468x60

Arquivo do Autor

Cristo Rei – Por: Emerson Monteiro

Neutrocovardia, um outro nome para conivência – Por: Emerson Monteiro

Quase nunca as bases decidem mudanças e ficam perplexas diante dos acontecimentos. Salsas. Tangos. Rumbas. Cumbias. Rocks. Merengues. Teatros. Cinemas. Shows de sangria nas calçadas. Povo correndo. Sirenes gritando. Pavor. Desengonço. Trepidação de carros em disparada. Canhões. Movimentos de tropas. Torturas. Escamoteios. Foguetes. Violência. Violência em vários graus. Ignorância dos subúrbios em xeque. Esgotos a céu aberto. Crianças catando lixo envelhecido nas colinas de urubus em festa. Portas fechadas e dramas repetitivos nas telas de ricaços embrutecidos pela gorda indiferença. Os homens. As mulheres. Seres humanos que descem e sobem nos elevadores do poder, indiferentes aos apelos ensurdecidos de anúncios espalhados aos quatro ventos. Tortas recheadas de fel em doses duplas. Noites amarelecidas em lençóis mornos. Amargor na boca do estômago. Existências vazias. Tortos caminhos de iguais existências amorfas, melancólicas, ausentes de atitude. O calor das muriçocas em forma de ventiladores zoadentos. Luares românticos, ineficientes, suores de cólica. Impotência visceral. Apenas fatais e sujos magros heróis de fancaria. Vilões de si mesmos. Fantoches do destino. Profetas da carência de sentido em tudo no carrossel ensandecido. Poetas derrotistas da desesperança. Uma doença antiga, tão antiga quanto presente em todas as épocas da humanidade. A inútil dor alheia que não consome os outros, porém que mata sem pedir a conta dos circunstantes em volta, indecisos, covalentes de chanchada, adiposos asmáticos em turmas pecaminosas. Autores de bombardeios que assassinam crianças. Monstros noturnos que jogam nas mesmas máquinas eletrônicas que espalham a droga nos puteiros e nos salões ilustrados da burguesia subserviente. Valores espumosos das canastras das ruas descalças. Pruridos vãos dos traços cruéis nas superpotências e suas atitudes pecaminosas. Diante de tanto amargor, as traças carcomem os seus filhotes, exemplos de uma raça que se vitima, na fila dos amargurados torpores, hemoptises, flatulências, incólumes, no entanto, sintomas do mal dos milênios. Solidariedade vadia, leviandade doentia, justificativa injusta, toneladas de gastos e os pacientes alarmados batendo palmas ao espetáculo de pão azedo e circo silencioso, que repete a história das almas que se locupletam, os neutrocovardes decantados antigamente, criaturas esdrúxulas e nefastas, alimentadas de lama podre, resistentes aos instintos de conservação e sobrevivência da espécie.

Alguns dados folclóricos do Crato – Por: Pedro Esmeraldo


Sempre fomos grandes admiradores do folclore, não podendo deixar de enaltecer esse grande procedimento folclorista, visto consideramos como sendo estudo da arte das atividades populares através dos povos civilizados.
Observamos que o Crato é um centro folclorista do Cariri, pois na verdade, aqui se iniciou e divulgou as atividades folclóricas, que surgiram os primeiros ensaios dos estudos desta arte popular no centro do Nordeste.
Ontem, Dia de Reis, 06 de janeiro de 2009, casualmente, passando pela Praça da Sé, deparamo-nos com os reisados, homenageando os Reis Magos, isto vem de há muito, que se notabilizou tradicionalmente, perdura até agora e deve preservar através dos tempos. Foi apresentada pelas filhas do mestre Dedé de Luna e outros. Souberam divulgar com galhardia as proezas do pai, o mestre Dedé, grande folclorista desta cidade, falecido há pouco tempo. Conhecemos bem essa figura histórica por meio de seus esforços. Lembramos do seu valor, amava o Crato com entusiasmo inebriante, deixando toda a população alegre e satisfeita pelo movimento febril de suas danças populares. Infelizmente, o mestre Dedé já se foi. Uma insidiosa doença o levou, deixando uma lacuna no meio das danças populares desta cidade. Continuando com a arte de seu pai, suas filhas mantêm a tradição, com reduto feminino, coisa admirável, já que sente o desinteresse masculino, visto que os homens, por negligência ou por preconceito não desejam mais participar, distanciando-se do meio folclórico regional. Além do mestre Dedé, há outras pessoas notáveis mantendo o desejo de preservar a cultura popular que deve ser cooperada pelas autoridades desta cidade, dando o inteiro apoio para preservar essa tradição. Lembramos também do grande folclorista e jornalista Figueiredo Filho, considerado o guia intelectual das artes populares do Crato, bem como Correinha, um baluarte do folclore.

