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A ATUAL PANDEMIA DE INFLUENZA PODERIA TER SIDO EVITADA? – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Com o atual nível 5 anunciado pela OMS em relação ao vírus da chamada gripe suína do México, fica claro que se trata de uma pandemia. Não se sabe ainda a extensão e intensidade, mas o vírus já circula em diversos países e à proporção que as análises sorológicas dos pacientes forem se ampliando, maior será a evidência desta circulação.

O vírus da atual pandemia é o influenza de sorotipo A e subtipo H1N1. O influenza se divide em 4 sorotipos (também chamados gêneros na taxionomia clássica) A, B, C e Thogotovirus. Todos os sorotipos podem atingir humanos. O subtipo H1N1 representa um dos subtipos das combinações possíveis da glicoproteína N e H. São conhecidos 16 subtipos para N e nove subtipos para H. Em outras palavras a variabilidade destes vírus é enorme e nunca é possível uma vacina universal para todos eles. Na atual pandemia as vacinas levarão até seis ou oito meses para serem desenvolvidas. Não é incomum que a vacina chegue após a maior intensidade do “fogo”.

De qualquer modo uma determinada combinação destes subtipos costuma se adaptar ao ser humano e permanecer em circulação por vários anos. Este é o motivo pelo qual todos os anos o Ministério da Saúde do Brasil vacina a população de idosos contra tais vírus circulantes. A atual vacinação do idoso não tem efeito protetor para esta pandemia, mas protege contra o vírus já efetivamente circulante no país e por isso será concluída procurando as metas de vacinação.

A tendência do vírus influenza em promover pandemias (epidemias mundiais) deve-se em primeiro lugar à sua natureza infecciosa de vias respiratórias, se transmitindo facilmente pelo ar e por objetos contaminados. Em segundo lugar decorre da intensa movimentação humana entre os continentes, especialmente a partir do comércio mundial pós-industrial. Nos últimos 200 anos já foram identificadas 10 pandemias. Uma das mais conhecidas foi a gripe espanhola de 1918-1919 (anos da primeira guerra mundial), foi do tipo A e subtipo H1N1 (não o mesmo vírus atual, pois cada uma destas combinações dos subtipos possuem variações genéticas cruzadas), mas curiosamente começou na América do Norte (EUA) e tendo como reservatório o suíno (a seguir esta questão será melhor esclarecido em relação ao modelo aviário). A última grande pandemia foi a de 1968 (Hong Kong) com o tipo A e subtipo H3N2. Guarde este subtipo que terá importância a seguir. Além do mais considere que o influenza e seus váriso tipos e subtipos continuaram a circular e a provocar epidemias em vários países ao longo dos últimos anos.

O modelo de desenvolvimento e variabilidade do vírus envolve várias espécies de animais, especialmente aves, porcos, cavalos, mamíferos aquáticos entre outros. O modelo quando se refere aos humanos parece envolver, mais uma vez a economia. A intensidade da criação de aves e porcos para o abate se encontra na raiz da linha humana. O modelo leva a considerar a origem de quase todos os subtipos que atingem os humanos como oriundos de aves aquáticas, que espalham o vírus num largo horizonte intercontinental e se fixam no criadouros dos animais para abate. Então a granja e as pocilgas estão para a essência do modelo, como a aglomeração humana nas cidades é para a rápida transmissão interpessoal (pelo ar e perdigotos).

Então o modelo de decisão em Saúde Pública passa necessariamente pela questão do interesse econômico que envolve grandes empresas e grandes criadouros daqueles animais. Por isso é que incide uma feroz crítica à atual pandemia e envolve a Organização Mundial de Saúde, não sem razão liderada por asiáticos na atualidade. É que o modelo que apontava o caminho de uma nova pandemia já estava “anunciado” com a gripe de Hong Kong. A revista Science já identificara que o porco era um elo essencial para “forjar” no seu organismo o vírus aviário, tornando-o “apto” na adaptação humana e ampliando a própria virulência do H1N1 (subtipo dos suínos). Já havia a identificação de um aumento de virulência numa epidemia de porcos nos EUA em que se identificara que o subtipo H1N1 possuía genes do H3N2 da epidemia de Hong Kong.

