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Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
1 abr 2009, 11:07
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Confesso que os meus 38 (trinta e oito) anos de vida – fato considerável se levarmos em conta que a expectativa de vida do brasileiro é em média de 72(setenta e dois) anos, isso quer dizer que falta-me somente menos de 50%, se chegar lá – não foram suficientes para assimilar, digerir , enfim compreender certas minúcias que acontecem em nossa existência. Pois bem, sabemos que a melhor maneira de se evitar um dano, é prevenir, inclusive adágio popular já diz “é melhor prevenir que remediar” , dessa forma, não se mostra razoável a meu ver, que diante de problemas na sua imensa maioria de conhecimento público e notório, continuem acontecendo entre nós e não seja tomada nenhuma providência para amenizar ou, o que seria ideal, evitá-lo. Vejamos de que forma se tentará expor, será feito aqui um esforço anormal para se obter tal êxito, espero alcançar.
Área da segurança pública. Assunto delicado, carecendo que sejam tomadas medidas em conjunto, sociedade e órgãos públicos , tudo com a finalidade de se “prevenir” e garantir a ordem e a moral. Todavia, não se tem mostrado eficiente os métodos utilizados, tanto o é que o nosso Pais continua sendo visto como um dos mais violentos do mundo, a metodologia empregada para coibir essas ações, a que tudo indica estão superadas. E nesse ponto é interessante notar o seguinte, qual a cidade brasileira que não tem conhecimento de um determinado local onde a incidência de algum tipo de delito ocorre com freqüência? Penso que dificilmente se encontrará um cidadão, por mais simples que seja, que não aponte um ou vários locais dessa natureza, inclusive a própria mídia faz esse trabalho, “dedurando” esses pontos. Entretanto, fica a dúvida: porque não agir justamente nesses locais, ou começar? A policia, quando registra uma ocorrência torna-se, indiscutivelmente, conhecedora do (s) local(s) de maior incidência, então, porque continuam acontecendo?
Transporte público. Outro tema instigante. Qual a cidade de grande porte que não padece desse mal? A quantidade de meios de transportes em massa é infinitamente menor que o numero de habitantes. E porque? Como é possível, ao contratar uma determinada empresa, concedendo-a poderes para falar e agir em nome da administração publica, não atentar para esse detalhe? Não seria importante – para não dizer essencial – analisar minuciosamente a empresa candidata com o espeque de verificar se ela conseguirá cumprir a contento as suas obrigações?Alguns dirão aqui que ela se submeteu a um processo de licitação e como tal estava em condições, sei não…. Quando se fala em transporte público, seria interessante investir não somente em veículos, avenidas, etc, porém, um planejamento que possibilitasse ao trabalhador deslocar-se de sua residência até o trabalho, a pé. Ou seja, a construção de pontos de trabalho próximo a residência do trabalhador, estaríamos dessa forma contribuindo para obtenção de três fatores essenciais, quais sejam: menos estresses do trabalhador, um meio ambiente menos poluído e diminuição das despesas publicas.
Saúde. Tema que “dói” , afligindo um percentual assustador da população. Em pesquisa recente, constatou-se que o grande dilema do brasileiro é a saúde. Não sou profissional da área, nem pretendo expender dados técnicos, entretanto acredito não ser necessário para expressar minhas preocupações. A nossa política voltada à saúde é aquela arraigada no velho entendimento de que só devemos procurar ajudar especializada quando estivermos “morrendo”, logicamente não generalizo, alguns profissionais trabalham essa questão de forma diferente, buscam a prevenção como forma de solução, e na maioria das vezes, são felizes. Todavia, entendo que construir hospitais, não significa preocupar-se com a saúde, o verdadeiro cuidado esta na prevenção, no cuidado, na advertência, nas campanhas eficientes. Nesse ponto a população é uma co-parceira desse empreendimento, pois quando insistimos, por exemplo, em exagerar no sal, no açúcar para nossos pequenos filhos, ou quando o ente público compra merenda escolar na mesma toada, isto é inadequada, estamos plantando ai doença, diminuindo a expectativa de vida, aumentando a possibilidade de maiores gastos do governo, sem esquecer aumentando os índices de mortalidade no Pais, daí a necessidade desses setores intensificarem esse tipo de campanha, não de forma superficial e longe de atingir a uma grande parcela da população, com é feito atualmente.
Com essas considerações, que passam longe de cientificas ou até intelectuais, registro a minha modesta opinião, deixando para aqueles que dominam o assunto apresentar a nós outros, alternativas de colocarmos em prática formas de alongar a nossa existência nesse mundo de meu DEUS, permitindo que as idéias floresçam não depois do problema enraizado, não acredito ser eficiente – apesar de ajudar um pouco – medidas tomadas, ou prometidas, depois do caos implantado, da guerra instalada, devemos estar atentos a tudo e a todos, evitando assim que sejam necessárias intervenções bruscas, antipáticas e, muitas vezes, paliativas, a meu ver é melhor “fechar a cacimba do que depois resgatar o desavisado no seu interior”. Sorte e paz a todos.
Por Luiz Cláudio Brito de Lima

Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
31 mar 2009, 17:06
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Conta-se – e aqui infelizmente não sei a fonte, pois li em algum lugar já há muito tempo – bem como reproduzo à minha maneira, que um determinado político brasileiro, era perseguido diuturnamente por um jornalista, esse, em seus artigos sempre encontrava uma forma de “alfinetar” o seu desafeto, criticar sua atuação parlamentar. Porém, um determinado dia esse profissional da comunicação procurou o representante popular, dizendo que precisava urgentemente de uma reunião. Ao chegar ao gabinete, a secretaria ao vê-lo sentiu um violento acesso de ira, temperado com uma pitada de desespero. Após as saudações de praxe, o visitante rogou falar com o político, nesse momento a secretaria diligentemente pediu que aguardasse um pouco. Em seguida ingressou na sala do chefe, e não conseguindo esconder o semblante de missa de sétimo dia, fato esse que de imediato fora indagado qual o motivo daquele estado, respondendo que o desalmado jornalista, que tanto almejava sua ruína, sua total destruição estava ali, há poucos metros, querendo lhe falar. E completou meio que perguntando e ao mesmo tempo alertando: o senhor não vai recebê-lo , não é? Para surpresa da fiel funcionaria, a resposta foi prontamente positiva, advertindo inclusive que tratasse o visitante muito bem. Sem entender nada, cumpriu suas ordens.