Observamos ainda outras figuras dignas de merecimentos, podendo citar o mestre Elói, que foi dos maiores interessados pela preservação do folclore local, como também recordamos de Valderedo Gonçalves, que soube cativar a população com artes nobres, mostrando a qualidade de artistas inteligentes, sóbrios e perspicazes e que manipularam as artes com dedicação e apreço. Outro grande artista cratense, improvisador, Cego Aderaldo, (A. Ferreira de Araújo), um dos maiores do Nordeste, nascido aqui em Crato, no ano de 1882, falecido em Recife, em 1967. Foi trovador popular, aprendeu a tocar viola depois que perdeu a visão.

Não podemos esquecer a figura esplêndida de José de Matos, poeta, repentista, crítico, irreverente, respondia tudo através das poesias mordazes e que deixava todos satisfeitos com suas tiradas picantes. Não temos muito conhecimento desse poeta. Não sabemos pormenores, mas deixou palavras que até hoje são recitadas pela massa popular.

Por: Pedro Esmeraldo.

Em defesa do futebol do Crato – Por: Pedro Esmeraldo

Em uma manhã ensolarada, andava livremente pelas ruas da cidade quando me deparei com um senhor, baixo, rechonchudo, pedindo-me que fizesse um trabalho sobre o futebol cratense de outrora. Respondi-lhe dizendo que esse assunto não me fascinava, visto que nunca acreditei na proeza dos dirigentes futebolísticos, vez que não se coadunavam com um trabalho sério na arte esportiva.
Esses homens que dirigiam o esporte cratense não enxergavam um palmo diante do seu nariz, não olhavam para o futuro e nem se interessavam em promover condignamente o esporte bretão. Visavam somente se promover e nada mais.
A maior parte dos diretores de clube era constituída de homens desinteressados, assim podemos dizer. Não estimulavam a juventude com bons exercícios e bons professores de educação física.
Relato ainda que no passado o Crato era dotado de grandes craques, que não faziam vergonha em se apresentar nos grandes centros esportivos do país. Lembro-me bem de nomes como Enock, Antônio da Pensão, Peixe, Senhor, Moacir, Mundinho, Kleber, Binda, Doce de Leite, Dote, Anduiá, etc. E outros e muitos outros que deixo de relacionar seus nomes por esquecimento. Esses craques vislumbravam a torcida com jogadas geniais. Deixavam todos entusiasmados, provocando aplausos frenéticos no meio da massa esportiva.
Em priscas eras, o Crato, que foi possuidor de grandes craques, não possuía campo de futebol à altura da cidade. Os torcedores insatisfeitos se organizaram e fizeram um movimento liderado pelo desportista José de Paula Bantim, solicitando ao governador Virgílio Távora a construção de uma quadra esportiva moderna, que seria o aprimoramento do esporte regional e poderia ao mesmo tempo levar o Crato à mais alta corte do esporte. Esses esportistas foram estimulados pelo, então, prefeito Ariovaldo Carvalho, tido com grande timoneiro, pois adquiriu o terreno, preparando-o com o serviço de terraplenagem, entregando-o ao Governador para a execução dessa obra. Este construiu o estádio pela metade, como prometeu, deixando a outra parte para que os prefeitos futuros concluíssem e deixassem no ponto de melhor projeção de equilíbrio, que viesse retirar a juventude do vício e da vadiagem.
Os torcedores cratenses vibraram e ficaram esperançosos que o Crato fosse o grande centro esportivo do Cariri.
Infelizmente o futebol cratense não prosperou, visto que os prefeitos que se seguiram abandonaram-no, não dando continuidade a essa grande obra.
E o futebol caiu por terra, o estádio ficou abandonado, entregue às moscas. Não tinha ninguém que viesse levantar esse movimento esportivo, já que não havia recursos para satisfazer aos anseios da população. E a juventude permaneceu sem ânimo de enfrentar uma luta desigual, até quando o atual prefeito Samuel Araripe assumiu o comando e restaurou as partes danificadas do estádio, entregando-o novamente à população. Os torcedores agradecidos vibraram, mas ainda o futebol cratense não está bem recuperado.
O atual prefeito não tem medido esforços para reorganizar o futebol. Tem ultimamente trazido os craques de fora a peso de ouro, o que não tem demonstrado muito amor à camisa cratense. Nesse caso, seria melhor contratar um professor de educação física para criar uma escolinha de futebol, além de orientar a juventude, dando prioridade aos habitantes dessa terra. Só assim o Crato se livrará da mazela de craques viciados, que só veem buscar o dinheiro do povo. O pontapé inicial esta dado, vamos à obra, pessoal.

