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Com saída de Gil, Lula "perde seu trovador", diz jornal

Com a saída de Gilberto Gil do Ministério da Cultura, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “perde seu trovador”, afirma uma reportagem do jornal espanhol “El Mundo”.

O artigo da versão online do diário –que também registra brevemente o fato na versão impressa desta quinta-feira– diz que Gil deixa o Ministério com um balanço positivo, ainda que isso o tenha impossibilitado de fazer tantos shows quanto gostaria.

“Gil, de 65 anos e um dos mais emblemáticos representantes da música popular brasileira, disse que pretende deixar que as coisas ocorram com normalidade”, disse o jornal, em artigo intitulado “Lula perde seu trovador”.

Segundo o “El Mundo”, Gil adotou um “claro tom de despedida” ao falar em um evento no Rio de Janeiro, antes mesmo de apresentar sua demissão a Lula.

“Espero que tenha sido importante para o Brasil que um artista tenha desempenhado com relativa facilidade o papel de ministro”, disse o cantor, de acordo com o jornal.

A reportagem ressalta que, durante sua gestão, Gil “incluiu no patrimônio nacional expressões culturais como a capoeira, o frevo, o samba de roda e a pintura corporal dos índios”.
Ao deixar o Executivo federal, o artista apenas realiza um desejo –o de voltar aos palcos– que já vinha alimentando desde o ano passado.

“[O ministro] já havia deixado claro que renunciaria em 2008 devido a que os discursos estavam prejudicando [sua voz]“, escreveu o “El Mundo”.

Fonte: Folha On Line – 31.07.2008

Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção é tombada pelo Iphan

Desde o início de sua construção a Fortaleza
de Nossa Senhora da Assunção passou por
várias obras destinadas à sua conservação e reparação.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan aprovou no dia 15 de julho o tombamento da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, do século XVII, que deu origem e nome à cidade de Fortaleza, no Ceará. O evento aconteceu no dia 15 de julho em Salvador (BA) durante a reunião do Conselho, que é constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e delibera a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio nacional.

O parecer técnico do Iphan incluiu a fortaleza nos três Livros do Tombo: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico e das Belas Artes. A proposta foi uma iniciativa do professor José Liberal de Castro, da Universidade Federal do Ceará (UFC), a pedido do Comando da 10ª Região Militar. Ele é também integrante do Conselho e o responsável pelos estudos históricos e arquitetônicos que acompanharam o processo de tombamento.

Base da 10ª Região Militar, a fortaleza está localizada ao lado do Passeio Público, monumento já tombado pelo Iphan. A edificação foi erguida numa área onde vários fortes foram construídos desde as primeiras tentativas de colonização e o local deu origem ao primeiro povoado da região, atualmente a capital do Estado.

Atualmente sua estrutura é constituída por pedra, cal e tijolo, e a edificação se encontra em boas condições gerais de construção. As maiores alterações produzidas em seu conjunto foram realizadas após a segunda guerra mundial, quando as instalações passaram por novas adaptações e reformas.

Breve histórico

A partir de 1649 foram construídos vários fortes, que passaram por sucessivos desmoronamentos, no local. Até então conhecido como Forte Schoonemboch (em homenagem ao governador holandês), em 1654 o forte foi tomado pelos portugueses e nomeado Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.

Em 1812 começou a ser construída a atual fortaleza, que foi praticamente concluída em 1817. De 1857 a 1860 outras obras foram realizadas, e a edificação passou então à categoria das fortificações de segunda classe.

A velha fortaleza foi desarmada pelo governo da República em 1910 e passou a ser considerada apenas como dependência do quartel ali instalado. No início da primeira guerra mundial seus canhões de bronze e importantes relíquias foram comercializadas e fundidas.

Mais informações:Assessoria de Comunicação – Iphan
Fones: 61 3326 8014 / 3326 6864 e 9972 0050
helenabrandi@iphan.gov.br
carine.almeida@iphan.gov.br
ascom@iphan.gov.br
Fonte: Ascom – http://portal.iphan.gov.br

ANISTIA TARDIA

Com 98 anos de atraso, o governo declarou na quinta-feira 24 que está anistiado o marinheiro João Cândido Felisberto, o famoso “Almirante Negro”, que liderou em 1910 a Revolta da Chibata, no Rio de Janeiro – dois mil marujos insurretos ameaçaram bombardear a cidade exigindo o fim dos castigos corporais nos navios. Na época, o presidente Hermes da Fonseca negociou o fim da revolta com a anistia que nunca foi dada. João Cândido morreu em 1969, aos 89 anos.