Então fica claro que o ensaio da revista apontava uma linha para controlar a atual pandemia no interior dos criadouros de porcos. Se não fosse o Laissez Faire dos anos 90, quando o Estado Mínimo da Era Reagan considerava o Mercado acima de todos e as atividades econômicas um rolo compressor da sociedade, seria bastante provável que atual epidemia não estivesse ajuizando ainda mais a grande crise provocada por esta era.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

NESTA SEMANA NO BRASIL

PANDEMIA DE GRIPE

O mundo à beira de uma pandemia de gripe aviária? A história do século XX foi marcada por grandes pandemias de gripe. A espanhola entre 1918 e 1919 desenvolveu-se em três ondas, começa nos EUA e rapidamente atinge a Europa, quando entre o outono e o inverno tem a face mais virulenta das três ondas. Estima-se uma taxa de letalidade entre 6 a 8%, calcula-se que atingiu metade da população mundial, tendo matado entre 20 a 40 milhões de pessoas. No Brasil morreu o próprio presidente da república Rodrigues Alves. A outra pandemia marcante foi a chamada gripe asiática que começou em 1957 no norte da China e em dez meses era mundial e estima-se que matou um milhão de pessoas. Em 1968 ocorreu a gripe de Hong Kong que se espalhou pelo mundo todo.

Não sem razão o mundo poderia experimentar, começando na América do Norte, uma nova pandemia de gripe. No México já atinge centenas de pessoas nos centros urbanos e já matou 104 pessoas até o dia de hoje. Existem casos nos EUA, na Espanha e Israel. A velocidade com a qual a pandemia poderá se espalhar será bem superior aos demais anos, pois agora as viagens internacionais são mais velozes e mais freqüentes. Já existem dois casos suspeitos de brasileiros oriundos do México. O atual vírus causador é da mesma matriz das grandes pandemias citadas: o da asiática era do subtipo H2N2 e este é do subtipo H1N1. O mais importante é a enorme adaptação do atual vírus a várias espécies: segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças americano) se trata de uma mistura jamais vista que ataca simultaneamente suínos, aves e humanos.

SOCIEDADE , CONGRESSO E MÍDIA NACIONAL

Passagens aéreas, o Congresso Nacional, a mídia e os brasileiros. Com nossas famílias espalhadas por este continente chamado Brasil, passagens aéreas para visitá-los seriam o ideal nos tempos atuais. Viagem rápida e confortável. Ir ao exterior visitar as belezas do mundo, também é do agrado. Qualquer brasileiro gostaria. Bom, desse modo, a relação entre passagem aérea e os brasileiros está bem construída e argumentada.

O Congresso Nacional com passagem aérea, também. Os deputados e senadores vivem distantes de suas casas representando o sistema parlamentar do país. O que não encontra qualquer relação moral e ética é o uso de passagens como barganha, troca, favor, privilégio e safadeza com o dinheiro público. Um garotão como aquele deputado federal do RN é bem o tipo de gente que esta classe média irresponsável tem criado e revistas como a Caras, por exemplo, têm estimulado. Então a safadeza e o senso de privilégio a expensa do povo não tem relação. Agora, finalmente, aos líderes, ao “alto clero” que tanto espezinha o “baixo” nas páginas da mídia: onde se encontra um grande discurso contra esta safadeza? Por que os grandes líderes do Congresso não deram um basta nesta farra? Por que o estilo de reação foi de um “rapazinho” de Sobral, cheio do não me toques, dizendo: ministério público é o caralho?

Agora mídia e Congresso Nacional têm inteira relação. O papel da imprensa é informar sobre os fatos relevantes da sociedade e este das passagens do Congresso o é. Agora o modo, a intensidade e a boca viciada do cachimbo da imprensa é mera intimidação com o Congresso Nacional. Os esquemas concentrados em famílias, as concessões que ocorrem em tenebrosas transações fazem dos grupos empresariais da mídia nacional inteiramente suspeitos de intimidação ao poder concedente. No mesmo modo que sociedade se escandaliza com deputados e senadores, também cabe com o vampiresco comportamento do golpismo da mídia nacional.

Um novo símbolo soviético: o canivete e o martelo – Por José do Vale Pinheiro Feitosa

O mundo é um todo sem guarda e que só funciona como um organismo quando interessa aos homens. De outro modo, quando afeta seus interesses, é um pai padrasto, um furibundo deus do olimpo. E víamos nós por auto-estradas de várias pistas em cada sentido, atravessando centenas de quilômetros de canaviais e laranjais. Cidades nucleadas no meio de plantações como miniaturas de megalópoles: um paliteiro de edifícios. Carros e carros, caminhões transportando o consumo, fábrica produzindo, e quase nenhuma pessoa no horizonte ondulado da paisagem. Estamos indo por aí: Araraquara, Ibaté. São Carlos, ao largo da serra de Itirapina, Rio Claro, Cordeirópolis, Sumaré, Hortolândia e finalmente o aeroporto de Viracopos.