Passados alguns minutos – poucos aliás – ordenou a secretaria que o convidasse a entrar na sala. Ao vê-lo, o político o abraçou, tal qual fazemos quando visitamos um filho que mora longe, acariciou as costas (um misto de tapinhas e deslizamento de mão que ia das vértebras cervicais, passando pelas torácicas, quase chegando as lombares, um perigo…) , gentilmente puxou uma cadeira para que sentasse, perguntou o que gostaria de tomar: água, suco, refrigerante , vinho, enfim , era só “mandar”. Ato contínuo, sentou-se à mesa, olhando nos olhos do seu “grande amigo” e perguntou qual era o problema, como poderia ajudá-lo. O convidado, ainda assustado, sem entender nada, relatou o problema, na verdade o escopo da visita era para fazer-lhe um pedido pessoal, disse que sua situação era delicada, que não estava atravessando uma boa fase, contou seus anseios, o peso que carregava nos ombros. Precisava de sua interseção. O interlocutor ouvia atentamente, tomava nota, fazia perguntas, olhava para o pedinte (não no sentido literal, lógico) o seu olhar inclusive lembrava muito aquele equipamento médico-hospitalar, “ressonância magnética” , pois é como se ele olhasse todo seu interior, vendo seus órgãos, violando sua intimidade, arrancando suas entranhas. Não tendo mais o que falar, o visitante calou-se, emudeceu, apenas aguardou a resposta – que esperava ser desenganadamente negativa – todavia, para espanto geral o todo poderoso falou que ficasse tranqüilo, não se preocupasse, que “seus pobremas estavam resolvidos” , que utilizaria de todos os meios para atender aquela demanda, disse ainda, finalizando, que seu motorista o levaria em casa, ou em outro lugar que quisesse. Não acreditando no que acabará de ouvir, agradeceu imensamente abraçou o político, bateu em suas costas, e foi embora.
Após a sua saída, a secretaria entrou na sala, pálida, atônita, sem compreender absolutamente nada, e perguntou: como é possível, depois de tudo que esse sujeito fez, o senhor ainda vai ajudá-lo? Diante isso, o sábio representante popular, levantou, andou de um lado para o outro, parou em frente a humilde funcionaria e disse: minha querida e dedicada servidora, agora eu sei tudo que esse cidadão precisa, tomei conhecimento de suas aflições, sei de suas necessidades, sei do que precisa, e lhe digo: “… tudo que for possível fazer para atrapalhar e impedir que consiga seus objetivos, eu farei…”.
Moral da história: nunca conte seus problemas a qualquer “um” , pois esse “um” , pode além de não resolvê-los, torná-los ainda maior.
Por: Luiz Cláudio Brito de Lima.
P.S . A ilustração é do personagem Amigo da Onça, criado por Péricles de Andrade Maranhão.
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
28 mar 2009, 15:47
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Acordei disposto a mirar meu canhão, devidamente municiado e estrategicamente apontado para o além, quem sabe por uma felicidade do destino alcance um alvo semovente, ou estático ou quem sabe invisível. È provável, e necessário, que seja inofensivo, incapaz de esboçar reação, torna-sé-a mais fácil a tarefa, o abate. A indolência é requisito necessário para abastecer o instrumento à causar danos a outro(s), tanto materiais quanto psicológicos, morais. É uma dor que dói. Caso não obtenha êxito na mira, por provável falta de aferição, o alçapão, como segunda opção estará posto, às escondidas, aguardando a queda fatal, amortecida pelas sombras do inimaginável, recepcionado pelo rigor de um coração descompassado.
Quero crer que esse sentimento é resultado de uma noite pessimamente dormida, atribuída , com certeza, àquela “azeitona” da empada, pois a própria empada jamais causaria esse transtorno, outro dia mesmo comi várias, e não continha a maldita “azeitona”, porém a da noite passada tinha, ela estava lá, tenho certeza, eu a vi. Já sei, fácil resolver o dilema: se o problema, apesar de não ter certeza, foi a “azeitona” irei apontar minha fúria em sua direção, não terei piedade serei severo e eficiente. A dúvida é um dos piores sentimentos que acompanha o ser humano, segundo o nosso dicionário dúvida seria, entre outras coisas, hesitação, vacilação, desconfiar, ora, nenhum desses adjetivos me assegura a clareza necessária para estabelecer a responsabilidade da “azeitona”, será correto atacá-la? Não sei, penso que sim, caso se confirme sua inocência, não tem problema, o tempo se encarregará de consertar os prejuízos causados, as dores, serão curadas, o remédio será o interregno entre a fatalidade “provocada” e o esquecimento que nunca virá.
