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Blog, direto de Brasília

Olá!

Estou diante de um novo desafio na minha carreira de jornalista. Já fui repórter, editora, colunista de jornal. Agora terei um blog, para levar a você, com independência e seriedade, informações, bastidores, análises e curiosidades da política de Brasília e do Brasil.No dia 4 de março, entra no ar o Blog da Paola Lima (blogdapaola.com.br).

Para marcar este acontecimento, receberei amigos e, tomara, futuros leitores, para o lançamento oficial do meu blog.

Espero você no lançamento do “Blog da Paola Lima”, no dia 4 de março, a partir das 7 da noite, no mezanino do Mercado Municipal, na 509 Sul.

Para quem curte ler política, com uma jornalista séria e verdadeiramente imparcial. No ar, a partir de 4 de março.

blogdapaola.com.br

Eu tô ouvindo…

…e tô achando “duca”. Descobertas, umas músicas que podem causar estranhamento mas que, no final, nos trazem novos ares e outras coisas mais.

O blog tem mais informações. E pode ser ouvido no site da rádio. Você também pode baixar aqui. O programa tem o aval de um dos caras mais interessantes que conheço. O grande André Stangl,

responsável por várias de minhas descobertas recentes em relação à música de qualidade.

Pra quem estiver no Rio

E o poeta/escritor/professor/conspira Sandro Ornellas estará presente na PRIMAVERA DOS LIVROS, no Rio de Janeiro. Clique aqui, no site da Feira. Ele vai lançar o livro e vai ler também uns poemas. Vai ser sábado, amanhã. Dia 01/12.
O evento vai rolar no Museu da República (Rua do Catete, 153 – Catete), de 29/11 (quinta-feira) a 02/12 (domingo). Das 10:00 às 22:00.

TVLIVRO

“A Scortecci e seus parceiros criaram a TV LIVRO, portal com a proposta de produzir, postar e divulgar, na internet, vídeos sobre autores, livros, leitura e literatura.
A TV LIVRO já está recebendo material para postar!
Então, aqui vai o convite: se você produziu ou conhece algum vídeo interessante sobre autores, livros, leitura e literatura, envie para nós.
Seu vídeo será avaliado e, se estiver compatível com a nossa proposta, será postado.
Sinta-se à vontade, aparecer na TV LIVRO é grátis.
Para enviar seu material, salve-o em um CD, no formato MPEG, com até 15 MB, e envie para o nosso endereço.
Agora, se você não tem o vídeo, a equipe da TV LIVRO cuida de tudo. Informações pelo telefone (11) 3031-3956.

TV LIVRO

www.tvlivro.com.br

Rua Dep. Lacerda Franco, 187, Pinheiros – CEP 05418-000 – São Paulo – SP

Telefone: (11) 3031-3956

e-mail: tvlivro@tvlivro.com.br

Pra quem estiver em Salvador

Lupeu, entre aspas

E o poeta nascido nas terras “Cariri”, Lupeu Lacerda, deu as caras num blog literário aqui da Bahia. Vão lá. E dêem um saque em sua entrevista.

BOI ARUÁ

Eis aqui uma pequena (por conta de seu alcance; ainda muito restrito)obra de arte. Vale a conferida nas quatro partes disponíveis no youtube.

obs – vale dizer que num dos trechos tem o genial Elomar.

Folclore, por Dênisson Padilha Filho

Falar de Folclore é sempre uma missão difícil.Por alguns instantes hesitei em não lavrar estas linhas, confesso, por achar que é um assunto que se adequa muito mais a ser tratado em texto corpulentos, resenhas, ensaios do que em simples matérias breves.

Ora, porque tanto mistério acerca de tão óbvio assunto? Folclore, diriam, nada mais é do que Saci, Mula-sem-cabeça, Caipora; não é isso? NÃO!! Não é isso. Aliás, que bom seria se só fosse isso.

Hoje, na verdade, enquanto todos os setores supostamente ligados a Cultura se ocupam tão somente de relembrar e legar às suas crianças e adolescentes as versões adulteradas ou capengas, repetindo lendas de forma superficial e, diga-se de passagem, em tom jocoso, esses nossos jovens seguem claudicando e com os olhos enevoados ante uma estrada que para eles é desconhecida e que para nossa maior aflição, nada mais é do que a nossa desconhecida identidade cultural nacional.

Costumo sempre falar, atentando, é claro, em fazê-lo, em foro apropriado, que o Dia do Folclore é um mal necessário. Sim, porque viver nossa identidade, nossa memória, nossa ancestralidade jamais pode ser um fato específico de um dia perdido no calendário. É de causar consternação, só pensar que os nossos saberes, falares e fazeres estão agrilhoados em apenas um dia do ano. Nossa identidade virou peça de museu em favor de uma cultura e um modus vivendi americanizado. Hiberna em berço esplêndido o orgulho nacional. Para o meu maior penar.