OBS.: Postagem a pedido de seu autor, com a permissão do responsável pelo “blog”.

Assis Marat – Por: Pedro Esmeraldo

Por volta dos anos de 1950 vivia um casal, possuidor de prole numerosa (cerca de 16 filhos), nos arredores do engenho de meu pai, no sítio Pau Seco, neste município. Munido de poucos recursos, trabalhava assiduamente na agricultura a fim de conseguir os meios necessários para sua existência. Como era paupérrimo, às vezes meu pai tinha que contribuir com algum legado para a sobrevivência de seus filhos; abastecia com gêneros alimentícios.
Constantemente, seus filhos eram despertados para procurarem frutos silvestres: como mandacaru, etc, e a caça de pequenos animais como preás e rolinhas que complementavam a alimentação da família.
No período da moagem, no engenho do meu pai, seus filhos faziam pequenos serviços leves que serviriam para amenizar a situação triste e nebulosa dessa família.
Um dia, meu pai querendo ajudar a família, falou em criar um de seus filhos. Em troca daria melhores condições de vida e colocaria em uma escola para aprender a arte da leitura.
O guri não quis estudar, dizia que só desejava aprender as primeiras letras, já que não tinha a menor vocação para arte desse ofício.
Escolheu o mais habilidoso trabalho que era transportar bagaço do engenho para a bagaceira. Chamava-se Francisco de Assis Moreira Justo, era calmo, paciente, maneiroso e com muita destreza no trato dos animais.
Quando trabalhava no engenho os cambiteiros colocaram-no apelido de Assis Marat, nome de um médico e político francês, assassinado durante a Revolução de 1789 (Jean Paul Marat). Não posso compreender ainda no meio dessas pessoas rudes encontraram esse nome francês, talvez seja inventado por eles mesmos.
Era um menino franzino, honesto, com muita dedicação ao trabalho, não admitia roubo e nem tolerava a preguiça. Era vigilante na defesa dos direitos individuais. Não dormia em serviço e tratava o patrimônio alheio com muita dedicação.
Após a morte do meu pai, Assis Marat foi ser leiteiro e caiu no vício da embriaguez. Como era franzino, contraiu um enfraquecimento, adquirindo uma doença pulmonar. Tratou-se mas não se controlou do mal-hábito de beber.
Após a cura da mancha pulmonar, arranjou um emprego de vigilante na Escola Maria Amélia. Cumpria corretamente com sua obrigação até quando, um dia, foi encontrado morto no prédio da referida escola.
Não se sabe da causa mortis desse rapaz, talvez tenha sido causado pelo vício da embriaguez, visto que fora encontrado nas moitas, ao redor da escola, várias garrafas vazias de cachaça, pois, tudo leva a crer que bebia às escondidas.
Assis, como era conhecido, teve um enterro digno e merecido. Muito humilde, todos gostavam dele. Era sincero, calado e não maltratava ninguém. Falava sempre a verdade, não tinha rixa e era fiel cumpridor do seu dever. Sua morte causou consternação e abriu uma lacuna irreparável, já que deixou de ajudar aos amigos com sua parcela de trabalho e prestação de serviços.

