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Rádio Chapada…Me amarra !


“Linda, no que se apresenta
Meu sonho se ausenta
Vem a alegria…
Ah, corre e olha o céu…
Que o sol vem trazer…Bom dia !”

Foi esse verso que achei aqui.
A rádio chapada me alimenta de poesia !

NUNCA DIZER : FIZ UMA POESIA – Por :Fabio Brüggemann


NUNCA DIZER: “FIZ UMA POESIA”
Uma das coisas mais irritantes no uso da língua portuguesa – além dos cacofônicos “a nível de”, “estaremos enviando”, “eu enquanto sujeito”, “pretender objetivar”, “neste sentido” e outros vícios acadêmicos – é quando um pretenso poeta diz que “escreveu uma poesia”. O leitor tem todo o direito de não saber a diferença entre poesia e poema, agora, faz favor, poetas com livros publicados e tudo, associados a academias de louros e letras, fundadores de pseudo-grupelhos autodenominados livres – como se quem não pertencesse a seu universo fosse necessariamente preso – não têm direito de confundir poesia com poema. E como quem não quer nada, tentarei aqui explicar ao leitor (e me corrijam se eu estiver errado) a diferença entre uma coisa e outra.
O poema é o objeto, a espinha dorsal, a forma, o emaranhado de palavras antes de seu sentido, o significante a espera que o leitor atribua seu significado, o molde das idéias (porém, não as idéias), a caixa silenciosa que fala, o truque da língua, o cimento, a estrutura, a maquinaria textual, enfim, é tudo que lembra a fábrica, o concreto.A poesia não está apenas no poema. Reside nas películas a 24 quadros por segundo, nas xícaras que mexem da Fernanda, na música, no teatro, no olho da mulher que adora a palavra , e sobretudo no amor que sinto por ela, na intenção, no que se quer dizer antes que se diga, na estratégia, no pensar e no falar, na cor do miolo da boca, num filme de Godard, na tela de Edward Münch, nas coisas que não dependem de descrição, na intenção, no tudo que é abstrato.Aquilo que realça de preto no branco do papel é poema, o que se compreende disso é poesia. O que está impresso nos livros de poesia é poema, mas não é poesia. Pode se dizer “a poesia de Fernando Pessoa”, coisa bem diferente de se dizer “o poema de Fernando Pessoa”. O que se pode decorar é poema, o que se guarda sem se lembrar é poesia. Portanto, aquilo que se escreve é o poema, e ele pode ou não conter poesia, e a essência do que se desprende dali é o que se pode chamar de poesia. Faz tempo que não escrevo um poema, apesar de ter prometido a Vanessa um que fosse ruim, para que ela coloque na caixa de um projeto gráfico igualmente ruim. Tarefa tão inglória quanto escrever, talvez um bom poema. Mas, como diria o poeta Marco Vasques, não sou habilitado para falar de poesia e de poemas, porque sou ex-poeta, apesar de procurar aqui e ali uma poesia qualquer no meio dessa prosa porosa que é o mundo. A poesia está para a prosa, assim como o amor está para a amizade, cantou o poeta que nunca publicou um livro de poesia e que nunca escreveu um poema. Prova maior de que estas coisas se têm nomes distintos, devem ser mesmo diferentes.
Fábio Brüggemann

Perto, bem perto.

Uma pergunta que muita gente faz para quem escreve é de onde vem a inspiração. Antes de responder, sempre digo que a priori não creio em inspiração. O que já é uma resposta. Se não creio, como poderia saber de onde ela vem? A idéia da existência de uma musa que sopre no ouvido os versos já prontos ou de que o escritor é um sujeito passível de ser inspirado é muito antiga. Por conta disso, fica difícil desassociar escritor da idéia de musa. Escrever não é uma atividade comum, não exige curso superior, e a densidade escritor por metro quadrado é bem pequena. Para saber escrever é preciso, antes de mais nada, saber ler. Isso vale para qualquer atividade humana. Ninguém decide ser ator sem nunca ter ido ao teatro. Dificilmente um sujeito opta pela arquitetura sem ter se encantado com alguma forma, e por aí vai. Ao que chamam de inspiração, nada mais é do que uma espécie de memória afetiva, que vez ou outra surpreende com alguma imagem, ou idéia. Mas ela não é estranha, estrangeira, ou venha de fora de nós. Só podemos escrever sobre aquilo que conhecemos. Nem sei, na verdade, porque estou falando sobre isso. Talvez seja a famosa embromação, doença que acomete cronistas de vez em quando. Não por falta de assunto. Eles não faltam, basta abrir os jornais, caminhar no calçadão, ouvir uma conversa no café sem que os que falam percebam, ler um livro, enfim, conhecer alguém. Poderia falar sobre os dias lindos que têm feito, sobre o friozinho bom. Assunto nunca falta. Até mesmo a falta de assunto é um assunto. Mas tem dias que tudo fica meio entorpecido. Dá vontade de falar sobre nada mesmo, apenas sentar no banco da praça e contar quantos passantes têm blusa amarela, quantos usam anéis, ou no que está pensando aquela senhora com sacolas na mão e passo apertado. Vontade mesmo é de fechar os olhos e sentir o calor do sol, não dar nome às coisas, apenas querer ter nascido pelo menos vinte anos mais tarde, para que qualquer diferença não fosse sentida, não causasse confusão, e querer ficar perto, bem perto. Tão perto que nem o fio da luz do sol consiga passar por entre os corpos.