O que se propõe, entretanto, não é que se cultue a três por quatro os traços identitários nacionais através de se vivenciar nosso fabulário, nosso rosário de entes mitológicos;não, absolutamente não é isso. Até porque este que vos lavra é suficientemente iconoclasta para não pautar-se em discursos de adoração;mesmo porque não creio que seja esta uma condição sine qua non para a salvação.

O que talvez seja mais fácil dizer é que, se é risível se crer na existência desses entes de alma e cor nacional, não menos risível e ridículo é crer e considerar a importante coexistência conosco de fadas e duendes da Europa Nórdica, por exemplo.

A essência de toda essa prosa acerca de tão famigerada data – leia-se isso assim, como uma data/instituição criada há muito e engordada no seio dos Centros Cívicos; marca registrada dos anos cinzentos de ditadura militar – é que não aceitar tradições ou olhá-las de viés, em soslaio de menosprezo é típico de nações atrasadas. Nações de povos sem noção.

Darcy Ribeiro disse que o Brasil é uma pátria adolescente. E como todo adolescente, tem vergonha da avó que é índia e do pai que é preto. Nunca encontrei colocação boa à altura para definir esta primeira fase dessa pátria. Frouxidão moral, assistencialismo passivo e ativo, guerras fratricidas? Tanto quanto, típicos de nações atrasadas. E rir-se, gaitar feito Caipora, enxovalhar de sua ancestralidade? Típico de nações atrasadas. Nações que tem em sua memória mais recente tão somente rumores de uma sociedade pretérita que olhou pra essa terra somente como um lugar em que “em se plantando tudo dá”. Não houve o exercício do amor pela terra naquelas quadras do tempo. Houve o exercício sim, da locupletação progressiva, acintosa e aviltante. Ficou nas plagas d’além mar a maior parte da honrosa Rude Cavalaria da D. Sebastião. Os poucos que aqui chegaram legaram aos seus herdeiros encourados uma condição mordaz, peculiar do heroísmo anônimo. E esses mais ainda se calaram, obstinados no seu exercício de furar caatingas.

Ainda espero, mesmo que seja na pele de minha vindoura descendência em 27º grau, ver brotar uma nação propriamente dita. E ali sim, naquele tempo, abstrair a desmemória na vida do brasileiro.

Tomaria fôlego pra mais 500 anos…

DÊNISSON PADILHA FILHO (1971) é escritor, poeta, contista e roteirista. Autor dos livros Gavihomem (Art Compet Editora, 1998), Aboios Celestes (Selo Bahia, Funceb, 1999) e Carmina e os Vaqueiros do Pequi (Santa Luzia Editora, 2002). Co-autor do roteiro do curta-metragem Na Terra do Sol (MINC, 2005), dirigido pelo cineasta Lula Oliveira. Também escreveu os ainda inéditos Epístolas ao Tempo (romance), Loquazes Gostamentos (poemas), Calumbi (curta-metragem/cinema) e O Jokerman sentado na pedra fria (curta-metragem/vídeo). Mais sobre o autor.

Em nome do pai, em nome do filho.

Li uma vez que o Budismo defende que a vida tem seu sofrimento implícito. Que ele faz parte dela, e vice-versa. São parceiros, algo assim. E que através da meditação, assim como de outros rituais singulares, podemos viver em contato com essa verdade essencial. E aceitá-la.

Claro que o que escrevo acima é uma consideração superficial. Não saco porra nenhuma da tal religião oriental. Nunca tive um real interesse no assunto. Travei contatos com amigos praticantes. Li um livro bacana de contos Zen, chamado A Tigela e o Bastão – cheio de fábulas belas e estranhas pro meu entendimento meia boca. E, vez ou outra, fantasio que posso algum dia me entregar a rituais. Tais como meditação.

Deve ter algo a ver com aquela fase genial dos Beatles indo pra Índia e prostrados na capa do Sgt. Pepper’s. Ou com os pés descalços do Paul na capa do Abbey Road.

***

Quando meu filho nasceu, não tive tempo suficiente pra nenhum pensamento semelhante a este. Cheio de referências e bobagens. Foi a mais pura emoção, em estado bruto. O maior momento da vida de um sujeito, um ápice. Eu flutuei sem ter que, necessariamente, articular o famoso “Aoooooooooooon”.

As pequenas coisas ganharam uma proporção maior. Dilatavam-se, explodiam. E eu mantinha meu querido silêncio ruidoso; zilhões de coisas sendo ditas em meu olhar falsamente sossegado no corredor daquela maternidade.

Lembro-me que pensei o quanto seria foda dali em diante manter velhas escolhas. Tatuagens, salutares hábitos etílicos, uma vida dotada de alguma alegria, os meus discos do Jethro Tull. Por mais que isso pareça estúpido, no momento citado acima foi o que me veio à mente: eu nunca mais seria o mesmo; estava enfiado num caminho sem volta de sisudez, seriedade e um bocado de tédio.

Pensava nessas coisas que qualquer um pensa quando saca que tem pela frente uma responsabilidade desse porte.

Porém, no momento em que eu me achava – ou seja, uma confusão dos diabos -, avistei outras possibilidades. Sendo a principal delas a de que meu menino vai me conhecer do jeito que sempre fui. O melhor de mim, o que quer que isso signifique.