A circunspeção nesse momento falou mais alto, tal qual uma criança que acorda no meio da madrugada e percebendo a escuridão implora pela presença do Pai, refleti que a causadora desse ímpeto de valentia que ora me atormenta, poderia ser não da “azeitona” , e sim da empada, apesar de, mais uma vez nunca ter tido qualquer problema com esse ultimo, todavia, sempre tem a primeira vez, e essa com certeza poderia ser a primeira vez. Decidi-me, ajustei meu canhão, estabeleci a meta, mirei o alvo, estava pronto para destruí-la, não a empada, eu quero a “azeitona”, essa é a grande causadora desse sentimento, aquela outra jamais faria isso, preparei para acionar o botão e de uma só tacada, exterminaria a “azeitona”. Nesse instante o telefone toca, atendo e do outro lado uma pessoa com uma voz um tanto quanto angustiada, falando totalmente arrítmico tenta me dizer a todo custo alguma coisa, peço-lhe que tenha calma e fale compassadamente, esse se controla, retoma a situação e me diz: Senhor, aquele refrigerante que lhe enviei ontem, juntamente com as empadas, estava estragado, por favor, peço que não o consuma. Após ouvir a preciosa informação, uma paz invadiu minha alma, a serenidade se fez presente, a quietação tomou morada, a lucidez me foi apresentada. Permaneci inerte por alguns minutos, entretanto, como que no passe de mágica, nova onda execrável de sentimentos se apoderou de mim, olhei para os lados, procurei o meu canhão, reajustei os seus comandos, agora precisava encontrar novo alvo, estava determinado, procurei a direção, apertei o botão e “bummmmm” , visualizei um clarão imenso, muita correria, muito desespero, alcancei o meu objetivo: a “azeitona”…..
Por : Luiz Claudio Brito de Lima.
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
26 mar 2009, 09:01
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Em outras oportunidades, diga-se de passagem muitas, defendi o direito sagrado a livre manifestação, a possibilidade de expor de forma clara, bem como fundamentada, logicamente identificando o autor das idéias, a linha de pensamento que cada um acredita ser “verdadeira” . Todavia, e aqui peço meus mais sinceros respeitos àqueles que pensam de modo diverso, imagino que tudo na vida há de ser feito com parcimônia e , acima de tudo, respeitando o que o outro entende à respeito de determinado assunto(s). Não faço , nem tampouco dirijo esse singelo texto a ninguém em especial, ou a situação qualquer, até mesmo por não ser do meu feitio proferir comentários anômalos, pois costumo ser objetivo naquilo que falo e escrevo.
Apesar de não escrever ou comentar já há algum tempo nesse excelente meio de comunicação, sempre que posso “visito” esse canal, porém, percebo, com todo respeito, que alguns assuntos insistem em estampar essa revista interativa, temas que a meu vê provocam reações desagradáveis, inflamam valores individuais, alteram comportamentos. É provável que alguns digam que esse tipo de visão nada mais é do que uma forma de impor o silencio, de vedar a livre manifestação, de calar , de impossibilitar o direito sagrado de “pregar”. Engana-se quem pensa assim. O que almejo nessas poucas letras é estabelecer um liame entre o que pensamos, e de que forma os outros receberão essas informações; trazer a baila dados, noticias que contribuam para uma visão mais ampla acerca de determinado tema, é indubitavelmente salutar, todavia tentar impor, imaginar que se conseguirá “enfiar goela abaixo” preceitos, na sua imensa maioria individual, beira , na minha concepção, abuso no direito de manifestação.
O objetivo de um blog – como o que escrevo agora – é possibilitar debates, comungar idéias, discuti-las, etc., entretanto, trazendo assuntos diversos, temas regionais, nacionais e por que não mundial, quando se traz as mesmas matérias, o mesmo chavão, a velha posição baseada em situações, muitas vezes pessoal, cria-se um clima de antipatia, rejeição e apatia. Trava-se a capacidade cerebral de buscar alternativas, ampliar os nossos conhecimentos – os meus, eu confesso, são minúsculos, daí a necessidade de aprender outras coisas – sem olvidar que quando o assunto é o mesmo, o canal perde a capacidade genérica, para sê-lo especial, tal qual uma especialização que fazemos em uma universidade, tratando sobre tema especifico. Penso não ser o caso do blog do Crato, pois esse , mesmo com as dificuldades que sabemos que enfrenta o seu administrador, pessoa competente e que não mede esforço em mate-lo no ar, possibilita “todo” tipo de manifestação, não um só tipo de manifestação, inclusive essa. Porém, como afirmado acima, alguns assuntos fadigam, inapetece, quando não irrita por sua insistência, seu gosto insípido.
Os meios de comunicação, na sua imensa maioria, brinda-nos cotidianamente com tragédias, corrupção, violência, todo tipo de agrurias, “misérias” , fato esse , graças a Deus, nos é poupado aqui, talvez por esse motivo é que a quantidade de pessoas que aqui vem , o fazem por esse motivo, provável que se deliciem com as belas poesias de Claude, Socorro; com os belos “causos” do amigo Carlos Eduardo; com os textos da sempre generosa Magali; com as importantes informações geográficas do professor Ludgero; com as belas mensagens de Mônica; com as informações precisas do Dihelson; com o dia a dia em matozinho; com os cálculos matemáticos do Valdetário; ou com a previsão do tempo ( nem sempre exata).
Por fim, não desejo de forma alguma criticar , nem tampouco julgar quem quer que seja, até mesmo por não ter a menor condição de fazê-lo, almejo com isso acender em cada um a chama da liberdade de expressão aliada ao zelo, e a preocupação que devemos ter com aqueles que irão desfrutar desses belos textos. Sei também que a vida não é uma utopia, que a aspereza caminha lado a lado com a esperança; que a dificuldade enxerga a fartura; que a fé é algo pessoal e intransponível; que a felicidade é um valor próprio e indivisível; que a vida, para muitos, vai além de viver; que a cura ou a recuperação para determinado mal, pode ser encontrado justamente onde não imaginávamos encontrar. Paz e fé a todos.
Por : Luiz Cláudio Brito de Lima.