Um vôo da Gol Companhias Aérea, como muitos imaginam um rabicho dos ônibus urbanos de Nenê Constantino. E um nome de imperador guarda muitas adagas voadoras aos seus consumidores. Como aquelas sucatas montadas em carrocerias de caminhões rua acima e rua abaixo, carregando gente como tapurus numa ferida animal. E outro fato que se espelha igualmente no nonsense das regras aeroportuárias. Regras de detalhes, chafurdando no meio da missa, sem que o crente comungue com o corpo do cristo. A verdade é que para os dois amigos a Gol e a Infraero são peças da mesma tragicomédia.

Juro. Meu amigo tinha 15 anos quando foi ao checking da Gol, mas ao embarcar já estava de cabelos grisalhos, se tivesse que se referir aos tempos de brincadeira, teria brincado com a bisavó de alguém. Um vôo marcado para as 19:20 horas, o passageiro tem que chegar às 18:20 horas, mas só embarque às 10:40 horas, ao invés de chegar ao destino às 20:20 horas, chega às 23:30 horas. Comida? Trata-se da concorrência entre voadoras por sobre os estômagos dos seus passageiros (algo como a frase de Napoleão sobre os estômagos dos exércitos). Uma coca-cola choca, quando a aeronave já chacoalhava para descer, com um biscoito quebra-dentes. Bem que disse o meu amigo: só poderia ser um empresário da terra de Tiradentes.

E tem a enorme coerência da Infraero, ou outra coisa qualquer que põe uma dúzia de homens e mulheres, como pose de polícia federal, tudo em volta de uma máquina de Raios-X. Vem o meu amigo com um casaco, um pacote envolto em plástico não transparente e uma maleta de mão. Passa o casaco tudo Ok! O pacote também! Mas a maleta é feita prisioneira. Suspeita de terrorismo em última escala, algo fenomenal a acontecer sobre os céus de Campinas. O meu amigo é obrigado a abrir a mala, vasculhá-la de ponta cabeça e quem lá se encontra? O objeto do terror: um canivete que ele carrega para resolver problemas de um órtese que usa. Argumenta: eu venho com esta mala do Rio. Passou no Rio. O homem da Infraero, em sua pose de superioridade paulistana diz: foi erro lá no Rio. E lá vai o meu amigo de volta ao checking, na sigla de objeto retido, envelopar, preencher um formulário e um lacrar o objeto na retenção da aeronave até que no Rio numa complexa operação de segurança, lhe seja restituído o referido retido.

Volta e me encontro com a mala dele, o pacote e o casaco. Ele senta-se com seu ar bonachão e confessa o crime: retiveram meu canivete e deixaram, neste pacote, um robusto martelo de amolecer bife. Conjecturas? No pacote seguia uma lingüiça, fora o símbolo fálico que desviara a atenção da equipe em detrimento de um martelo? Havia nele três fartos pés de Almeirão Paulista junto com frigideiras e panelas no pacote existente. Teria aquilo confundido autoridades com o doce lar de suas fantasias e entre folhas e panelas recordaram-se da domingueira nona italiana, deixando escorregar pelos seus olhos aquela arma da amassar juízos? E a frigideira? Não poderia meu amigo, homem perigosíssimo, sair de avião afora fritando o quengo dos demais, até alcançar a cabine de comando e então ter seqüestrado o avião, até que lhe devolvessem o canivete?

Diante do nonense total só bastaria o avião ter escalas: primeiro na minha cama e depois na dele, já que a viagem fora vaudeville completo. E dia fora repuxado por tantos atrasos.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Sobre uma foto de Dihelson Mendonça na edição de hoje: por José do Vale Pinheiro Feitosa

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N
esta arteria vazia,
no interior da chuva torrencial,
a única companhia se vai de costas,
uma pick up quase escondida na névoa.

Do seu lado esquerdo,
o barro desce na enxurrada do canal,
arrastando os fragmentos sólidos do lixo,
e desce como um montante,
que promete o dilúvio arrasador.

