duas goiabeiras em cuja sombra me assentei, a cobiçar os frutos nos galhos mais altos…
… Só sei que cheguei lá devagarzinho e fiquei ali, diante dessas ausências sem perceber com clareza que estar com você, tristeza, é o mesmo que estar diante de um espaço vazio. Saber que, cedo ou tarde, tudo o que está presente ficará ausente. É isso!
… Você é traiçoeira e se expande… e vai testemunhando esse mistério da despedida gravado em nossa própria carne. Essas lembranças que vamos carregando e esse ar de despedida colocado em tudo o que fazemos e deixamos pra trás…
… Você, tristeza, é essa ausência que demora, ausência que devora: o espaço entre o belo e o efêmero de onde nasce a poesia. E assim, nessa amálgama os poetas vão colocando suas palavras sobre o vazio. Não um vazio qualquer, mas um vazio que é um “pedaço arrancado de mim”. Um exercício de saudade; de tornar de novo presente, um passado que já se foi.
… Então penso em Drummond que afirmava não lastimar o espaço vazio no seu texto “Ausência”: “por muito tempo achei que ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não o lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba de mim…”
… Portanto, dona tristeza, procure outras paragens, pois no vazio de minhas noites só há poesia…
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Texto e foto por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
30 mai 2009, 21:05
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Enquanto chega o domingo, uma conversa de sábado… E onde anda a poesia?
A quem devo amar neste momento ?
O que devo olhar, além do sonho e do silêncio?
A que devo amar, senhor de todos os mares?
E o que devo escutar além do ruído dessas águas?
A quem devo mostrar o amor que tenho guardado?
A quem devo obediência
……………………….. quando já vivi três quartos do tempo?
Onde vou deixar meus versos e prosas
Que se estampam em contrapasso
………………………… no tempo?
A quem, pergunto eu…
A quem devo amar neste momento de espera?
Texto e foto de Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
9 mai 2009, 21:57
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Casa da Serra Verde – Pintura a óleo de Claude Bloc
…… Eis-me em silêncio, numa dessas fraturas de um tempo de aceitação. Aceito essa saudade que me chega em meio aos sargaços da idade…Essa saudade que é fruto da minha lembrança, e que vai aos poucos embaraçando-se em tantas e tantas fugas, cicatrizes, contrapontos… Saudade que me enlaça nesse imenso azul me abordando sutilmente, abrindo as comportas dos sentimentos e o tropel silencioso das horas insólitas…
…… A saudade não me causa fadiga: ela me acerta e me completa. Com o refluir do tempo, ela acaba sendo para mim a súmula de tudo para se tornar a essência do meu canto.
…… A saudade não subjaz ao simples acaso de um verso. Ela faz pulsar a arte nos desconcertos da poesia…
…… A saudade, a minha saudade, inscreve-se no silêncio, como uma órbita revelada em metáforas. Rompe a crosta que a separa do encantamento e vai concentrar-se nos vazios da alma…
…… A saudade do Crato é outra história. A minha!
Por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
6 mai 2009, 20:43
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Saudade
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…
Saudade é sentir que existe o que não existe mais…
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
(Pablo Neruda)
Escrito por Claude Bloc
Crônicas
5 mai 2009, 16:35
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….Parafraseando José do Vale que explica nosso universo cratense: “O Crato é uma cidade do mundo. Cidade é coisa de gente. Gente é coisa do mundo. O mundo é uma areia do universo, mas gente não. Não é areia. Gente não tem medidas. Nem espaço. Não existe um dentro e um fora. Existe gente, o mais são metáforas”.
….Eu, como gente desse universo um grão de areia que circula por outros circuitos de águas, posso afirmar que todo o nosso cosmo está mergulhado em águas… Estradas, ruas, cidades por onde circulo, tudo verdeja sob esse ciclo de águas que no ano de 2009 esbanjou na quantidade e volume… Bem dizia Roberto Jamacaru. A chuva não vem para provocar os estragos, mas vem como uma bênção. Caberia ao homem saber preparar-se para recebê-la.

….Pois é, mas entre estas e outras afirmo que, conseqüente ou inconseqüentemente estamos padecendo com tamanho desacerto. As estradas asfaltadas, ou não, simplesmente não mais existem. O que se vê são crateras que nos dias de chuva mais densa se alagam e tornam-se armadilhas para os incautos. Esta semana minha viagem de Sobral a Fortaleza deu-se em quase 9 horas quando o trajeto é de apenas 235 km pela BR 222. No KM 30, na localidade de Primavera (a poucos minutos de Caucaia) o pneu traseiro do ônibus caiu numa dessas “crateras” e ficou suspenso pela ferragem da “balança” que sustenta a suspensão. Foram mais de 3 horas de espera pelo resgate quando se estava a 30 minutos da entrada de Fortaleza..
….Enfim, nosso bendito inverno está assolando as já maltratadas estradas e ilhando muita gente que precisa chegar a algum destino…
….E retorno às palavras de José do Vale: o tempo existe, “o mais são metáforas”.
Por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Crônicas
28 abr 2009, 15:22
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Vendo a foto de Pachelly, com essa alegria estampada no rosto e esse sorriso escancarado… lembrei-me, em primeira instância, do filme “Singing in the rain” … Mas, o instante ali captado extrapola qualquer enredo ou versão de filme pela sinceridade que se lê, nas atitudes, nos gestos, nos detalhes. Então, não posso dizer apenas que a foto está linda. Ela fala. E é pura poesia.
