468x60

Arquivo da categoria ‘Poesia’

E por falar em saudade… – Texto de Pablo Neruda – Por Claude Bloc

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

(Pablo Neruda)

Poema de Domingo – Por Claude Bloc

Todos os meus poemas começam de manhã, com o sol.
Mesmo que as palavras não estejam à vista,
O poema será, então, meu céu de chuva
explicando a luz.
Durante o dia, morará inteiro
num espaço mais aberto
de ar claro e luminoso,
nas tardes lisas e eternas…
Então, emergirá, mais uma vez,
Da noite, do silêncio,
como um cais seguro.

Pela rua
sua passagem se confundirá
Com os assovios do vento
Com o rumor dos mares
E o encontrarei em areias claras
onde possa se estender ao sol,
no relicário dos meu sonhos.

Meu poema será
uma mão aberta e,
na sua palma, estará minha esperança.
…e se arrastará com o dia
e se meterá pelas copas das árvores,
cantará com os pássaros e correrá com os riachos…

Meu poema contará como tudo é feito
menos ele próprio…
começará por um acaso cinzento,
como esta manhã de abril
e acabará, também por acaso,
quando o sol (em meus olhos) brilhar…
Meu poema me levará no tempo
E não passarei sozinha…

Por Claude Bloc

José Milton Arraes manda Lembranças

Após passados quase 45 dias da sua cirugia cardíaca, que foi de pleno sucesso, temos o prazer de contar com um dos maiores entusiastas do Blog do Crato, o nosso querido José Milton Arraes. Graças ao nosso bom Deus, deu tudo certo. Estive em contato com ele há poucos minutos, e ele se reportou totalmente recuperado. Pede inclusive para cumprimentar aqui de público as pessoas que durante aquele período tão crítico, estiveram ao seu lado e torcendo por sua recuperação. Em especial, envia um caloroso abraço para o Carlos Eduardo Esmeraldo e a Magali que fizeram uma visita e lhe prsentearam com um livro, bem como a Claude Bloc. Aliás, ligou depois especialmente para que eu não me esquecesse de cumprimentar a Claude.

Grande José Milton. Deus em sua infinita sabedoria, certamente que o protegeria naquelas horas tão necessárias, e como eu havia falado para sua filha, que eu não tinha a menor dúvida de que esse procedimento seria um total sucesso. Você é uma pessoa que merece todo o nosso carinho, e toda a nossa consideração.

Um grande abraço,

Dihelson Mendonça

Praça da Sé em dois tempos – Por Claude Bloc

A Praça da Sé (Crato CE) – antes da reforma
A Praça da Sé – (Crato – CE) após a reforma

Urbanizar e modernizar é destruir as lembranças ? É desfigurar a História?

Por Claude Bloc

De pernas pro ar – Por Claude Bloc

…… Se hoje nada mais der certo pego as minhas coisas jogo numa mala e me mando pro Crato. Se nada mais der certo saio por aí pisando nas flores caídas pela rua enquanto finjo que não vejo os olhares atravessados do outro lado da rua, perscrutando meus movimentos. Se nada mais der certo compro um guaraná, bem gelado, e nada de papo.
…… Se nada mais der certo escrevo um poema, um dilema e me perco na obscuridade do silêncio. Se nada mais der certo vou em busca dos amigos. Vendo meus anéis, brincos e colares e compro uma passagem – pra onde, não sei. Se nada mais der certo componho uma música para alguém… e canto em falsete pra espantar a tristeza. Se nada mais der certo ligo a TV e finjo que assisto às novelas. Mesmo se ninguém gostar do meu senso de humor, sei que farei um bocado de gente sorrir da minha cara ridícula na tela – eu na tela?
…… Se nada mais der certo vou saber que não devia nunca ter emprestado aquele livro para minhas colegas. Se nada mais der certo escrevo mensagens para minha lista de amigos e como ninguém me responderá, nunca saberei se leram ou o que pensaram de meus textos. Se nada mais der certo ouço meus poucos CDs e ainda choro recordando as músicas do Ray Connif. Se nada mais der certo vou-me embora de ônibus e faço cara feia pro menino que ficar me olhando com cara de sapeca.
…… Se nada mais der certo bato à porta daquele bom amigo e negocio uma xícara de café por um antigo retrato. Se nada mais der certo desisto de dar certo e lavo as mãos…
Por Claude Bloc (postado na UVA – Sobral)

Nuances – Por Socorro Moreira

O sol despontou, um tanto zarolho. Parece um pirata, cheio de asas. As ruas escondem suas sombras, e clareiam os movimentos de quem passa.Atravessei a praça, adiantando e retardando compromissos diários. Enfrentei filas. Comprei frutas nas calçadas. Olhei vitrines… Experimentei vestidos floridos. Aspirei meu próprio cheiro, no vento dos meus cachos. Ideias enroladas … Dispenso os babados. Amigos encontro ao acaso. Sorriem perguntas formais. Sem casos. Problemas escondidos, no banco de trás. Arrasto tempo e sandálias . Compro um brinco , na lojinha da esquina … Balançam meu juízo , mas emprestam-me charme. Café com bolo não posso … Mas traço ! E saio requebrando , na minha saia estampada. Pés descobertos , evitam as águas paradas. Vestígios das chuvas , alocados nos buracos … Eu passo ! Pulo feito gata …Quando fui gata ? Era uma tonta mulherzinha trepidando saltos no asfalto. Hoje as sandálias me carregam, me levam pra onde os olhos não podem , nem querem.Tarde de malemolência. Sessão de cinema que adormece. Amores na tela , me acordam … São quatro horas. Olho o espelho e vejo uma cara, traquinamente feliz …Mentira de Abril. É quase cínico ou triste , o olhar que pisca , nuances de mim.