Apoio: Firenze Cosméticos
Rua Doutor João Pessoa, 401
Crato: (88) 3521.7072
ACIMBEL

OBS.: Portagem a pedido de seu autor, com permissão do responsável pelo “blog”.

A Imbecilidade, madrasta de todas as guerras – por: Emerson Monteiro

Vá lá que não se pretenda explodir os próprios sonhos, dadas razões autodestrutivas da patologia clássica. Contudo querer incluir os sonhos dos demais no processo de punição das culpas acumuladas pela perdição das horas de vida, que jogada fora a cada inútil atitude, isso merece reavaliação desde o princípio das ações, nos campos de batalha.
Daí a notação de ser imbecilidade pura desmanchar os artefatos letais em volta de si, na máquina da guerra, e espezinhar multidões de outros seres, inclusive o espaço do Planeta, fustigado nas unhas de horríveis monstros animais humanos. Chegar à madrugada do novo ano falando essas coisas de alemães filosofias deixa transparecer, sem repressão, os sentimentos de indignidade que invadem as salas em face dos entreveros televisados, no returno do calendário. Sem mais nem menos, acendraram ânimos e tomem bombas israelenses em represália a foguetes explosivos dos palestinos, na Faixa de Gaza. Fruto disso, juntem-se as mortes da população civil, produzida nos conflitos anteriores das mesmas gentes. Acima de conceitos morais, há os ditames da ética para demonstrar a inutilidade da razão perante as providências dos guerreiros. “Não importam os motivos da guerra, a paz é mais importante do que eles”, disse com absoluta propriedade Roberto Carlos. Mas a quem dizer isso? (há a quem?), conquanto existam tantos interesses por trás das agressões, os antivalores econômicos, religiosos, políticos, culturais, territoriais, desconhecidos, etc. Perguntar a quem, ao vento, Dylan? Quantos canhões ainda explodirão até que o homem compreenda o condão da verdadeira fraternidade?

Uma mistura de desencanto com impossibilidade, somados alentos de compaixão pela dor alheia, nos pagos adversários que se embebem de sangue no chão comum a todos os conflito.
Prece e sonho flutuam nas mentes pelos ares, neste começo de tempo… Amar, enfim.

Por: Emerson Monteiro
.

HOJE – Tiago Araripe no Sesc de Crato – por: Emerson Monteiro

Neste domingo, 04 de janeiro, às 20h, no SESC de Crato, será o lançamento do CD Cabelos de Sansão, do artista caririense Tiago Araripe. Na oportunidade, o músico mostrará ao público o seu trabalho, em “show” de cultura e arte. Todos são convidados a esta noite de autógrafos de um dos valores essenciais de nossa Região.