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
6 mar 2009, 10:17
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Era um dia típico de verão, o sol parecia querer demonstrar o quanto estava insatisfeito com a poluição que reina nesse planeta, as nuvens provavelmente com receio da fúria do sol, dissiparam-se, decidiram na noite anterior desaparecer em forma de gotículas, quase que imperceptíveis. As flores restaram inertes, sem nenhum movimento, com certeza sentiam a falta da brisa, essa também não deu o “ar” da graça, o sol é poderoso, impõe medo, desespero, afugenta, quando não causa estragos.
Aquele andarilho já havia andado quilômetros – a final seu nome leva a essa conclusão – sentia vontade de muita coisa, sobretudo beber um pouco de água, sentar em baixo de uma sombra, quem sabe uma que lhe proporcionasse além da calmaria, uma fruta para apaziguar seu estomago, que lhe trouxesse o conforto para a alma. Andou mais e mais, não encontrou a tão almejada arvore, muito menos fruta alguma. A frente avistou uma linda casa, pomposa, com detalhes na parede que lembravam o mar – ah o mar, com aquelas águas deliciosas, pena que não se pode beber a água do mar, pois apresenta um gosto estranho, diferente da do rio – resolveu chamar o proprietário daquela residência e lhe pedir água, ou quem sabe um prato de comida, se possível com uma fruta, chegou próximo ao portão, por sinal imenso, imponente, majestoso, lembrava o da igreja que tinha o habito de ir aos domingos, será que existia ainda? Tomou coragem e tocou a campainha, esperou, nada, tocou novamente, mais alguns instantes persistia o silêncio, desistiu, continuou a jornada.
Um pouco a frente encontrou um bar, não muito luxuoso, mais com certeza havia o que comer, solicitaria ao dono do estabelecimento um pouco de água, sem logicamente esquecer da fruta – como é bom uma fruta. Pediu licença, entrou. Um senhor que estava no fundo da venda levantou-se de forma enérgica e antes que chegasse mais próximo, foi logo dizendo: O que você quer? Quem mandou entrar no meu comércio? Pode ir saindo logo, não gosto de vagabundo, maltrapilho. O andarilho aquietou-se, perdeu a língua, não teve coragem de fazer ou falar nada, apenas deu meia volta e saiu. Não compreendia porque fora tão maltratado, não fez nada de errado, pediu licença antes de ingressar na casa alheia, se aquele senhor não podia ajudá-lo, bastava dizer, que ele iria embora. Prosseguiu, agora com o espírito ferido, a alma dilacerada, não era bandido, criminoso, não justificava ser tratado assim, da mesma forma que era respeitador exigia respeito.
Mais a frente deparou-se com um terreno imenso, uma espécie de chácara, o paraíso, o oásis, a terra prometida. Dessa vez iria aguardar a autorização para entra naquele sitio, casa, chácara, seja lá o que for. Parou na frente do portão, esse não era tão sofisticado como o outro, anunciou-se, ninguém respondeu, chamou mais alto, sem nenhum efeito, gritou, clamou, porém sem resultado. Lá no fundo avistou várias arvores frutíferas, viu goiaba, manga, caju, até seriguela. Próximo as arvores percebeu uma torneira, com certeza com muita água, bastante, seria possível até um banho, quem sabe. Pensou, pensou, e não hesitou pulou o muro e encaminhou-se até as frutas, ficou na duvida: devo comer primeiro algumas frutas ou tomo água? Até imaginou que poderia colher algumas e levar consigo, distribuindo aqueles que também sentiam fome, perdeu muito tempo com essas indagações, nesse interregno ouviu uma voz: quem esta ai? Se for ladrão, comece a rezar que não tenho piedade não. Ao ouvir aquela ameaça entrou em pânico, mais uma vez ficou na duvida: corro ou pego a fruta? Fujo ou tomo água? Restou imobilizado por alguns instantes, por fim tomou uma decisão, pegaria algumas frutas, subiu na primeira arvore que encontrou, era um pé de goiabeira, quando estava a uns dois metros e meio de altura, conseguiu, apesar da distância, enxergar seu algoz, seu ameaçador, que também o avistou, nesse instante, ele esticou a mão para pegar uma goiaba, porém, juntamente com o seu movimento um tiro foi disparado, parece que caprichosamente calculado. Pronto, quando ele agarrou sua fruta, sentiu uma imensa dor no peito, pensou em soltá-la e verificar o que estava acontecendo, que dor seria aquela, pois nunca havia sentido nada igual, logo em seguida sentiu outra dor, agora no ombro, seguidas de várias outras, por partes diversas do seu corpo, sentiu uma fraqueza – pensou ser a fome aliada à sede – não se conteve caiu, rolou do alto da arvores, ricocheteando entre os galhos, parou no chão, do lado da torneira – ah que linda torneira, deveria ter muita água ali – olhou em sua volta, avistou um senhor se aproximando, baixinho, gordo, com cara de mau, ao passo que se aproximava reconheceu aquela figura, era o proprietário do mesmo bar que há pouco o destratara. Encarou aquele ser desprezível, fixou no fundo dos olhos, percebendo que segurava em sua mão direita a fruta tão desejada, fez o que seria seu ultimo movimento, ergueu o braço, procurou a direção daquele senhor, e com a voz estorvada disse: “se soubesse que lhe faria falta, não ousaria entrar e pegá-la” e como se pretendesse entregar a furta ao seu legítimo dono, esticou os braços em sua direção, porém, seus braços tal qual a de um recém-nascido perdeu a coordenação, caiu ao encontro do solo, a goiaba tão valiosa rolou e parou aos pés do assassino.
Nesse momento, de forma inexplicável fez-se escuridão no céu, o sol até então altivo, sumiu, escafedeu, retirou-se para a chegada dos primeiros pingos da chuva, que começaram a cair lembrando lágrimas de uma criança que teve seu brinquedo subtraído, só que nesse caso o brinquedo furtado fora uma bem valioso: uma vida humana.