Um homem feliz
Na Chapada do Araripe,
o tempo se acordou contigo.
Acordou-se a mata em todos os teus sentidos
enquanto dormias
…acordou-se longe,
longe do rumor do mundo.
O Vale estendeu-se verde e luzente
muito mais secreto,
nas lembranças de um homem feliz.
Nessa espreita surda
e na surda espera da vida,
agradeces pelos mil sorrisos
que te deslizam pelo rosto.
Agradeces por estares vivo – um homem feliz!
Então,
fica mais um pouco para que a terra ouça
teu rouco sentimento
tudo o que não repartes
entre ti e a arte.
Sei, é longa a chama e é longa a espera.
Curta é a camisa de tão simples corte
que veste a noite no dorso da Chapada.
E tu – nessa mata onde te embrenhas
fazes teu discurso e espalhas pelo vento
o quanto te alegra sempre voltar ali
como um homem feliz !
Fica mais um pouco,
absorve os cheiros da chuva na terra…
mede tua força e teu sentimento:
acordar é preciso…
acordar o tempo é preciso
para que ele conserve
cada vez mais verde
as encostas da Serra
sob o céu e a saudade.
E a terra cobre o que, sendo eterno,
nunca mais é o mesmo.
Fica mais um pouco
e do alto da Chapada
aspira todo o sonho de um homem feliz.
.
***
Por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
26 abr 2009, 11:01
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Todos os meus poemas começam de manhã, com o sol.
Mesmo que as palavras não estejam à vista,
O poema será, então, meu céu de chuva
explicando a luz.
Durante o dia, morará inteiro
num espaço mais aberto
de ar claro e luminoso,
nas tardes lisas e eternas…
Então, emergirá, mais uma vez,
Da noite, do silêncio,
como um cais seguro.
Pela rua
sua passagem se confundirá
Com os assovios do vento
Com o rumor dos mares
E o encontrarei em areias claras
onde possa se estender ao sol,
no relicário dos meu sonhos.
Meu poema será
uma mão aberta e,
na sua palma, estará minha esperança.
…e se arrastará com o dia
e se meterá pelas copas das árvores,
cantará com os pássaros e correrá com os riachos…
Meu poema contará como tudo é feito
menos ele próprio…
começará por um acaso cinzento,
como esta manhã de abril
e acabará, também por acaso,
quando o sol (em meus olhos) brilhar…
Meu poema me levará no tempo
E não passarei sozinha…
Por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
21 abr 2009, 18:25
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A Praça da Sé (Crato CE) – antes da reforma
A Praça da Sé – (Crato – CE) após a reforma
Urbanizar e modernizar é destruir as lembranças ? É desfigurar a História?
Por Claude Bloc
Escrito por Claude Bloc
Poesia
20 abr 2009, 17:49
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…… Se hoje nada mais der certo pego as minhas coisas jogo numa mala e me mando pro Crato. Se nada mais der certo saio por aí pisando nas flores caídas pela rua enquanto finjo que não vejo os olhares atravessados do outro lado da rua, perscrutando meus movimentos. Se nada mais der certo compro um guaraná, bem gelado, e nada de papo.
…… Se nada mais der certo escrevo um poema, um dilema e me perco na obscuridade do silêncio. Se nada mais der certo vou em busca dos amigos. Vendo meus anéis, brincos e colares e compro uma passagem – pra onde, não sei. Se nada mais der certo componho uma música para alguém… e canto em falsete pra espantar a tristeza. Se nada mais der certo ligo a TV e finjo que assisto às novelas. Mesmo se ninguém gostar do meu senso de humor, sei que farei um bocado de gente sorrir da minha cara ridícula na tela – eu na tela?
…… Se nada mais der certo vou saber que não devia nunca ter emprestado aquele livro para minhas colegas. Se nada mais der certo escrevo mensagens para minha lista de amigos e como ninguém me responderá, nunca saberei se leram ou o que pensaram de meus textos. Se nada mais der certo ouço meus poucos CDs e ainda choro recordando as músicas do Ray Connif. Se nada mais der certo vou-me embora de ônibus e faço cara feia pro menino que ficar me olhando com cara de sapeca.
…… Se nada mais der certo bato à porta daquele bom amigo e negocio uma xícara de café por um antigo retrato. Se nada mais der certo desisto de dar certo e lavo as mãos…
Por Claude Bloc (postado na UVA – Sobral)
Escrito por Claude Bloc
Poesia
15 abr 2009, 21:54
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Chove! … e os deuses da chuva , do céu estão distantes. Na Terra, confrontam-se os heróis nessa alegoria profética do tempo. A figura do inverno desfila personificada nas enchentes, nos aluviões, materializada na avidez das águas, nas obsessões da estação…
Então, chove! Fora e dentro de mim. A chuva é poesia nesta hora. Mescla gêneros e experiência na prosa, mas não pode viver confinada ao limite das estações nem ao domínio das palavras.
A chuva é fiel. Ao tempo em que discorre pela vida a sua passagem. Ao tempo em que deixa escorrer seu pranto e seu agravo…
A chuva é a tradução deste poema. Celebra o universo! … e leva, no verso de seu dorso, as linhas do seu estro.
Por Claude Bloc