Então fiz uma viagem inversa. E busquei amigos de bairro, velhos “souvenirs” esquecidos, músicas, sonhos. Redescobri na minha “persona” o sujeito desassossegado de sempre. Voltei a pensar nas minhas futuras outras tatuagens. Em cervejas, discos do Jethro Tull e do Ira!, fotos onde meus cabelos eram longos, carteiras de cigarro, quadrinhos do Frank Miller, conversa fiada no banco da praça em frente à minha rua e os livros.

Compreendi que o ele precisa de um pai que seja sincero consigo mesmo. E, como conseqüência, se torne um cara menos rasteiro.

***

O nascimento de Bernardo me ligou irremediavelmente à vida. Terei de aceitar o que vier dela. Assim como pregam os budistas de cabeças raspadas e longas túnicas vermelhas e amarelas. A nos dizer, com aquele risinho transigente, que não temos lá tantas escolhas assim. Mas que, apesar de tudo, esse negócio chamado vida pode ser algo mais autêntico. Seja ela o que for: uma piada divina ou um rascunho mal feito; uma puta diversão ou uma eterna guerra.

Eu terei de estar ligado às coisas que me cercam, de uma forma menos contemplativa – apesar de que não fui um cara de muita “contemplação”: meus momentos de reflexão sempre tiveram um traçado mais firme, um pé fincado nos acontecimentos e nas coisas que vivenciei. Nada mais de especulações vazias enquanto as coisas rolam debaixo do meu nariz. Nada mais de momentos chatos e Sartreanos.

A vida não é ruim nem boa: ela é.

A era das lamentações estéreis acabou. Não vai adiantar fechar as cortinas da janela quando estiver chovendo ou sem nuvem alguma. Vai ser preciso colocar a cara pra fora e emitir alguma opinião – nem que seja um ronronar mal humorado. Pois meu filho vai querer olhar lá pra fora e se divertir.

Só espero que essa tal vida Zen sem muitas escolhas venha pra nós de forma diferente. Com a certeza de que, caso seja realmente um troço inevitável e cheio de sofrimento, a gente possa tomar umas cervejas no dia do Juízo Final. Enquanto uma canção antiga se insinua num céu prestes a desabar sobre nossas cabeças.

"As flores do centro da mesa pegaram fogo"

Vivemos num mundo de falsas tolerâncias. A gente tolera tanta coisa, tanta merda, e, muitos de nós, pensamos em fugir disso. Ir para um lugar distante, onde as coisas sejam reais, fortes, bruscas e surpreendentes.

São poucos os momentos em que eu enxergo um novo caminho. Uma possibilidade de nova vida, um novo recomeço. Pode ser com uma mulher legal; lendo algum livro; escrevendo, como faço agora; triste, pensando em alguém ou algo que se foi. Existem várias maneiras de sacarmos que não estamos sós. E que este tal mundo novo é possível.
Escrevo tudo isso aí em cima, simplesmente para lhes dizer que amanheci na segunda-feira com tímidas lágrimas nos olhos, ao assistir o DVD Year Of The Horse, do diretor de filmes louquíssimos, Jim Jarmusch.
O DVD trata de imagens de shows, depoimentos, sobre e do próprio Neil Young.
Meus caros, vocês que sempre pintam por aqui, já leram muitas coisas legais. Mas lhes garanto que, de fato, me comovi com a performance do Neil, do Billy Talbot, Ralph Molina e da figuraça – sempre enigmático, com seus óculos escuros e sua barriga proeminente, falando coisas engraçadas e verdadeiras – Frank “Poncho” Sampedro. Como não poderia deixar de sentir algo com alguns depoimentos sinceros, filmados em Super-8? Aquela imagem meio granulada, quase cor, mas viva, pulsante, explosiva.
É massa bruta. O centro da terra tremendo com as guitarras. É Neil Young detonando tudo, pulando feito entidade num palco, para milhares de pessoas. Luzes espocando, nuvens de final de tarde, cigarros, uma multidão em transe. É o pai do Neil falando, sóbrio, lentamente, numa cadeira bem centralizada – algo de equilíbrio na loucura e força do filme – , tendo por trás uma máquina de lavar (?).
É o “Poncho” dando o toque ao diretor do filme que tudo que eles falassem, nem aranharia a ponta do iceberg, para poder descrever a energia que rola entre aqueles músicos.
Eles estão perto do centro de alguma coisa mágica, como disse o produtor, falecido e homenageado magistralmente, com seu rosto quase desaparecendo, fumando um cigarro, enquanto um silêncio providencial se estabelece.
É ouvir Like a Hurricane e sacar que, enquanto a música tocava, um vento forte entrou por minha janela, e levantou a cinza de meu cigarro, papéis escritos, poeira, tristezas – e isso realmente aconteceu, juro!
É Neil Young, meus queridos. E nada mais que isso!

Year of the Horse (Idem, EUA, 1997)
Direção: Jim Jarmusch

Elenco: Neil Young e banda Crazy Horse
Duração: 107 minutos

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