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
15 fev 2009, 09:57
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Deixando um pouco de lado os assuntos ásperos, sem querer dizer com isso que não devam ser tratados, afinal refletem uma necessidade humana; acordei hoje com uma imensa alegria em viver, em poder enxergar as maravilhas deixadas pelo criador, em contemplar um passaro emitindo seus primeiro gruídos, na possibilidade única de apreciar o nascer do sol, em verificar que meus filhos a cada dia que passa apresentam inovações, tanto emocional quanto física, fato muitas vezes despercebidos; hoje abri os olhos disposto a não ler noticias ruins, a não ver a “miséria” dos outros, a não jogar a primeira pedra, ao contrário , evitar que tais pedras atinjam outrem; comprometi-me a ter um dia iluminado, alegre, feliz, em harmonia, comecei dando um bom dia ao porteiro do prédio, agradecendo por ter guardado a segurança de minha família durante toda a noite; resolvi ir andando até a padaria, deixei o carro no estacionamento, somente assim encontraria outras pessoas, poderia deseja-las um excelente dia; cumprimentei quem não costumava fazer, essas, olharam-me de modo estranho, todavia, responderam com um sorriso contagiante, deixando-me surpreso e arrependido de não ter feito antes.
A responsabilidade em viver um mundo melhor é nossa, cada um carrega consigo esse poder de mudança, poder esse com reflexos não somente naquele que pretende tais mudanças, porém, em todos que com ele convivem, essa corrente necessita apenas do impulso inicial, o resto é por nossa conta, não podemos amolecer, esquecer de mante-la unida, em constante reforço, o resultado desse processo será muita paz, alegria e um mundo mais cheio de solidariedade.
Por fim, e pedindo escusas caso esteja demasiadamente piegas, porém e como me sinto hoje, transcrevo música do querido Silvio Brito chamada “terra dos meus sonhos”, que reflete exatamente o meu sentimento, bem como, que essa “terra” é aquela almejada por todos. Feliz domingo a todos.
Você precisa conhecer a minha terra…
Lá não tem guerra, nem polícia, nem ladrão.
Não tem partidos de esquerda ou de direita,
Todo mundo se respeita, isso que é constituição…
E além de tudo, tem mulheres muito lindas
E guardam ainda no olhar a sedução.
Todos trabalham e se divertem sem censura e com fartura,
Pois é repartido o pão.
Não tem prefeito, nem banqueiro, nem juiz
E no entanto o povo é muito feliz.
Felicidade só se tem quando se doa,
Por isso na minha cidade a vida é boa…
E a vida é boa quando planta-se a semente,
Nem só na terra mas no coração da gente.
Você precisa conhecer a minha terra…
No alto da serra onde a lua beija o chão.
Lá não tem muros, nem um tipo de barreiras,
Preconceitos nem fronteiras de país ou religião.
Num mundo cheio de ternura e alegria,
Onde o amor floresce mais à cada dia,
Crianças crescem livres, fortes e sadias,
Entre os amigos e sem correr nenhum perigo…
É um paraíso aqui na terra e eu suponho,
Que esteja dentro de cada um,
A terra dos meus sonhos…
Felicidade só se tem quando se doa,
Por isso na minha cidade a vida é boa…
E a vida é boa quando planta-se a semente,
Nem só na terra mas no coração da gente.
(música de Silvio Brito)
Por Luiz Cláudio Brito de Lima
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
9 fev 2009, 07:40
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Não bastassem os problemas que afligem a sofrida população brasileira, estampada corriqueiramente nos principais meios de comunicação, os brasileiros foram surpreendidos – se é que pode utilizar essa denominação ingênua – com dados estarrecedores acerca de um parlamentar; dão conta às informações que esse representante popular, é proprietário de um “castelo” (isso mesmo um “castelo”, com todas as características, modos, detalhes, etc.) avaliado em mais de 25 milhões de reais – é tanto zero, que achei melhor escrever por extenso – segundo consta esse imóvel não teria sido declarado junto à justiça eleitoral ( que novidade….) , obrigação essa com amparo/previsão legal. Além do fato de ser proprietário dessa relíquia, tudo conforme matérias jornalísticas veiculadas na mídia, o Excelentíssimo deputado recolheria dos seus funcionários a verba atinente ao fundo de garantia por tempo de serviço, todavia, não repassava para a previdência social (o que, diga-se de passagem, é gravíssimo), além de outras fraudes trabalhistas.
Entretanto, comentam-se em “bocas miúdas” (impossível tratar dessa forma, pois se a mídia já tem conhecimento…) que ronda no congresso nacional, mais especificamente na câmara dos deputados, uma espécie de acordo, inclusive já com seu inicio no momento em que o parlamentar renunciou ao cargo de segundo vice-presidente e corregedor da câmara. Que acordo seria esse? Ora, o senhor deputado federal, renunciaria aos cargos mencionados – o que de fato já o fez, sendo inclusive aceito a renuncia pelo presidente da câmara – e em seguida, após uma “investigação” nas várias denuncias contra o político, esse seria absolvido, não correndo o menor risco de ser cassado, ou seja: abre mão dos cargos, e nós o “absorveremos” de novo. Resumindo: tudo acaba em pizza….