Fábio Brüggemann

Flor-de-maio – Por Fernando Sabino

Entre tantas notícias do jornal – o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés – há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram. Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta dágua, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada “flor-de-maio” está, efetivamente, em flor.
Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar. Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vista pela manhã ou à tarde, quando há sol – ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.
Suspiro e digo comigo mesmo – que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi – um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais “flor-de-maio”, e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade havera essa “flor-de-maio”.
No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém – uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as “flores-de-maio” do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânicoa ver a “flor-de-maio” – talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.
Ir só, no fim da tarde, ver a “flor-de-maio”; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo esta perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.”
(Fernando Sabino)
P.S.Recebi de uma amiga, e compartilho com vocês.

E o Crato entra na conversa – Por : Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes

Diariamente caminho com um grupo de amigos na pista de Cooper do Bairro da Torre, em Recife. Hoje, como sempre, a conversa fluía descontraída. De repente, o Crato foi citado por Dr. Otelo Schuambach, pediatra de renome, catedrático da UFPE, uma das referências médicas de Pernambuco. A curiosidade me empurrou para perto. Transcrevo o que ouvi por acreditar que pode contribuir para valorizar produtos da nossa terra. No início do ano, Dr. Otelo recebeu de um ex-aluno, hoje médico em Campos Sales, alguns quilos de filé de tilápia. A iguaria foi aprovada. Quis repetir a refeição. Apesar de o amigo ter se prontificado a mandar mais, não quis sobrecarregar o ex-aluno e buscou outra forma de se abastecer. Recorreu à net e no Google, chegou ao telefone do Restaurante Padim Ciço, em Campos Sales. Através dele conseguiu o número e ligou para o telefone de um comerciante de pescados daquela cidade e este indicou “Carlinhos de Luizinho”, no Crato, como fornecedor do produto procurado. Em busca de informações sobre a qualidade da mercadoria, recorreu a outro ex-aluno, Dr. Luciano Brito, para saber da idoneidade da empresa. O retorno foi positivo, os serviços de “Carlinhos de Luizinho” se regiam pelas normas da ANVISA, obedecendo regras de higiene e frigorificação e os produtos eram de boa qualidade. Diante disto, ligou para o comerciante e fez o pedido. Para sua surpresa, no dia seguinte, recebeu em casa os 10 kg de filé de tilápia da melhor qualidade e embalagem de primeira, tudo acima das melhores expectativas. Dr. Otelo, liderança médica na cidade, era só elogios ao serviço e recomendava aos colegas a fazerem o mesmo, garantindo que não haveria arrependimento. Claro que fiquei satisfeito com os elogias ao Cariri de um modo geral e ao Crato especial que se seguiu ao papo. Fato aparentemente sem importância, mas que me levou a refletir para os possíveis ganhos se cada cratense divulgasse um pouco mais as coisas boas do Crato.