Por Tatiana de Mello
Fonte: Revista ISTOÉ N° 2021
http://www.terra.com.br/istoe/

A FÉ DA RAPAZIADA

O Brasil possui a terceira população jovem mais religiosa do mundo, segundo estudo da consultoria alemã Bertelsmann Stiftung: pelo menos 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos declararam que seguem uma religião. Esse índice coloca o País entre os mais religiosos do planeta – estamos apenas atrás da Nigéria e da Guatemala. Marrocos e Indonésia (países muçulmanos) têm os mesmos índices do Brasil (predominantemente católico). Os jovens brasileiros também estão entre os que mais rezam: 74% declararam fazê-lo diversas vezes ao dia, embora um terço deles tenha admitido que não vive totalmente de acordo com os preceitos da religião

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Por Tatiana de Mello
Fonte: Revista ISTOÉ N° 2021 – http://www.terra.com.br/istoe/

Cultura, Fé e Tradição: Debate com Prof. Océlio

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Na Semana do Meio Ambiente, uma homenagem à nave nossa irmã

Anda,
quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa,
Vem que tá na hora de arrumar.

Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante,
Nem por isso quero me ferir.

Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor.

A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor, o pé na terra
A paz na Terra, amor, o sal da…

Terra, és o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro,
Tu que és a nave nossa irmã

Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos,
Tu que és do homem a maçã

Vamos precisar de todo mundo,
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão

Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois

Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor

(O sal da terra, de Beto Guedes)

Festa do Pau da Bandeira: Fé e Carnavalização – Por Océlio Teixeira de Souza

A festa de Santo Antônio/Em Barbalha é de primeira
A cidade toda corre/(É um fuzuê medonho)/Pra ver o pau da bandeira
Olha quanta alegria/Que beleza/A multidão faz fileira
Hoje é o dia/Vamos buscar o pau da bandeira
Homem, menino e mulher/Todo mundo vai a pé
A cachaça na carroça/Só não bebe quem não quer
Só se ouve o comentário/Lá na Igreja do Rosário
Que a moça pra ser feliz/Reza assim lá na Matriz:
Meu Santo Antônio, casamenteiro.
Meu padroeiro, esperei o ano inteiro.
(Luiz Gonzaga)

A música dos compositores Alcymar Monteiro e João Paulo Júnior, imortalizada na voz do saudoso Luiz Gonzaga, retrata com poesia, singeleza e riqueza de significados uma das maiores festas populares do Brasil contemporâneo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. A Festa marca a abertura dos festejos em homenagem a Santo Antônio de Pádua e constitui-se numa festa dentro da festa do padroeiro de Barbalha.

A devoção a Santo Antônio, no Brasil, remonta ao período colonial. O teólogo e historiador Vergílio Gamboso, citando Frei Antônio de Santa Maria de Jaboatão, afirma que no Brasil dos primórdios “não era raro encontrar mais de uma imagem do Santo no altar … e que cada família fazia questão de ter o “seu” SA!”. [1]

Com o decorrer dos tempos Santo Antônio se tornou um dos santos mais queridos do Brasil. É o Santo com o maior número de Freguesias, cerca de 228, conforme afirma Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro. Essa popularidade, ao que parece, se deve a sua múltipla especialidade: santo casamenteiro, santo das coisas perdidas e santo do ‘pão dos pobres’.[2] Em Barbalha, a devoção ao taumaturgo de Lisboa remonta ao ano de 1778, quando teve inicio a construção da capela em sua homenagem. A exemplo de muitas outras cidades brasileiras, Barbalha cresceu e se desenvolveu em torno da igreja do seu santo padroeiro.

A devoção a Santo Antônio em Barbalha foi enriquecida por um elemento novo: o cortejo com o mastro pelas ruas da cidade, seguido do hasteamento da bandeira. Instituído oficialmente, em 1928, o cortejo, ao longo dos anos trinta do século passado, caracterizou-se por ser uma expressão religiosa oficial, marcado pela piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro. A partir dos anos quarenta, porém, o cortejo passou por um processo de popularização e carnavalização, conforme a concepção de M. Bakhtin. Para este autor, o carnaval medieval e renascentista constituía-se na “segunda vida do povo, baseada no princípio do riso. É a sua vida festiva.” Ou seja, o carnaval representava, mesmo que temporariamente, a criação de um segundo mundo, baseado na inversão brincalhona dos valores e hierarquias estabelecidos e na exaltação da abundância, da fertilidade e do baixo corporal[3]. Nesse processo, dois carregadores tiveram papel fundamental: um criador de gado e marchante, Vicente de Moça, nos anos quarenta; e um velho ferreiro, Melquíades Veloso, nos anos cinqüenta e sessenta. Os dois foram os responsáveis pela transformação do cortejo na Festa do Pau da Bandeira.

Atualmente, a Festa do Pau da Bandeira é um evento de grandes proporções. No dia de sua realização milhares de pessoas acorrem a Barbalha para acompanhar o cortejo. No último ano, 2007, estima-se que cerca de oitenta mil pessoas participaram da festa. Mas, quem são os homens que carregam o grande pau que servirá de mastro à bandeira de Santo Antônio? Quais são os significados desse ritual para os carregadores do pau?