Quando ouço uma noticia como essa, confesso que fico por horas tratando de esquecê-la, procuro concentrar-me em meu trabalho, lembro de meus filhos, apanho um livro diferente, imagino que comentar esse tipo de informação acaba sendo um desserviço a alguns poucos, que seria mais útil comentar culinária, ou falar de esporte, por fim, um assunto mais “agradável”. Entretanto reflito com maior sensatez, penso justamente no futuro dos meus filhos, quem sabe netos, e chego à conclusão que devemos sim nos manifestar, extravasar o sentimento de repúdio, de inconformismo, insatisfação com boa parte desses senhores congressistas (vale também às assembléias legislativas e câmaras municipais) que pensam somente em seus “umbigos”, que não enxergam nada a frente que não seja interesse próprio, que só aprovam medidas de cunho social, quando “ganham” alguma coisa em troca. É bem verdade que existe exceção no meio desse mar enlameado, é verdade também que esse grupo que exerce de fato o verdadeiro significado da palavra “política”, encontra enormes dificuldades para deixar transparecer que naquela casa reina o bom senso, labuta-se em nome da coletividade, busca a igualdade social, tenta-se (ao menos) possibilitar ao cidadão brasileiro viver com dignidade, saúde, educação, enfim que seja permitido sentir na essência o que a Constituição de 1988 prevê em seus principais artigos e incisos, afinal, essa é ou não a constituição cidadã?
Façamos aqui um apelo aos verdadeiros políticos que representam literalmente a população brasileira, aos senhores parlamentares que atuam no campo ético, que não permitam conchavos, acordos nefastos, benevolência com àqueles que não a merecem; que atuem com firmeza, punindo, extirpando do seio do congresso nacional todo parlamentar indigno de lá estar; que transmitam a todos os brasileiros que a justiça existe; que a igualdade social é o objetivo primordial; que a fome deixará de existir e a educação alcançará seu ápice; que seremos um País bem preparado, com maior geração de empregos; que viveremos com saúde e que nossos filhos pensarão em terminar os estudos, cursar uma boa universidade pública, e contribuir para o desenvolvimento cientifico, tecnológico do Brasil.
Em contra-partida, façamos nós todos uma reflexão acerca de nosso comportamento diante esses fatos, qual a responsabilidade de cada um, contribuímos ou não para a sua ocorrência. Infelizmente chego a conclusão que somos partícipe nesses fatos lamentáveis, digo isso por uma questão elementar: de que forma esse senhor chegou até o poder? Como se deu o processo de diplomação desse político? Indiscutível que a elevação de cidadão comum a cidadão “especial” decorreu de um ato nosso, quando saímos de nosso lar, naquele domingo em que deixamos o convívio com a família e fomos exercer nosso direito sagrado: o voto. O grande problema é que, na grande maioria das vezes, exerce-se muito mal esse direito, colocamos pessoas para nos representar sem ao menos saber nada sobre esse cidadão, sua conduta, sua vida pregressa, seu campo de atuação profissional, não nos preocupamos em fazer da forma que agimos com àqueles que vão trabalhar no interior de nossas casa, buscando dados complementares, falando com outras pessoas que tiveram aquele individuo como funcionário; a nossa omissão é um dos grandes aliados para que fatos como esses continuem tomando conta dos noticiários, enquanto não houver consciência, a imagem de nossos políticos será essa. Dessa forma, façamos também um apelo ao povo brasileiro, prestem atenção, atentem para a importância de seu voto, não o troque por nada, nem por um “castelo”.
Uma nação vive de exemplo, se amolda em personalidades conhecidas, segue meia dúzia que aparecem com maior freqüência na mídia, buscam comportamento tidos como “corretos”, daí a importância de demonstrar a toda a população quais as condutas não devem ser seguidas, que se apropriar de dinheiro alheio é crime, que mentir não cresce o nariz, porém, diminui o caráter, enfraquece a alma; que uma pessoa que ganha aproximadamente doze mil reais por mês (o que, diga-se de passagem, é um valor elevado para a média salarial do Pais) mesmo assim, não tem condições de adquirir um “castelo” de vinte e cinco milhões de reais; que a conquista de bens materiais é gradativa e demorada, que a aquisição repentina de bens, pode ter quatro origens: trabalho, herança, jogo de azar ou meios ilícitos, esses dois últimos devem a todo custo ser excluídos; esse é o momento adequado para o nosso congresso nacional “dar exemplo” ao povo brasileiro, demonstrar a sua importância, seu poder, sua finalidade social; em caso contrario, restará a população brasileira uma lição de impunidade e utilização de todos os meios inadequados para se obter sucesso, e o grande problema desse mal exemplo será se todos pretenderem ter seu “castelo” a qualquer custo….
Por Luiz Cláudio Brito de Lima
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
6 fev 2009, 05:17
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Conforme recentemente fiz publicar texto acerca da liberdade de manifestação, direito esse assegurado à todos, bem como, com o espeque de trazer aos leitores dados e/ou informações sobre determinado(s) assuntos(s) , possibilitando um visão mais apurada sobre temas atuais (ou não tão atual) , tomo a liberdade de transcrever apresentação do livro “ Dom Helder Camara, o profeta da paz” , de autoria dos senhores , Nelson Piletti e Walter Praxedes, obra resultado de um processo minucioso, tanto por meio documental, como testemunhal, traçando ainda uma abordagem geral sobre a vida desse religioso.Inclusive tendo sido indicado ao prêmio nobel da paz, não obtendo êxito, segundo consta,por interferência política. Por fim, e mais uma vez o escopo desse texto é somente levar aos “blogueiros” (utilizando uma linguagem mais moderna) , conforme registrei comentário em artigo publicado recentemente, possibilitando – ou tentar – uma visão mais ampla sobre assunto tão delicado, no caso em apreço a religião. Dessa forma, com o espírito carregado de desprendimento, aceitação e curiosidade , vamos nos fartar com essa obra que, em um primeiro momento, nos apresenta um viés da história , a que tudo indica, totalmente desconhecida por uma grade fatia da população brasileira. Boa leitura a todos.