Joaquim Pinheiro

Dia internacional da Mãe Terra – Colaboração : Nancy Sierra

ONU declara al 22 de abril “Día Internacional de la Madre Tierra”
La ONU declaró al 22 de abril como el Día Internacional de la Madre Tierra, para recordar al ser humano la obligación de preservar y respetar la riqueza natural del planeta. NACIONES UNIDAS (EFE).- La ONU declaró hoy, 22 de abril de 2009, a propuesta de Bolivia, el 22 de abril como el Día Internacional de la Madre Tierra, para recordar al ser humano la obligación de preservar y respetar la riqueza natural con la que comparte el planeta. La resolución presentada personalmente por el presidente de Bolivia, Evo Morales, fue aprobada hoy por aclamación por los 192 países que forman parte de la Asamblea General de la ONU.
En un discurso posterior a la aprobación del documento, el mandatario andino afirmó que el siglo XXI debe ser considerado el de los derechos de la Madre Tierra y de todos los seres vivos que en ella habitan.
“Ha llegado el momento de reconocer que la Tierra no nos pertenece, sino que nosotros pertenecemos a la Tierra”, aseguró. Morales, el primer presidente indígena de su país, recordó el “carácter sagrado” que los pueblos andinos conceden a la Pachamama, “madre tierra” en quechua, a la que profesan adoración por considerarla su protectora.
“Estoy convencido de que la Madre Tierra es más importante que el ser humano”, aseveró el presidente boliviano. Por ello, propuso en su intervención que la ONU estudie la creación de una Declaración Universal de los Derechos de la Madre Tierra, que conceda al planeta la misma protección sobre sus derechos fundamentales que el documento que desde hace más de 60 años reconoce los del ser humano.
Indicó que esa nueva declaración debería partir de cuatro principios básicos: el derecho a la vida de los ecosistemas, el derecho a la regeneración de la biodiversidad, el derecho a vivir sin contaminación y el derecho a la convivencia armónica con la naturaleza.
Morales agregó que tras los estragos causados por el “capitalismo salvaje”, el ser humano debe dar un giro a su relación con el entorno natural. Por su parte, el presidente de la Asamblea General, el ex canciller nicaragüense Miguel D’Escoto, celebró la decisión de los 192 miembros del órgano y aseguró que esta es una jornada importante en los esfuerzos por salvar el planeta de la degradación medioambiental.
La resolución adoptada por la Asamblea General advierte en sus dos páginas que la Tierra y sus ecosistemas son “nuestro hogar”, por lo que el ser humano debe llegar a un equilibrio justo entre la naturaleza y las necesidades económicas.
Colaboração : Nancy Sierra

Show de lançamento do novo CD de João Nicodemos – Convite

Quarta-feira , dia 29 às 20:00 h , no Teatro Raquel de Queiroz

Música Simples – Por João Nicodemos de Araújo Neto

A música de folguedos populares, produzida no seio das comunidades rurais ou periféricas (em relação à cultura erudita e ao conhecimento acadêmico), tem uma estrutura melódico-harmônica simples, utilizando poucos elementos para ser produzida: um motivo rítmico-melódico que se repete indefinidamente, sob acompanhamento harmônico de estrutura igualmente simples onde predominam cadências de acordes do Iº, IVº e Vº graus (que no tom de Dó correspondem ao Dó, Fá e Sol, respectivamente). Pensar que esta simplicidade seja sinônimo de falta de conhecimento ou elaboração é um engano que muitos cometem por desconhecerem que na simplicidade, muitas vezes, encontramos a síntese de uma gama enorme de conhecimentos e possibilidades. Nesta categoria de música podemos incluir as cantigas de roda, das brincadeiras infantis, cantigas de ninar, e tantas outras que fazem parte da cultura popular, como as músicas de antigos carnavais, as “chamadas” da capoeira, músicas do “bumba meu boi”, maracatus, sambas-de-roda etc. Por quê essas músicas agradam a tão grande número de ouvintes e passam de uma geração para outra com tanta facilidade? Esta não é uma pergunta muito fácil de ser respondida, mas, utilizando uma linguagem mais poética que científica, com algumas metáforas e comparações, podemos expor algumas idéias que nos conduzam, se não a respondê-la, pelo menos a oferecer algumas possibilidades de interpretação deste fenômeno. Podemos considerar que:

· A Arte Popular, é uma atividade humana movida pelo princípio do prazer. Ninguém canta ou dança para sofrer ou ficar triste. Mesmo que a inspiração parta de um sofrimento, o resultado é a alegria (ainda que pela catarse).

· A Música é uma arte do movimento, visto que seus elementos principais, o ritmo, a melodia e a harmonia, se deslocam no Tempo produzindo a noção de movimento expresso nas condições de “antes” e “depois” por meio das repetições de frases rítmicas, melódicas e harmônicas.

· O ritmo pode ser percebido na Natureza através da repetição de eventos num determinado tempo, em intervalos constantes.