Historicamente, os carregadores são homens das camadas populares. Assim tem sido desde os primeiros anos do Cortejo do Pau da Bandeira até os dias de hoje. As profissões ocupadas pelos homens que têm carregado o pau da bandeira, ao longo desses 80 anos, são as mais diversas. No entanto, dois grupos têm se destacado: os marchantes, que vêm desde a época de Vicente de Moça, e os “chapeados”, que foi um grupo que predominou nos anos 60 e início dos 70.

Atualmente, o grupo que se destaca entre os carregadores e que são considerados os “enfrentantes” é composto pelo chamado “grupo do mercado”. São cerca de 15 carregadores experientes. A maioria é constituída por marchantes, mas há também pequenos comerciantes, pintores, pedreiros, agricultores e outras profissões. Esse grupo constitui, informalmente, a comissão de organização e coordenação da Festa. Eles se revezam entre carregar o pau e coordenar, junto com o Capitão do Pau, os demais carregadores.

Vamos agora aos significados do Cortejo do Pau da Bandeira. Quero aqui destacar dois. Primeiro, o sentido de inversão: o Cortejo que deveria ser um ato religioso de piedade, fé e sacrifício em homenagem ao Santo Padroeiro, conforme orientação da hierarquia eclesiástica, foi transformado num espaço de afirmação social e religiosa dos carregadores, homens simples que, no dia-a-dia, ocupam posições sociais e religiosas inferiores. Eles, aos poucos, criaram uma forma própria de reverenciar e homenagear o padroeiro do município, marcada pela irreverência, pelas brincadeiras, pelo lúdico, enfim pelas suas experiências de vida. O espaço do Cortejo do Pau da Bandeira não pertence ao padre ou ao prefeito, mas sim a eles. Nesse espaço, as regras e as normas são estabelecidas pelos carregadores.

Um segundo significado que quero destacar é o Cortejo enquanto ritual de passagem da adolescência para a vida adulta e espaço de afirmação masculina. O objetivo de todo carregador é chegar à cabeça do pau, ou seja, carregar o pau na sua ponta mais pesada. Para tanto, existe uma disputa entre eles, que começa ainda na adolescência.

Nos anos 40 do século passado, as crianças e adolescentes iniciavam sua participação carregando as tesouras, pedaços de paus usados em X para auxiliar no levantamento do mastro. São muitos os relatos dos carregadores antigos, ou dos ex-carregadores, nesse sentido, como este a seguir: “O ano de 48, eu me achava com 14 anos. Eu posso dizer que eu participei de carregar o pau da bandeira, por que eu não ia carregar o pau, mas já tava carregando as tesouras. (…) Mas olhe então, por essa razão que eu me criei vendo aquele incentivo, que todo mundo só queria carregar o pau da bandeira era no pé do pau. Então foi isso que eu quis ocupar um lugar”.[4]

A realização e o prazer de carregar o pau na sua parte mais grossa são motivos de orgulho, expressos, sobretudo no momento do encontro do Cortejo com a multidão que aguarda o mastro na cidade. “Pra mim era tudo na vida aquele negocio ali… Era mesmo que tá no céu”, descreve um ex-carregador, referindo-se aos anos 50 e 60, quando esse encontro ocorria na Igreja do Rosário. Já outro carregador, também dos anos 50 e 60, descreve dessa forma a emoção do encontro: “A vontade é que se pudesse se levava só, porque aquela parte é a mais emocionante.”.

Para finalizar, quero destacar um fato, ocorrido provavelmente em meados dos anos 80, que demonstra de forma emblemática a importância que o carregamento do pau tem na vida dessas pessoas. O relato é de um antigo carregador: “Houve um ano que o pau muito pesado e ele atrasou e padre Euzébio quis trazer o pau da bandeira arrastado por um trator, rebocado por um trator. Aí houve exatamente uma revolta, por que ninguém…, os componentes do pau da bandeira gritaram lá que ninguém apegava, que trator nenhum do mundo encostaria naquele pau pra carregar ele. Então ele tinha que ser arrastado era no braço dos homens e não arrastado por trator.”

Océlio Teixeira de Souza, professor e pesquisador da cultura popular.

Referências
[1] GAMBOSO, Vergílio. Vida de Santo Antônio. Aparecida (SP): Santuário, 1994.
[2] CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 6 ed. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1988.
[3] BAKHTIN, Mikhail . A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 2 ed. São Paulo/Brasília, Hucitec/Edunb, 1993.
[4] Os nomes dos carregadores ou ex-carregadores foram mantidos em sigilo com o intuito de preservar sua identidades, bem como a privacidade dos mesmos.