“O ano de 2009 marca o centenário de nascimento de dom Helder Camara, talvez a figura mais brilhante e polêmica que a Igreja brasileira já produziu. Chamado pela imprensa ora de “bispo vermelho” ora de “santo rebelde”, Helder Camara foi amado pelo povo e odiado pela alta cúpula dos governos militares. Por isso mesmo os julgamentos a seu respeito se polarizam. É fácil transformá-lo em figura mítica com postura rebelde, acima do bem e do mal. Em virtude de sua pregação libertadora em defesa dos mais pobres – que ultrapassou as fronteiras nacionais e continentais – e de sua atuação política e social, foi perseguido e caluniado. É igualmente fácil dizer que ele era o típico padre de passeata, pregador de utopias, manipulador de massas com discurso que misturava Deus e Marx. Difícil é manter a isenção diante de figura tão poderosa. Daí a importância deste livro, escrito por Nelson Piletti e Walter Praxedes. A obra – resultado de intensa pesquisa, numerosas entrevistas e análise objetiva de documentação farta e inédita – não investiga apenas a trajetória de dom Helder. Como toda boa biografia deveria fazer, situa o biografado na História do Brasil, estuda as relações entre militares e a Igreja brasileira e entre esta e o Vaticano. Pela importância do biografado, pelo período que analisa, pela escrita elegante e gostosa de ler, esta obra está destinada a ocupar a atenção dos leitores” .
( fonte: http://www.editoracontexto.com.br/livro.php?livro_id=430)
(…) Para a avaliação das qualificações de dom Helder Camara ao prêmio Nobel da Paz, há certos pontos a ser destacados: sua mensagem de não violência na América Latina de hoje pode ser considerada importante para a conservação da paz, já que representa uma real alternativa ao aumento do terrorismo e dos movimentos guerrilheiros. Sua coragem pessoal é indiscutível, é um homem de prestígio e importância, o que faz com que a sua mensagem seja ouvida tanto no Brasil como no exterior. (O Sunday Times de 17 de maio mostra-o como o homem de maior influência na América Latina depois de Fidel Castro). Além disso, Câmara não representa apenas ele próprio, mas também uma grande e importante corrente dentro da Igreja Católica da América Latina. Jakob Sverdrup Consultor do Comitê Nobel do Parlamento da Noruega – Oslo, 1970. (…)
(trecho do livro “ Dom Helder Camara, o profeta da paz” , editora contexto).
Por: Luiz Claudio Brito de Lima
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
3 fev 2009, 06:21
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Assistimos ontem no congresso nacional uma das cenas mais incoerentes da história da república (sem exagero) , difícil de ser digerida pelo eleitorado brasileiro, principalmente aquele que já tinha aversão ao tema política, restando agora com mais motivo para afastar-se desse assunto, penso que esse brasileiro sentiu vontade de ir , quem sabe, encontrar-se com os “ets” em matozinho – conforme último texto publicado por Jose Flávio, com chegada de “ovni’s naquela local.
Como explicar ao cidadão alheio ao que acontece no meio político, que a eleição no congresso nacional “atendeu aos interesses nacional”, e não refletiu exatamente o que pensamos do congresso nacional, ou seja: defende-se ali os interesses individuais; como esclarecer a esse brasileiro que o partido que apóia o governo (pmdb), inclusive com vários cargos nesse, debandou-se e lançou candidatura própria – não esqueçamos que nas duas casas – como explicar que a oposição (psdb), partido de comportamento ferrenho ao atual governo, apoiou incondicionalmente o candidato do próprio governo á presidência do senado? De que forma fica a cabeça desse cidadão mediano ao ouvir políticos, como o senador Tasso Jeiressat – aquele mesmo que proferiu graves acusações, durante anos, contra esse mesmo governo – fazer um discurso inflamado no senado federal e, justificando seu apoio á candidatura de um colega que outrora é tido como “adversário político” , afirmar que age dessa forma por amor ao pais, a sua convicção????
Aceitar a argumentação que “política é assim mesmo” , pois, sem esses “acordos” não se governa, é concordar com a prática viciada, arraigada na intolerância de se fazer ou ser político. Como podemos conclamar aos jovens que se engajem no processo eleitoral, que tomem conhecimento das questões que afligem o Pais, que participem, se os nossos representantes brincam com o poder, estabelecem valores que julgam corretos, valores esses que mudam conforme interesse individual / partidário. Não é crível que a mudança repentina em uma determinada classe política, deu-se em função de “amor ao Pais” , que essa alteração comportamental ocorreu justamente com o espeque de defender a nação.
O resultado das eleições no congresso nacional do dia 02 de fevereiro do ano em curso, nada mais foi do que o reflexo de uma conduta individualista, partidária, corporativista que ronda o imaginário de boa parte daqueles que detém o poder. O apoio ao partido antes considerado “inimigo”, não foi nenhum comportamento altruísta, mas sim uma ambição pelo poder, pois com a suposta eleição do pmdb ( o que de fato ocorreu) , temia–se o fortalecimento dessa ultima agremiação partidária ,e como tal colocaria em risco o plano da oposição em lançar um candidato à altura para as próximas eleições presidenciais, governamentais, proporcionais, etc. Querem vê o fundamento lógico/político de nossos representantes? Pois bem, com a candidatura de uma figura indicada pelo próprio governo ( apesar desse esta bem contado nas pesquisas de satisfação popular) , restaria fácil combatê-la , pois esse trabalho já vem sendo feito há muito tempo; em contrapartida, uma candidatura de um outro “novo” político (partido), principalmente pmdb – pela sua expressão representativa – significaria um risco às pretensões da oposição.