Por: Emerson Monteiro

Melhores dias para o Crato

Pedro Esmeraldo

A maior glória é ser filho do Crato, berço da liberdade desta província, pátria dos primeiros soldados da Independência, que conquistaram a liberdade, às custas do seu sangue e sacrifício, não só para si, mas para as províncias do Piauí e do Maranhão. Do Crato, surgiu o primeiro brado pela liberdade: a Confederação do Equador. Por isso são chamados seus filhos Espartanos do Norte. Essas palavras foram pronunciadas pelo Pe. Alexandre Francisco Ceberlon Verdeixa, durante uma sessão da Assembléia Provincial, em Fortaleza, em 1848.
Hoje a maioria dos cratenses não segue esse exemplo do passado, permanece um pouco acomodada. Não reage diante das dificuldades dos insultos provocados constantemente pelos seus algozes. Vez por outra, aparecem de mansinho, pessoas interessadas em levar o patrimônio para outras localidades, sucateando sorrateiramente, sempre imitando o gato: dando tapa e escondendo a unha. São astuciosos, provocam vexames, o que é preciso tomar cuidado de suas posições, defensores de sua região. Isso não passa de artimanhas perigosas. Adquirem o que desejam e levam para si todo o progresso evolutivo adquirido pelo Crato através dos anos.
Lembramos aos cratenses que estejam de olhos abertos, não vacilem, lutem até o fim, pois afirmamos que para tudo que se consegue é preciso ser limitado, trazendo conforme a conveniência necessária. Temos que tomar cuidados, para não cairmos numa armadilha. Lembramos a vinda da Escola Ciências Agrárias; pois recordamos o dito popular: quem tem os olhos fundos começa a chorar cedo, para não acontecer o pior, uma vez que há dúvida da vinda dessa unidade para o nosso meio.
Se não nos falha a memória, recapitulamos os fatos ardilosos da vinda da Universidade Federal do Ceará que seria instalada em Crato, com equilíbrio igualitário para o Cariri. Infelizmente aconteceu o contrário, arrebataram-na para si, nas caladas da noite, sob artífice de alguns cratenses, alegaram que o Crato não tinha representação política para se defender.
Felizmente, houve revolta no seio da população, alguns não se conformaram, e reagiram com repúdio a essa medida arbitrária e o povo ficou atônito sem saber o que fazer. Até hoje as autoridades permanecem ainda arredias, sem nenhum movimento para esboçar uma reação digna, à altura do Crato. Por isso, estamos lembrando para não se deixar enganar pelas diabruras das pessoas vaidosas e sonegadoras do progresso. Todos merecem um lugar ao sol.
Novamente, relembrando os erros do Prefeito Municipal em escolher erroneamente seus assessores. É preciso tomar cuidado para saber selecionar as pessoas certas em lugar certo. Não devemos colocar em cargos de confiança, pessoas que não sejam qualificadas para exercer um trabalho consciente, eficaz, e não sem entender patavina do assunto.
Sabemos da capacidade de trabalho do gestor. Gosta do Crato e é dedicado ao bom andamento da sua gestão. Acreditamos que poderá fazer boas escolhas no seu quadro de auxiliares e que venha a favorecer com pessoas capacitadas e que tenham amor ao trabalho. Pessoas que contribuam para o município nos aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais. Na escolha de uma boa assessoria está o segredo de efetuar uma administração de qualidade. Seja coerente, tenha calma, não caia nas lábias desses algozes que nada fazem a não ser atrapalhar o bom desempenho administrativo.

OBS.: Postagem a pedido de seu autor, com a permissão dos responsáveis pelo “blog”.