E tu, oh! mulher nas tuas sandálias brancas,
tão desprotegidas dos vendavais,
trajando uma bermuda enlutada,
uma fina blusa de desamparo,
escondendo a bolsa dos pingos da chuva.

Tão solitária neste chão que se dissolve,
ao dreno dos céus em desmanche,
nem um simples alguém de companhia,
apenas tu e o imponderável do mundo,
tu e as incertezas do presente maleável.

AS TORRES GÊMEAS DE ROBERTO NEM TANTO AO MAR – Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Aviso: qualquer semelhança com determinado país é proposital, mas qualquer semelhança com personagens vivos ou mortos é mera coincidência das semelhanças que tanto nos recordam.

Não digo o nome e nem a família para não ferir a honra do patriciado nacional. Vamos que seja um Roberto, nem tanto ao mar ou à montanha, mas um Roberto riquíssimo. Dono de vasto império de comunicações e de um conglomerado de empresas que não fazem qualquer associação lógica, mas é riqueza e poder. E poder Roberto tem em excesso. Todo o resto da criação é lixo diante de Roberto e seu poder de transformar tolete em dourado de valor e ouro em lata reciclada. Agora acompanhe o dia em que Roberto se desgraçou.

Roberto morava numa mansão cheia de fantasias, como o Conde Lages em benefício da cantora de óperas Gabriela Bezanzoni. Nos terrenos do seu imenso parque, Roberto mandara construir duas torres: uma para controlar o império de comunicações e na outra todo o resto. Eram torres simbólicas, aliás, fálicas mesmo, ao invés de uma situação “biórquida”, era uma volúpia bífida. Natureza do Roberto. Mas uma natureza desta cheia de grana e poderes tem a gana de todos os infernos.

Pois uns moleques de uma favela não muito distante do latifúndio de Roberto deram para ir comer frutas no rico domínio e um resolveu cagar na escadaria de uma das torres. O outro, por imitação, não deixou a segunda sem a marca. Pronto a ira divina baixou na favela. A PM era pouco, a polícia Federal menos ainda, foram mercenários do FBI, da CIA da super Kroll, dizem que até táticos da Al Qaeda Roberto trouxe em sua imensa segurança.

As despesas com a vingança foram tamanhas, o vermelho rondou algumas empresas de cujas folhas de pagamento saíram os recursos. Mas o ser humano é imbatível e dois moleques do Alto da Boa Vista, longe do teatro de operações, até hoje não se sabe como, furou o bloqueio de segurança e repetiram o ataque sob efeito de laxantes. Mais de 12 horas após uma degustação de dobradinha com paio. Roberto chamou a máfia Russa, convocou a Camorra, dizem que subornou altos desembargadores, até mesmo ministro superiores, a vingança agora era sobre todas as favelas da cidade.

Deixemos Roberto nos seus delírios fecais. Vamos sair com seu filho mais velho. Em sonho tá meu compadre? Na Riviera esta semana, na seguinte no luxo de Paris, uma revirada em N. York e uma noitada em Tókio. Negócios familiares? Não gente fina, farra mesmo, dinheiro a rodo, mulheres, modelos, garotos sarados, mansões, carrões e o aumentativo abrindo um escoadouro na poupança de Roberto. O mais novo só aposta em coisa furada, se acha um gênio de Wall Street e aposta dia e noite. Se fosse ainda como os dândis ingleses apostando naqueles clubes masculinos, bebericando cherry e esfumaçando um cubano, ainda tinha estilo. Mas não, era um jogador em lap top, apostando em derivativos, com uma equipe de físicos construindo modelos matemáticos para estimar a valorização dos papéis.

E Roberto baixando o pau nos seus jornais, rádios e televisões nos seus inimigos do cujo sujo. Roberto não tinha dó. A ética de Roberto era aquela do próprio umbigo, o mundo todo veio dele e se mantém por ele. Quando, após oito anos de intenso combate ao terrorismo fecal, Roberto recebeu um telegrama avisando que o maior terror eram as contas dos filhos de Roberto, nem mais tempo havia para permanecer na torres gêmeas com a qual pensou dominar o mundo. Nem o cu dos pobre conseguiu.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

DE NOVO A RÁDIO CHAPADA DO ARARIPE – por José do Vale Pinheiro Feitosa

De volta de uma viagem ao Planalto Central, abro o Blog do Crato e quem escuto? A Rádio Chapada do Araripe. Com o locutor apascentando minha alma com seu “a” aberto e prolongado em Chaaaapada do Araripe. Mas, o Morais não vai gostar disso, a rádio é muito chique. Em vinte e quatro horas é como se alguém saisse pegando CDs de uma coleção moderna que vai do local ao universal, do antigo ao recente, de um estilo a outro. Agora tem um defeito, eita a briga agora é com o Dihelson, não tem nem um forrózinho eletrônico. Até que tem algumas pepitas no meio do cascalho. É difícil garimpar, mas é possível achar.