Por: Socorro Moreira

Deuses da chuva – Por Claude Bloc

Chove! … e os deuses da chuva , do céu estão distantes. Na Terra, confrontam-se os heróis nessa alegoria profética do tempo. A figura do inverno desfila personificada nas enchentes, nos aluviões, materializada na avidez das águas, nas obsessões da estação…

Então, chove! Fora e dentro de mim. A chuva é poesia nesta hora. Mescla gêneros e experiência na prosa, mas não pode viver confinada ao limite das estações nem ao domínio das palavras.

A chuva é fiel. Ao tempo em que discorre pela vida a sua passagem. Ao tempo em que deixa escorrer seu pranto e seu agravo…

A chuva é a tradução deste poema. Celebra o universo! … e leva, no verso de seu dorso, as linhas do seu estro.

Por Claude Bloc

Casa de Sapé, versos no papel – Foto de Pachelly Jamacaru – Por Socorro Moreira

Minha poesia é pretenciosa
Inventa um Natal em Abril
Pede emprestado , o olhar de Pachelly …
Mistura-se na argila da estrada
Pisa em folhas brancas da saudade
Na argamassa das palavras
contrói barracos de papel…
Desarrumada nos cipós e calhas,
pede inclusão na paisagem.
No escuro que o luar invade ,
esconde a timidez
Ilumina de falas a casa
Falta querosene na lamparina da sala
O fogão de lenha queima,
gravetos catados,
na beira da alma

Meu quintal tem um balanço,
onde brinco com meus sonhos
Minha rede sempre armada,
tem no vento um aliado…
Quando ele chega,
abro a janela da vida ,
e canto uma moda antiga …
Pra que as estrelas se encantem,
e me apanhem com seu brilho.

Socorro Moreira

Chuva – Por: Claude Bloc

…….. A chuva de hoje proporcionou-me um curioso diálogo com o tempo. Lembrei-me da Rua Irineu Pinheiro nos muitos invernos que atravessei no Crato. Manhãs caudalosas. A rua inundada de uma ponta a outra, até as calçadas, causando transtorno aos incautos estudantes matutinos. Nem as famigeradas galochas eram suficientes para conter a “fúria” das águas que desciam levando as pedras rua abaixo. Nem os sapatos “colegiais” impediam a alegria dos meninos que saiam em revoada de suas casas para a escola. Risos, risadas, gente encharcada, lama, choro… e muitas vezes o retorno de um ou outro, vítima da “guerra fria” da água barrenta…
…….. Difícil esquecer também os dias infindáveis de brincadeiras pelas ruas, onde, depois da chuva, filetes de água, refletindo o céu nublado, acompanhavam o meio-fio, dobrando na esquina, em busca do Rio das Piabas…
…….. A chuva apascentava os ânimos. As brincadeiras eram infinitamente alegres e provocavam a criatividade. Diques e açudes assoreavam as ruas e invadiam a passagem dos carros. Eu era mera personagem dessa história de chuvas? Descia pela rua pisoteando a água, remexendo os sonhos de algum príncipe escondido n’algum “castelo”. Menino que simplesmente me assistia passivamente passeando pela chuva, chacoalhando a água com os pés, espargindo sonhos por aí…
…….. Foi assim, nesse diálogo com a chuva que comecei a escrever. Tentava nas palavras encontrar o cheiro da terra e os sons das águas lavando e levando as pedras do calçamento. A verdade era para mim como essa chuva. Procurava me encontrar em meio a esse rio de palavras todas que escorriam pela rua desfarelando os sonhos pela enxurrada. A chuva naquele tempo era também a expressão dissimulada do meu pensamento. Eu, mera criança, apreendia o mundo como se eu fora extraterrestre. Tinha dificuldade de escrever. As águas lavavam-me as idéias. Meus textos eram híbridos e insípidos…
…….. Hoje, porém, a chuva e eu podemos andar de mãos dadas…

Por Claude Bloc

Entre a noite e o dia – Por Claude Bloc

….Gosto dessa eterna alternância entre a noite e o dia, entre a claridade e a escuridão. Gosto desse balanço, por entre pêndulos, desses pequenos rasgos de luz que cortam os céus à noite, gosto dessas poções de luz que (i)lustram meu ser durante o dia. E nesta guerra permanente, entre a luz e a sua ausência, deixo-me ficar inerte, nessa hora, no instante exato em que os nossos mundos se roçam pelo espaço. Mesmo que depois, partamos em direções opostas, rumo à claridade, fechados na saudade.
….Gosto do eco da noite e da voz do dia. Gosto do silêncio que tocou a minha alma, para sempre.
….Gosto de pensar e escrever à noite Alimento-me da quietude, me apraz! 
….Gosto da noite que explode como catarse, liberadora de todas as paixões, de todos os excessos reprimidos durante o dia. Gosto de ouvir meus próprios passos durante a madrugada, quando, em silêncio, pareço apenas querer testemunhar a solidão das esquinas e das calçadas. 
….Gosto de viver a força das marés noturnas e de banhar-me nessas ondas. Gosto da noite quando irrompem as primeiras claridades do dia.
….E é assim que chega o dia e me povoa a casa e me invade o quarto, dividindo espaço no mundo da vigília.
Por: Claude Bloc

PUBLICIDADE

468x60
Login -