Na noite de Natal


Emerson Monteiro

Às vésperas do Natal, me vem ao pensamento uma história que li certa vez, de autoria do escritor russo Leon Tolstoi, a qual pretendo narrar em seguida.
Próximo de estrada deserta, em região russa com poucos habitantes, morava um solitário casal de anciãos. Era a época natalina. Nesse ano o inverno chegara com intensidade poucas vezes presenciada, de frio excessivo e neve acumulada, isolando ainda mais os moradores daquela área.
Determinada noite, o velhinho sonhou com Jesus a chegar em sua residência e lhe dizer que viria comemorar junto deles o seu aniversário. Podiam aguardar que, de certeza, chegaria para cearem na noite de Natal.
Ao despertar, o homem contou o sonho à mulher, que ficou feliz pela notícia recebida. Nessa hora, trataram de planejar a festa incomparável que se prenunciava. Organizariam as coisas de modo a transformar o pouco de que dispunham num laudo banquete, acrescentado de zelo e amor para com Deus.
Desse jeito se organizaram até que chegou a data prevista. Nesse dia, trabalharam um tanto mais. Casa limpa, tudo brilhando de asseio, lareira esperta e mesa pronta. Transcorreram manhã, tarde, início de noite. Os dois não se cabiam de alegres, vista oportunidade rara com a qual se deparariam.
O tempo lhes aproximava do grande momento, quando ouviram batidas na porta. Rápidos movimentos. Fustigado pela nevasca que cobria a noite de escuridão, humilde viajante, abatido de longa jornada, vinha ali pedir arrancho. Caminhara muito sob difíceis condições. As suas forças exauridas reclamavam urgente repouso.
Os dois velhinhos acolheram de bom grado o visitante. Das mínimas reservas que possuíam ofereceram ao necessitado, servindo, sem outra alternativa, o próprio alimento que haviam preparado à espera do Mestre Divino, motivo principal daquela data.
Nisso as horas se passaram e ninguém mais chegou. Tarde da noite, comeram juntos do que sobrara, indo depois se recolher. No entanto, sensação de surda interrogação permaneceu entre eles: Qual a razão do sonho auspicioso? Deus nunca falta, mas prometera lhes visitar… Ainda assim, deixaram de falar no assunto e seguiram a rotina dos dias.
Menos de uma semana depois, o ancião volta a sonhar. No sonho, de novo se avista com Jesus, vislumbrando boa ocasião de perguntar o que se verificara para não cumprir a promessa do de Natal, ouvindo dele essas afirmações inesquecíveis:
- Lembra do viajante a quem receberam na noite de Natal? – indagou o Mestre, e acrescentou: – Pois sou eu aquela pessoa tão bem recebida pelo carinho dos seus corações. Desse jeito, quando qualquer um fizer o que fizer ao menor dos pequeninos deste mundo, a mim o faz. Saiba disso quem quer crescer no caminho da Eterna Felicidade.