A CRISE DELES É A NOSSA – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Já temos consciência que uma crise econômica e, portanto, necessariamente social nos atinge? Parece que uma parte significativa assim o entende. Diante de fato novo desta contemporaneidade interpretações são feitas, o futuro é pensado e muitos se utilizam da crise como mote de disputas. Não é preciso dizer que nada a criticar, pois se algo desperta tantos efeitos assim, é natural que venha á baila. Se for a crise final do capitalismo, ou uma crise do qual ele emergirá menos neoliberal, ou que tipo de solução virá, quem são os culpados por elas, seriam etapas de avanço? Outro mote é próprio da disputa eleitoral que se aproxima no ano que vem. A oportunidade de a oposição derrubar o bom desempenho popular do presidente Lula, uma forma de impopularidade que gera oportunidade ao adversário. Por isso tantos motes como o da “marolinha”, ou a questão dos recursos federais para os municípios e vida que segue, pois haverá este ângulo da crise.

Mudamos de parágrafo e com ele para a crise como origem. A crise em primeiro lugar é a crise da liderança que emergiu vitoriosa da guerra fria. Emergiu com uma política neoliberal que tinha, nesta liderança, a armada por ameaça, a pujança tecnológica por encanto, a ficção cinematográfica como ideologia e o mercado como um Deus. Claro que um Deus terreno, a própria liderança: com sua moeda de pretensão de banco central do mundo, seu consumismo capaz de fazer crescer galpões industriais pelo planeta, seu estilo de vida e pensamento capaz de dar lições até as tribos mais remotas do Sahel. Em segundo lugar é a crise dos liderados, agora sem referências, desconfiados do líder, abandonados pelo eixo organizador e desprovidos de iniciativas. Junte o primeiro lugar e o segundo com o modo de eleger presidentes da república nos EUA (lembre da primeira eleição de Bush) e entenda a razão do primeiro presidente negro, descendente de africanos, morador da Ásia e que se entusiasma a ponto de dizer é o cara, com lideranças terceiro-mundistas. Entenda o líder de vestes rotas assumindo o papel do amigo do esfarrapado.

A crise de liderança, também não é divina. Pensando-se onipresente, onisciente e onipotente, os EUA tinham que viver a humildade do dia-a-dia. Ele só seria o que é se desse aos americanos o que desejam: emprego, renda e consumo. E como criar esta mágica. Aí é que vem o artifício que enfeita o horror dos tempos presentes. Ele inventa o que não tem, desregulamenta, flexibiliza, se torna uma criatividade sobre o encanto de coitados, criam mágicas que paralisam os demais povos. A primeira das grandes questões que referiam o valor, o preço, o quanto algo efetivamente vale em comparação com outra coisa é CONTABILIDADE. Sem uma contabilidade confiável, não se tem referência de valor de um negócio, de uma empresa. As contas confiáveis são fundamentais. Vimos que tudo isso se tornou engodo nos EUA. A outra face é a previsibilidade na aposta do capitalismo, aí as Agências de Risco, os modelos estatísticos, o paroxismo da econometria, se tornaram inteira ficção, estavam a serviço do invento e da criatividade dos chamados derivativos e por aí o EUA enganaram todo mundo.

Num dado a crise tem um sentido. Aquele de substituir a herança do pós-segunda guerra e restabelecer a consciência moral e solidária dos povos.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