Frase do dia…

‘Tudo o que é necessário para o triunfo do mal,
é que os homens de bem nada façam’.

(Edmund Burke)

Sobre a Sabedoria, a Ciência e a Educação

“As pessoas ainda não foram terminadas…”
Porque nosso DNA é incompleto, inventamos poesia, culinária…

As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.

O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”… O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”… É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.

Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.

Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.

Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mun­do é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando…”

É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo.

Eu mesmo já mudei nem sei quantas vezes. As pessoas da minha geração são as que viveram mais tempo, não pelo número de anos contados pelos relógios e calendários, mas pela infinidade de mundos por que passamos num tempo tão curto. Nos meus 74 anos, meu corpo e minha cabeça viajaram do mundo da pedra lascada e da madeira – monjolo, pi­lão, lamparina – até o mundo dos computadores e da internet.

Os animais e plantas também mudam, mas tão devagar que não percebemos. Estão prontos. Abelhas, vespas, cobras, formigas, pássaros, aranhas são o que são e fazem o que fazem há milhões de anos. Porque estão prontos, não precisam pensar e não podem ser educados. Sua programação, o tal de DNA, já nasce pronta. Seus corpos já nascem sabendo o que precisam saber para viver.

Conosco aconteceu diferente. Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.

Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo… Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos nascerem…

Rubem Alves – Educador e escritor
rubem_alves@uol.com.br

O Insaciável Estado Brasileiro…

Foto: Renato Stockler/Folha

Fechado acordo para nova CPMF

Líderes da base aliada fecharam acordo para propor a criação de um tributo que substitua a extinta CPMF e garanta recursos para a saúde. A alíquota deve ser de 0,1%. A oposição reage

Acordo entre os líderes da base aliada do Palácio do Planalto, selado ontem, definiu que os governistas vão mesmo propor a criação de um novo tributo com alíquota de 0,1% para custear o aumento de gastos para a área de saúde previsto no projeto que regulamenta a chamada emenda 29.

A decisão dos aliados foi tomada em um almoço na casa do líder do PTB, o deputado Jovair Arantes (GO), onde estavam representantes do PT, PR, PRB e PMDB. O acordo dos governistas atende à estratégia do Planalto, que pede novas fontes de financiamento para a saúde, mas não quer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assuma o desgaste de propor um novo imposto.

Na avaliação da base aliada, um imposto sobre movimentação financeira facilitaria a aprovação no Senado, que no ano passado rejeitou uma proposta de emenda constitucional que prorrogava a cobrança da CPMF. O projeto de lei complementar exige maioria absoluta para a provação e uma proposta de emenda constitucional – três quintos. O fato de incidir sobre finanças e de se tratar de “mais dinheiro para o SUS”, dizem os governistas, pode ajudar na aprovação.

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-SP), a contribuição será permanente e sua arrecadação, exclusiva para a saúde. A alíquota de 0,1% sobre as movimentações financeiras poderá arrecadar R$ 10 bilhões no próximo ano, segundo estimativa de Fontana.

Os recursos seriam adicionais à regra já estabelecida na Constituição, que destina para a saúde o montante gasto no ano anterior corrigido pela variação do Produto Interno Bruto (PIB). “A base do governo de forma unânime apóia o que estamos chamando de responsabilidade com a saúde e com as contas públicas”, disse Fontana. Segundo o líder petista, a criação do tributo vai substituir a forma de aumento dos recursos para a saúde estabelecida no projeto aprovado pelo Senado. O projeto do senador Tião Viana (PT-AC) obriga a União a destinar 10% de todas as receitas brutas para a saúde. Se o projeto do Senado for alterado na Câmara, a proposta terá de voltar para análise dos senadores.

Aumentos

Além da nova contribuição, líderes governistas estudam a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre cigarros e bebidas, também com destinação para a área da saúde. Esse aumento do IPI poderia significar R$ 1,5 bilhão a mais para o setor. Hoje, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), acenou com a possibilidade de adiar a votação da regulamentação da emenda 29. “Se for necessário um tempo maior para ter um acordo, vamos analisar. Em princípio, vou colocar (o projeto) em votação na semana que vem”, disse Chinaglia.

O DEM e o PSDB reagiram. “Não vamos apoiar essa proposta. Nada que aumenta imposto nós vamos votar”, afirmou o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Ele classificou de “chantagem” a posição do líder do governo em condicionar a aprovação da regulamentação da emenda 29 à criação de uma nova contribuição.

“Há excesso de arrecadação e excesso de gastos correntes”, afirmou ACM Neto, argumentando que há recursos no governo para custear o aumento de dinheiro para a saúde previsto no projeto. “Essa proposta (de criar uma contribuição) não tem apoio nenhum. Não tem discussão”, afirmou o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP). (da Agência Estado)

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/politica/, em 21/05/2008.

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