Rebelião em Vila Real

Pedro Esmeraldo

Numa tarde sombria no início de agosto de 1962, uma população curiosa se acotovelava na Praça Campossérie aguardando o desfecho do Diretório Municipal da UDN, onde seriam escolhidos candidatos a cargos eletivos.
A princípio, houve um rebu medonho, pois havia revolta no seio da população incontrolada, já que alguns membros praticaram a deslealdade no processo de escolha de seus candidatos, visto que entre eles havia um senhor de bem, de comportamento sereno, que aspirava a cargo de chefe de Poder Executivo municipal.
Após várias horas de reunião sem chegar a bom termo, não obstante, a escolha caiu num cidadão sem respaldo político, que causaria revolta na camada popular.
Com atitude irrepreensível, o povo se aglomerava na frente do prédio onde, pois, havia a reunião do diretório. A camada insatisfeita gritava palavras jocosas que estremeciam os ouvidos de muita gente: – Dessa vez o coronel Montelle vai saber com quantos paus se faz uma cangalha. dizia um gaiato na praça. Outros diziam: – Um, dois, três, quatro, cinco, seis, desta vez a UDN não passará dos dezesseis, correspondendo aos anos que os políticos estiveram no poder.
A atuação dos membros do diretório udenista causou náuseas, porquanto havia muitas curvaturas nas palavras da decisão. Houve fraudes entre os homens que se diziam dignos, causando prejuízo moral aos senhores de bem.
Lá pelas 20h se encerrou a reunião, com alguns deles desavergonhados rindo à toa, com faces radiantes, dizendo expressões desconexas, desculpando-se, sem convencer, forjando mentiras, pensando eles que a sociedade acreditaria nas facetas duvidosas deles.
Os verdadeiros líderes da UDN, aqueles que agiam de boa fé, permaneciam na tristeza, vaticinando que seria derrota antecipada, proveniente dos desacertos.
A princípio, o candidato natural do partido foi concordado por esse grupo que se dizia amigo, no entanto, empurram-no para a perda de ânimo, desvalorizando pessoas dignas e de grande capacidade de trabalho.
Antes da reunião, dizíamos, o povo tinha uma vaga esperança que o senhor Zeiraldo seria o candidato natural do partido, já que esse cidadão bastante conhecido pela sua capacidade de trabalho, soube conduzir seus préstimos em benefício da comunidade.
Esse candidato, considerado pessoa de influência, elencando espírito de trabalho sério e honesto, seria a vez de Vila Real crescer e igualar-se às demais comunas interioranas, usufruindo progresso equilibrado e firme. Infelizmente houve essa traição por um bloco do partido, que almejava beneficiar a outrem sem vocação política. Pois esse mesmo bloco traiçoeiramente preferiu colocar um dentista vereador.
O senhor Zeiraldo não se conformou com a traição, saiu do grupo, de cabeça erguida, sem dizer palavra alguma, com o pensamento de abandonar o partido. Fortalecido, ouviu a família e os amigos, desligou-se da UDN e filiou-se ao PRP, tendo como objetivo derrotar o Dr. Delveixe.
Nas praças, a galera gritava alegremente palavras alegres: – Ah! Ah! Ah! Agora a UDN perde a eleição, aí nós nela, gritava um terceiro. Agora o professor Filipedro vai assumir a Prefeitura; não estou com medo, mas estou com Pedro; o coronel Montelle entregará a chave da Prefeitura na marra.
No dia seguinte, os udenistas desesperados organizaram-se entre si e foram à casa do senhor Zeiraldo com a finalidade de pedir desculpas e não desanimar, mas o senhor Zeiraldo, irredutível, não se deixou levar pelas conversas dos asseclas udenistas.
Os udenistas emudeceram, “botaram o rabo entre as pernas” e saíram de mansinho, cantando amor febril, navegando em barco furado.
A resposta do senhor Zeiraldo foi importante. Deu exemplo a todos aqueles que desejavam fazer os outros de tolos. Isto foi um grande exemplo para essas pessoas maldosas que pensam que o mundo é deles.
O município de Vila Real era rico, constituído de terras férteis, tendo como produção principal a cana-de-açúcar em primeiro lugar e em seguida a cultura do algodão. Era grande produtor de arroz e possuía criação de gado. Por essa razão, o cargo de prefeito estaria sendo cobiçado por pessoas inescrupulosas que só observavam o interesse de si mesmo.
Ressaltando bem, observava-se que havia muitos aventureiros por trás desses políticos maldosos a fim de angariar meios que lhe satisfizessem os seus objetivos, com o intuito de se locupletar facilmente com os bens adquiridos através do erário publico.
Por trás de todo esse tipo de artimanhas havia um cidadão de bem que almejava sobressair-se, procurando elevar-se com trabalho sincero e honesto. Era um senhor diligente e de fácil controle emocional, professor, filósofo, que sabia conduzir as atividades políticas, que tinha como respeito preservar as tradições sócio-políticas da região, enfrentando com zelo e controle emocional todo o processo inerente à comunidade.
Observando-se no meio do bloco udenista, havia deles que eram pecaminosos e que tramavam as urdiduras, conduzindo o partido para o caminho do mal.
A cidade de Vila Real, situada no sopé da Serra do Arari, verdejante, possui fontes d’água que deslumbravam as pessoas que vêm de outras localidades, impressionadas com o farfalhar das águas cristalinas que jorram das encostas. É cidade antiga, que foi fundada no terceiro quartel do século XVIII, permitindo respeito e admiração por todas as pessoas que aqui constituem moradia.
Sua população é ordeira. Não é arrojada, permanece quieta, queixa-se com facilidade das injustiças provenientes da capital do estado. Com ascensão ao poder municipal do professor Filipedro, houve grande esperança que ressurgisse no mapa geográfico do País.
O povo animado começou a trabalhar com mais afinco e então essa cidade começaria a evoluir-se com determinação e trabalho.
Confirmamos, porém, que houve um desenvolvimento desequilibrado quando surgiu uma sequência de prefeitos apáticos e desanimados já que não pensavam em colaborar com o progresso da cidade. Posteriormente, a cidade caiu no arrefecimento. Com a queda dos seus principais produtos como a cana de açúcar e o algodão e o povo partiu para o afrouxamento desenvolvimentista. É preciso contornar essa situação com trabalho, comungando de boas relações e amor à cidade outrora estopim do progresso da região do Arari.

Apoio: Firenze Cosméticos

OBS.: Postagem por solicitação do autor, com autorização dos responsáveis pelo “blog”.

PUBLICIDADE

468x60
Login -