FORA! LIXO NORDESTINO – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Em bem humorado “post” o nosso Dihelson Mendonça faz uma comparação favorável ao governo Fernando Henrique Cardoso em relação ao do Lula. Finalmente alguém encontrou alguma estatística em que FHC foi melhor que Lula e levou ao conhecimento do público em geral. Tudo comprovado pelo Diário Oficial da União. E está lá. As estatíticas desta “gentinha” que conquistou o Palácio do Planalto sem o menor estilo de vida: come tudo calórico – diz alguma sinhazinha de casa de fazenda. Mas tem mais, são brutos mesmo, comem pimenta como um ser primitivo (dois mil vidros). Além de brutos são todos cachaceiros, há uma hipótese que Dona Marisa, isso sim a primeira dama deste país, não faça outra coisa que não amassar limão e colocar açucar para adoçar as caipirinhas com as quais o poder se move. E tome deslumbramento, pois é isso o quê o que o povo esnobe pensa de quem elegeu nordestino e além do mais com este histórico de ser operário. E claro que, num tom desse, o humor de nariz tapado contra a gentalha subdesenvolvida que chegou além do que podia, termina azedando pois nestes itens de consumo não tem comparação com o FHC.

O Lula é um imbecil segundo este humor. O FHC levou de São Paulo para Bsb uma finesse da cozinha, a manteve pelos oito anos, mas as estatísticas bem humoradas apenas servem para comparar cifras em moeda, não serve para comparar itens de compra de consumo numa e noutra situação. Está tudo no diário oficial, lembram daquela briga dos cartões corporativos, quando a oposição tentou mais um escândalo e surgiu uma tal lista dos gastos FHC. Aí o escândalo mudou de lado: divulgar uma lista que era segredo e a imprensa foi atrás de quem a teria elaborado. Neste caso não interessou a comparação. E não interessa pelo simples fato de que se fosse para divulgar no circuito da Avenida Paulista, todos entenderiam o xiste, mas aqui no blog do Crato ou entre o povo que trabalha, cheira mesmo a preconceito social.

Vejam a conceituação de Dona Marisa como vendedora de marmita, do Lula como produtor de CD pirata e tudo identificado como farra. O tom deste texto é: a “farra do boi”. Só para lembrar: “farra do boi” era um modo de festa em Santa Catarina em que um boi era solto e torturado até a morte. O teor deste tipo de argumento já recebeu a senha de FHC desde o princípio do governo: sangrar o Lula e os PT até o fim. É um modo de fazer política, acho que o texto não foi escrito pelo Dihelson, um nordestino autêntico e até por que sabemos que isso circula pela internet e que a grande mídia anda falando nisso o tempo todo. Ultimamente foi sobre o inchaço de funcionários federais. Aliás só para usarmos como comporação segue alguns dados do Brasil segundo um estudo do IPEA publicado pela revista Carta Capital:

a) o emprego público segue o princípios de descentralização e municipalização de uma série de atribuições anteriormente federais – enquanto os empregos de federais despencaram entre 92 e 2009, o inverso ocorreu com os municípios.

b) enquanto no país mais liberal do mundo, os EUA o emprego público corresponde a 14,9% da população e no outro extremo na social democracia da Dinamarca a 39,2%, no Brasil não alcança nem 6%.

c) em comparação com países da América Latina se encontra abaixo de Argentina (16,2%), Chile (10,5%) e de uma série de outros países com poder de comparação dado do tamanho do Brasil.

Finalmente nem tão bem humorado assim: a comparação dos gastos da presidência da república ou seja do Palácio da Planalto com pessoal e recursos meios só pode ser encarado no campo da galhofa de má fé ou na ignorância do que seja o Estado brasileiro. Isso é apenas um conceito de arranjo institucional, pois na presidência, ou seja no Palácio do Planalto se agregou muito mais valor estratégico que no governo FHC. Reflete apenas o estilo de dois governos, pois no governo Lula toda a estrutura da casa civil, mais de oito secreatarias com status de ministério, além de conselhos da república estão ali localizado. Isso não é discutível, são opções de organização de estado, mas o humor quer transformar isso em desperdício e preconceito contra um presidente nordestino e operário.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

CARA: SAI DESSA! – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Nem bem o dia amanheceu e o Cara foi atacado como corrupto. Não, pode ser como o responsável pelo “governo mais corrupto da história”. Isso por um corruptômetro, invento sem igual: mede numa área específica, num tempo definido e jamais capta a ligação de todas elas. Ih! Mas aí tem o efeito “inocente útil”, votei no cara e ele me decepcionou, ele é o culpado da miséria, ele traiu a causa do povo. O corruptômetro tem outra natureza, gosta mais da corrupção federal, por vezes é tímido que avança no estadual e nunca no municipal. A principal característica deste corruptômetro é o tom condenatório, de um pecador à testa de uma espécie de inquisição “udenista”, o ideal seriam as letras de Carlos Lacerda e alguma rua “Toneleiros” para levar o “torneiro” ao suicídio. Pois é cara, o corruptômetro é política a serviço de um lado.