Dessa forma coloca-se em pratica a seguinte tese: faltando pouco tempo para novos pleitos eleitorais, a melhor saída seria disputar com um adversário que se conhece os pontos fracos, suas feridas, isto é, sabe-se com quem esta jogando; já um novo adversário, principalmente de um partido expressivo, conhecedor das entrelinhas partidárias, pode-se ter surpresas, o que de fato vai acontecer. Certo é que as lições do nosso congresso nacional, passam longe de pedagógicas, talvez, se aplicadas em uma sala repleta de vendedores surtisse mais efeitos, afinal, vale tudo para realizar uma venda.
Resultado da eleição no congresso nacional: a oposição achando que trairia o noivo, foi traída pela noiva, que casou com o seu padrinho, e ainda subtraiu as testemunhas. Difícil não é?É nada…
Por Luiz Cláudio Brito de Lima.
Escrito por Luiz Claudio Brito de Lima
Crônicas
1 fev 2009, 17:42
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Segundo a doutrina católica, casamento seria: “O pacto matrimonial, pelo qual um homem e uma mulher constituem entre si uma íntima comunidade de vida e de amor, fundado e dotado de suas leis próprias pelo Criador. Por sua natureza, é ordenado ao bem dos cônjuges, como também à geração e educação dos filhos. Entre batizados, foi elevado, por Cristo Senhor, à dignidade de sacramento”.(Catecismo da Igreja Católica, n. 1660).
Já para os protestantes, casamento seria uma fundamental instutuição divina, onde se estabelece uma aliança entre o homem a mulher e Deus, aliança essa de grande responsabilidade, bem como indissolúvel, conforme Jesus nos ensinou , conforme insculpido no livro de Mateus: “. . .o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6). Ainda na escritura sagrada, agora em I corintios, 7:39: “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor.”
Já atinente ao uso das alianças, teriam sido os hindus os primeiros a usar alianças de casamento. Tendo sido trazida essa tradição para o ocidente por gregos e romanos. Entendiam ainda, que a aliança seria como um “contrato de compra” da mulher (noiva) e também uma espécie de aviso aos menos atentos, pretendendo dizer “ela já não estava mais disponível”. Após o século IX, a Igreja Cristã a adotou como símbolo de fidelidade. Ainda segundo o tema aliança, os gregos e romanos diziam que o quarto dedo da mão esquerda, o que usamos a aliança, seria o mais correto para tal finalidade, pois, acreditavam que por ele passava uma veia que seguia diretamente para o coração.
Pois bem, depois de feito essas breves considerações, vamos ao cerne da questão: porque o matrimônio esta em desuso? Para analisar essa mudança comportamental da sociedade vamos fazê-la, ou ao menos tentar, sob prisma social. Deixando claro que a abordagem do assunto tem-se, único e exclusivamente trazer a baila, de forma simplista, um tema de extrema importância, conclamando aos ilustres colegas e leitores que participem do debate, trazendo outros dados e opiniões que julgarem importantes.
Um dos aspectos no campo social, ao nosso entendimento, deu-se a partir da emancipação feminina, resultado de um processo natural e necessário, pois ao longo dos anos a mulher foi deixada em segundo plano, era excluída de todo tipo de decisão, não lhe era permitido opinar em nenhum tipo de assunto que não fosse cuidar dos filhos, do lar e ser totalmente submissa ao seu senhor, o marido. Com o decorrer dos anos, a mulher foi apercebendo que sua contribuição no meio em que vivia poderia ser muito mais eficiente que ficar em casa administrando o lar. O que de fato aconteceu, e hoje temos a participação maciça, trazendo beleza, charme e competência em tudo que faz.
Todavia, essa mesma ruptura com os moldes repressivo de outrora, serviram como alavanca para chegar à conclusão que o destino de sua vida, estava somente em suas mãos, não dependiam mais de ninguém, e como tal, o comando era único e exclusivamente seu. A partir desse momento, a tolerância com o comportamento do esposo diminuiu, já não era mais possível aturar o marido chegando tarde em casa, e cheirando a álcool, nem pensar; as observações feitas antes, quando consideradas ofensivas, passaram a ser rebatida de pronto, não esperando outra oportunidade. Ai começaram os problemas…..
Atentaram as mulheres que as mãos que balançavam o berço, era a mesma que, se necessário, conduziriam um bi-trem; perceberam que aquela voz frágil e delicada assumiria um tom grave que calaria uma sala de aula repleta de marmanjos; sentiram que a falta de força física para trocar um pneu, era psicológica, e se inevitável, ergueria um veiculo para tirar sua cria de baixo; notaram que administrar um lar era muito importante, todavia, se tivesse que conduzir uma empresa faria com a mesma competência; perceberam que a vida era muito importante, e hoje, recuperam muitas; brigavam por justiça na família, nos dias atuais fazem-na para todos que necessitam.
Na contra mão dessa evolução, nós, homens, (boa parte), deixamos a barriga alongar-se; esquecemos de dizer eu te amo; “traímos” nossas mulheres com o trabalho, dando a esse mais atenção; alguns se contentaram e acostumaram a ficar em casa “administrando o lar”; não mais nos olhamos no espelho, não nos vemos mais, perdemos o reflexo. As afirmações que se faz são corroboradas com o grande numero de separações e/ou divórcio registrado no País. Outro dado: vejam nossos pais, avós, bisavós, etc., quanto tempo permaneceram juntos. Os mais jovens é provável que não entendam isso, entretanto, os mais experientes sabem que o casamento de ontem, já não é mais o mesmo. Não se tolera mais nada, não se suportam, não se agüentam.
O resultado desse processo é mais do que lógico, a instituição “casamento” transformou-se em uma relação instável, com prazo determinado, com filhos divididos entre dois lares, e com a clara e nítida sensação que ambos perderam muito tempo, que saem da relação com graves sequelas, com magoas imensas e a certeza que nunca mais assumirão o compromisso de viverem até que a morte os separem.
Por Luiz Cláudio Brito de Lima