· Podemos entender o movimento, observando seus momentos mais importantes e denominá-los: tensão e relaxamento. Por exemplo, uma bola arremessada para o alto (tensão) se desloca até um ponto e retorna (relaxamento); uma pergunta feita (tensão) encontra sua resposta (relaxamento); podemos pensar em pólos magnéticos, dor e prazer, yin e yang e muito mais, sempre encontramos estes dois momentos: tensão e relaxamento. Momentos que são opostos e complementares, um “relativizando” o outro. Bem, e como é que esta série de assertivas pode responder à questão sugerida acima? Fazendo a conexão entre elas. Nessa categoria de músicas, os acordes de Iº IVº e Vº graus (Tônica, Subdominante e Dominante, respectivamente) têm uma função harmônica, segundo a sensação que provocam (repouso, tensão ou relaxamento) nos ouvintes e nos executantes. A Tônica, provoca uma sensação de repouso, a Subdominante, provoca uma sensação de movimento (pouca tensão) e a Dominante, a sensação de tensão, que deve ser resolvida com o retorno à Tônica. Esta é uma regra básica de harmonia funcional. Mas esta regra não existe por acaso. Ela responde a uma necessidade orgânica: o prazer, o relaxamento, a sensação de segurança, do conforto de “voltar pra casa” (o acorde inicial, o retorno à Tônica). Existe uma história bem interessante, que ilustra com clareza o que foi dito. Conta-se que o filho de um grande mestre da Música estava estudando ao piano, durante a noite, quando, após tocar um acorde de Vº grau (Dominante, acorde de tensão), parou e foi dormir… Seu pai, que o escutava de seu quarto ficou insone e só conseguiu “relaxar” depois de descer de seus aposentos e tocar o acorde que “resolvia” aquela tensão harmônica (e orgânica). Creio que o que possibilita uma grande identificação com a música “simples” é esta condição de síntese que ela contém onde, com poucos elementos provoca o movimento entre a tensão e o relaxamento, de forma direta e até previsível. Notem que nos detivemos aos elementos musicais apenas, sem fazer menção às letras das canções. Isso demandaria outro estudo.

João Nicodemos ( e-mail omitido para preservar a PAZ do autor )

Nuances – Por Socorro Moreira

O sol despontou, um tanto zarolho. Parece um pirata, cheio de asas. As ruas escondem suas sombras, e clareiam os movimentos de quem passa.Atravessei a praça, adiantando e retardando compromissos diários. Enfrentei filas. Comprei frutas nas calçadas. Olhei vitrines… Experimentei vestidos floridos. Aspirei meu próprio cheiro, no vento dos meus cachos. Ideias enroladas … Dispenso os babados. Amigos encontro ao acaso. Sorriem perguntas formais. Sem casos. Problemas escondidos, no banco de trás. Arrasto tempo e sandálias . Compro um brinco , na lojinha da esquina … Balançam meu juízo , mas emprestam-me charme. Café com bolo não posso … Mas traço ! E saio requebrando , na minha saia estampada. Pés descobertos , evitam as águas paradas. Vestígios das chuvas , alocados nos buracos … Eu passo ! Pulo feito gata …Quando fui gata ? Era uma tonta mulherzinha trepidando saltos no asfalto. Hoje as sandálias me carregam, me levam pra onde os olhos não podem , nem querem.Tarde de malemolência. Sessão de cinema que adormece. Amores na tela , me acordam … São quatro horas. Olho o espelho e vejo uma cara, traquinamente feliz …Mentira de Abril. É quase cínico ou triste , o olhar que pisca , nuances de mim.

Por: Socorro Moreira

Casa de Sapé, versos no papel – Foto de Pachelly Jamacaru – Por Socorro Moreira

Minha poesia é pretenciosa
Inventa um Natal em Abril
Pede emprestado , o olhar de Pachelly …
Mistura-se na argila da estrada
Pisa em folhas brancas da saudade
Na argamassa das palavras
contrói barracos de papel…
Desarrumada nos cipós e calhas,
pede inclusão na paisagem.
No escuro que o luar invade ,
esconde a timidez
Ilumina de falas a casa
Falta querosene na lamparina da sala
O fogão de lenha queima,
gravetos catados,
na beira da alma

Meu quintal tem um balanço,
onde brinco com meus sonhos
Minha rede sempre armada,
tem no vento um aliado…
Quando ele chega,
abro a janela da vida ,
e canto uma moda antiga …
Pra que as estrelas se encantem,
e me apanhem com seu brilho.

Socorro Moreira

Estamos com fome de amor – Por Arnaldo Jabor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!”.Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.

Antes idiota que infeliz!

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