E tome Caetano, tome Regina Duarte com medo, tome o horror aos pobres, a defesa da Daslu, o ódio ao Chávez, aos Castros, ao índio boliviano e mais do que nunca ao “ignorante que nos governa”. Isso é um lado do embate. Mas é um modo de fazer política para “enganar”. A verdade é que não são capazes de formular suas verdadeiras bandeiras, pois no dia em que deste lado da política a corrupção for um tema único: “não fica um meu irmão”. Mas não é possível esconder as bandeiras: foram todas desfraldadas nos anos 90, anos do Estado Mínimo, da flexibilização de direitos trabalhistas, das maiores “jogadas” na venda do patrimônio nacional, da concentração de renda. Aqueles anos começaram com uma carta dirigida aos funcionários do Banco do Brasil: “controle suas emoções, agora você será dono de seu próprio negócio, faça sua demissão voluntária e terá um futuro muito melhor”. Isso é só um exemplo de uma ruptura daqueles anos.

Agora as máscaras caíram. Todos são financiados, todos têm suas empreiteiras, seus esquemas. Todos os partidos, bem dizendo. Esse é um problema da manutenção da estrutura eleitoral e partidária, tem-se que enfrentar. Isso ocorre com o “cara federal” e com o “cara estadual” e com o “cara municipal”. Quem não sabe disso é melhor se achar antes. Pois mais do que isso o pior é que apenas 6% dos brasileiros, entre 25 e 45 anos, de cor branca e com formação de nível superior, são os donos de todas as propriedades nacionais capazes de produzir renda. E agora qual o campo político e com quais bandeiras se vai desenvolver uma verdadeira democracia, aquela sem pais da pátria, sem heróis de ocasião e sem os grandes e fáusticos gênios.

É isso mesmo “cara”, a redução da política à monocórdia temática tem uma causa e suspeito que não é bem a tua.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

MEDÍOCRE GRAÇAS A DEUS – por José do Vale Pinheiro Feitosa

Eu sou tão medíocre que não acredito em Deus e, no entanto, estampo graças a ele. Mas sou medíocre por aqui assim nasci, me criei e ainda vivo. E sou um medíocre compreensivo. Isso eu não nasci, já fui muito mais intolerante. Agora olho para os gênios da raça e sei diferenciar entre pobres coitados que se imaginam além do desvio padrão como um andar próprio e aqueles que lá estão sabendo que são apenas desvios máximos da mediana. Apenas isso, uma categoria estatística nascida da mente humana.

Então em minha mediocridade, na sinonímia da modéstia (que grande esforço é necessário neste mundo individualista e esta compulsão “patológica” pelo “estrelato”), não sou um budista. Não procuro o caminho do meio. Apenas acho que beirando um dos lados, entendo o outro e por lá toda a estrada. Sou medíocre por expiração, mas não me canso de transpirar para encontrar uma simples, e desnecessária de valor monetária, pedrinha que brilha, só por que brilha ao sol e tão somente nele.

Gosto dos heróis? Racionalmente não: a vida coletiva é de uma dimensão dialógica tal que indivíduo algum pode realizar tal fusão de contrários. Estamos na escala de somatórias e no estrato real do humus (que origina humidade e humilde). Então não gosto de heróis, mas por vício de cultura tenho os meus. Não são objeto de reverência e nem ícones desmaterializados, estão no turbilhão da história e da vida material. Entre tantos, tenho meus heróis, os filósofos da batateira: João de Barros, Biô, Fan, Vicente de Maria Júlia, Zé de Dona Maria e uma lista tão grande em outros continentes e tempos que páro aqui pelo cansaço.

Em minha mediocridade gosto de dialogar com o povo do Cariri Cearense, através dos Blogs Cariricult e do Crato. Gosto mais ainda quando bandeiras são levantadas, de que lado seja, pois aí aquilo entalado na garganta vem a tona, desce de enxurrada como estas enchentes do Crato. Por isso aqui a minha homenagem ao HUGO ESMERALDO SOBREIRA por este verdadeiro grito Brechtiano bem no encerramento da cena. Aquela cena de Galileu Galilei: Triste é o povo que precisa de heróis.

E há quem diga por aí que medíocre é o povo que necessita de heróis.

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